Afirmativo, positivo, atento, a postos. Em frente, seguindo, aposto, invisto. Sim, sim, sim. Sim aos dias, às oportunidades, às provas, às experimentações. Sim.
(Mesmo que não, mesmo que talvez, mesmo que haja dúvida.)
FAWOHODIE: "independence". Symbol of independence, freedom, emancipation. From the expression Fawohodie ene obre na enam. Literal translation: Independence comes with its responsibilities.
Dani me perguntou: - E aí, como é isso? E eu respondi: - Na verdade, Dani, vou ser bem honesta: a única coisa chata de eu ter uma tatuagem com o nome do meu ex é ter de responder sempre a esta mesma pergunta.
E lá vou eu. Pois foi naquele momento, eu acho, que me dei conta de que o problema com o qual eu teria de conviver seria esse.
Quando nós decidimos escrever na pele o nome um do outro, claro que eu não pretendia me separar. Mas também não era o pensamento de que ficaríamos juntos para sempre que motivava a minha escolha. Não sei de onde as pessoas tiram a idéia de que eu poderia ter ido fazer esta tatuagem me garantindo nisso. A única certeza que existia era de que o registro seria eterno e ficaria comigo até o meu fim. Pronto. Eu quis, nós quisemos, fazer a marca da nossa passagem, sem nunca poder prever aonde ela chegaria. Angelo foi o homem que me fez optar por isso, que me fez acreditar nisso, o que já me foi e é suficiente.
As pessoas arregalam os olhos, perguntam "e agora?", dizem "que merda, hein?", fazem "pshhhh!", tentam me dar carão, ficam com pena, balançam as cabeças, perguntam se estou bem... Tudo isso simplesmente porque perguntam "quem é Angelo?", e eu digo que é meu ex-marido. Nossa, é um alvoroço. Eu rio, ou simplesmente dou um beijo na tatuagem, não tenho saco de argumentar com qualquer um.
Não fui eu que disse isso a Renata, provavelmente ela questionou a algum amigo em comum, porque já chegou em mim sabendo de tudo e falou a coisa mais legal que já ouvi sobre esta situação: "Vocês devem ter sido um casal e tanto para serem os únicos que já vi na vida que não pretendem cobrir uma tatuagem do tipo, admiro vocês". Bingo.
Dizem que um dia eu vou mudar de idéia, mesmo quando explico toda essa história. Dizem que um dia eu não quererei mais ter esta marca em mim. Mais uma vez eu prefiro não tentar adivinhar o futuro. O que importa, de fato, é que agora eu não tenho a mínima intenção de tentar apagar esta escolha tão especial e verdadeira. Angelo nem precisaria estar na minha pele para estar eternamente no meu coração.
Novembro de 2001. Eu com medo da reação, mas achei justo falar antes: - Pai, o que você acharia se eu fizesse uma tatuagem? - Uma tatuagem?? - É... - Eu acharia massa! Acho lindo! Acho lindo mulher com tatuagem! - SÉRIO? - Quer tatuar o quê? - Marcelo desenhou uma flor para mim. - Que legal! Vai fazer quando? - Acho que, pelo visto, agora mesmo. - Então vai lá e volta cá para eu ver.
Fiz minha tulipa amarela, desenhada pelo meu primo, na região do tornozelo. Meu pai achou pequena. Minha mãe surtou.
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Junho de 2006. Eu e Angelo resolvemos tatuar na pele a nossa união, as peças que nos faltavam um ao outro. Doeu loucamente, tatuar o pulso é uma tortura. Meu pai torceu o nariz e achou que fiz uma grande besteira. Minha mãe chorou e disse que estava decepcionada, achava que eu era inteligente demais para ter feito "tamanha burrice".
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Agosto de 2006. Fui fazer uma tatuagem surpresa, ninguém sabia da minha nova intenção. Cheguei com a idéia de tatuar um troço que eu não sabia explicar direito o que era, só sabia dizer objetivamente o local do corpo escolhido. Fui descrevendo o que eu via, as formas que queria, pedi bolinhas e traços e, depois de narrar meus delírios, João definiu: você quer que eu desenhe um sopro? Sim, acertou, é isso. E a tatuagem foi feita direto na pele. Meu pai disse que era bonita, mas que já estava bom, é a última, certo? Minha mãe disse que era ridícula, você está se enchendo dessa coisa, está toda riscada, o povo tem preconceito, minha filha, pare com isso.
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Setembro de 2006. Eu e Angelo voltamos ao estúdio para retocar as peças do quebra-cabeça. Enquanto meu então marido sofria, eu aguardava, me distraindo entre os desenhos de João. Encontrei lá no meio umas flores que eu havia visto em junho, que eu tinha achado lindas e que estavam reservadas para mim: - Gostou? São suas. Vão esperar você para quando tiver coragem. Desisti de fazer o retoque e tatuei o meu jardim. Ele se juntou à primeira flor, subindo pela batata. Meu pai riu. Minha mãe disse que tinha me feito perfeita e que eu estava me estragando.
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Outubro de 2006. - De tanto você fazer estas tatuagens doidas, eu sonhei que eu estava fazendo uma. Acho que fiquei com esta maluquice na cabeça. - Hahahahahaha. - Dói? - Bem, como explicar? Depende... Não dóóóóóóói, é mais uma ardência. Dá para aguentar de boa. - Será que seria ridículo se eu fizesse uma? - HUAHUAHUAHUAHUAHUAHUAHUAHUA! - É, eu pensei que poderia fazer um desenho bonitinho em homenagem a meus filhos, que tal? - Ai, ai, até parece... - É sério, Paula, você acha que seria ridículo, não estou velha para isso? - Minha mãe, eu ia achar massa, pena que você só está zoando com minha cara.
Mas não é que minha mãe fez uma tatuagem?
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Agosto de 2007. Fui retocar a porra toda. A tattoo da perna me custou três longas sessões no período em que foi feita, mas faltava retocá-la, consertar detalhes. João, quando viu a do braço, achou que precisava de uma segunda mão também. Vamos nessa. - Quero sair daqui com alguma novidade, já estou na seca de traços novos. - O que você quer? - Aumenta a do braço. - Com o quê? - Uma borboleta, mais bolinhas, mais tracinhos. - Vai ser na mão direto também, tá? - Lógico, o braço é todo seu.
E o meu sopro cresceu.
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A frase-título é de minha tia Beth, achei o máximo quando ela disse isso, hahaha.