Salvador, 3 de dezembro de 2011: um dos momentos mais emocionantes e tremidos de minha vida!
Eu era uma coisa sambante, o papel pulava em minha mão, meus olhos nadavam em água, não sei como consegui ler, mas valeu a pena ser a porta-voz da união: uma honra!
Quando Cat me convidou para falar aqui representando os amigos dela, senti mais uma vez a alegria e o orgulho do privilégio de estar entre as pessoas de sua vida. O convite também me fez lembrar do meu avô José – uma das pessoas mais importantes da minha vida –, aquele que, em todos os eventos dos que amava, era quem se incumbia dos discursos, sempre tão verdadeiros e emocionados. Meu avô tinha o dom de fazer as palavras virarem histórias concretas diante dos olhos, era muito firme na defesa do que acreditava e só chamava de amigos aqueles por quem realmente mataria e morreria. São três coisas que tento honrar como herança. Então, que este texto espelhe este mundo de coisas tão bonitas que se abre para Lucas e Cat, e que continuará nos passos de uma criança ainda por nascer.
No verão deste ano, numa das tantas festas que agora já podemos chamar de despedidas de solteira, assisti meio de longe, meio de perto, à primeira conversa destes dois que hoje são noivos. Posso tirar onda e dizer que, desde sempre, eu avisei: é ele! Eu também vi, dias depois, o primeiro beijo – e o namoro começou ali, instantaneamente. Pois assim que foi. E foi assim que Lucas, num bilhetinho de aniversário para Catarina, consagrou, em poucas e certeiras palavras: “Linda, te achei!”. E pronto. Só isso. E eu nunca vi um bilhete mais bonito que esse. Porque não há nada que possa ser mais incrível e mágico do que reconhecer assim, clara e simplesmente, ter encontrado o grande amor.
Amor que se reflete em bem-estar, alegria e satisfação. Amor gentil, cuidadoso, carinhoso e agradável. Amor intenso e profundo que se revela em leveza e em sono tranquilo. Amor que reserva surpresas, mas que dispensa a ansiedade. Amor de ficar junto porque assim a vida fica melhor. Amor como há de ser: tornando duas pessoas mais felizes, mais inteiras, mais seguras, mais capazes. Eu vejo Cat e Lucas, no dia a dia, arrancando sorrisos um do outro. Eles se fazem bem. É assim que faz sentido.
Cat e Lucas são companheiros, parceiros e se escolheram, além de terem lindamente se apaixonado. O peito palpita, e a razão confirma: eis um casal. Porque ser casal, aos 30 e com um filho na barriga, também exige sensatez. Por isso, vê-los estar nisso com tanta certeza faz com que fiquem de lado questões de tempo, planos, mudanças. Já é certo e coerente. Já tem fruto. Já é uma grande história. Já é uma família.
A minha amiga Catarina é de uma integridade de dar gosto. Já escrevi isso para ela antes, e repito: não conheço criatura mais leal. É uma grande mulher, com disposição para o crescimento e para a vida. Firme e honesta. Inteligente e divertida. Que se reconhece bem e sabe, graças a Deus que ela sabe, que não merece nada menos que muito. É fato, Cat: você é merecedora desse dia. Dessa gente que te ama. Desta e de muitas outras celebrações pelo que o universo lhe retribui como presente.
Pois então, Lucas, você realmente achou um tesouro. E nós, amigos de Catarina, lhe recebemos de braços abertos porque você faz jus a este mérito. Que bom que ela também te achou! Que bom que você veio. Que bom que você é agora também nosso amigo. Que bom que você é o pai do filho dela.
Abençoo e aplaudo esta união com a competência de quem só deseja o melhor para vocês. É um consentimento meu e de todos. Se aqui houvesse um padre que questionasse se alguém tem algum impedimento a declarar sobre o casamento, eu perguntaria: está louco? Olhe para Cat e Lucas, olhe aí: só há fatores a favor. Só há a parte de que eles se aceitam como legítimos, na riqueza e na pobreza, na saúde e na doença, com fé na felicidade, com respeito e sinceridade, com o compromisso primordial de dividirem os dias pelo bem comum. Só pelo bem.
Catarina, Lucas,
Que possamos sempre ser testemunhas do amor de vocês. Que vejamos a quiança se transformar num ser humano também admirável. Que tenhamos muitos motivos para comemorar esta união. Muitos bons dias estão neste caminho, com certeza. Vamos estar juntos nisso.
Amo vocês três.
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5 de dezembro de 2011
5 de maio de 2011
Catarina Costela
Por mais que eu finja bem, não sou uma mulher simpática. Nem dada. Nem muito aberta. Sou capaz de conviver anos com pessoas sem que elas nunca ouçam nada íntimo sobre mim. Raros são aqueles a quem chamo, de verdade, de amigo. Porque amizade dá trabalho. Porque amizade demanda tempo, atenção, disponibilidade. E eu não me disponho a isso à toa. Meus amigos são muito bem e cuidadosamente escolhidos. Levo tempo até abrir espaço em meu coração. A estabelecer este tipo de relação de troca absoluta – e oferecer minha lealdade, que é o que dou de mais valioso. Construir este pacto, para mim, é um movimento sagrado. Um milagre bom de ver realizado. É que é isso, né? Amizade é um negócio mágico. Alguém que se cruza com você nesta vida de milhões de possibilidades, e que você reconhece e diz: ei, vem viver comigo?
Eu e Catarina nunca fomos apresentadas. De tanto que nos cruzávamos, de tantos conhecidos comuns, de tanto passarmos uma ao lado da outra, de tantas histórias conectadas, começamos a nos cumprimentar: “boa noite, tudo bem?”. Pura gentileza de quem já estava achando ridículo fingir que não sabíamos da existência uma da outra. Então pronto: “Oi, Catarina”. “Oi, Paula”.
Já houve comentário de que nossa aproximação foi repentina. Talvez tenha quem pense que foi estratégica, cômoda. Recapitulo tudo e fico muito emocionada. Desde aqueles gestos educados iniciados em 2007, as circunstâncias da vida nos colocaram em contato constante. Assim, dia a dia, lentamente, fomos nos descobrindo. Nos olhando. Nos checando. Saindo. Viajando. Conversando. Compartilhando. E vendo, com cada nova experiência, que havia uma vaga reservada no peito para a consagração final.
Não esperávamos por isso, tampouco precisávamos disso. Somos, privilegiadamente, rodeadas de amores que pareciam ser suficientes. É possível que isto tenha deixado tudo acontecer ainda com menos pressa. É certeza que isto nos comprova, todo o tempo, que nosso vínculo é muito forte – e que há sempre amor para se multiplicar. Foi uma escolha muito bem feita. Uma entrega muito bem alicerçada.
Lembro-me do dia em que ela me disse: agora sei que você confia em mim. Dali pra cá, depois das afirmações que os sentimentos pedem, depois de eu abrir o meu pesado portão, não sei como pensar em mim sem ela. Não sei como teriam sido os últimos tempos. E fico feliz, de fechar os olhos e apertar as mãos, pela sorte de tê-la comigo.
Hoje, 5 de maio, Cat faz aniversário. Trinta anos como eu, taurina como eu, nascida no Hospital Português como eu, registrada por Gelsa da Cunha Cruz como eu. E tudo isto, apesar de nossas inúmeras e grandes diferenças, é apenas parte de nossas identificações. A melhor delas, aliás, é o tesão que a gente tem pela vida. Como é foda, muito foda, a gente poder lembrar isso uma para a outra: que não merecemos nunca menos que muito, quando alguma das duas dá de se enfraquecer por qualquer razão. Tem sido assim que, desde que nos aceitamos, sabemos que não há tropeço que não possa ser amortecido pelo sorriso que está sempre pronto para ser ofertado.
Não conheço criatura mais leal que ela. É de uma prontidão infalível. É uma mulher honesta, sincera, que fala (e como fala!) o que pensa e não teme as consequências. Se alguém discorda, ela ouve com respeito e cuidado, rebate se achar justo, defende o que acredita. É uma mulher que se propõe a melhorar, mesmo com os medos, desconhecimentos e desafios que precise aprender a enfrentar. Ela é inteligente, bem informada e ninguém ganha dela no Perfil, aquele jogo de conhecimentos gerais da Grow. Cat é interessante. Divertida e engraçada. E me acompanha na cerveja atééééé o final. Até amanhecer. Até só ter vinho ruim pra beber. Sempre queremos mais. Sempre nos renovamos a cada diálogo. Ela dança, faz cena, caras e bocas, tira fotos, conta histórias, arranca gargalhadas, faz dengo, apoia, incentiva, reclama, sofre, resolve e lá vai ela, comprometida com o que é e com quem a cerca. Por sinal, tem tanta gente que cerca e ama esta balzaca que eu só posso entender que o mundo, apesar de tudo, é mesmo uma inesgotável resposta àquilo que nos prestamos.
Catita, minha amiga,
Eu espero ser sempre capaz de honrar o privilégio de sua amizade.
Você, como já disse, me movimenta, me mobiliza. “Companhia certa de todas as horas”.
Estou por você. Obrigada por tudo.
Feliz aniversário!
Te amo.
E, ah!, vou botar este vídeo LINDÃO aqui. É que Cat esteve comigo mesmo eu estando lá do outro lado do Oceano!
Eu e Catarina nunca fomos apresentadas. De tanto que nos cruzávamos, de tantos conhecidos comuns, de tanto passarmos uma ao lado da outra, de tantas histórias conectadas, começamos a nos cumprimentar: “boa noite, tudo bem?”. Pura gentileza de quem já estava achando ridículo fingir que não sabíamos da existência uma da outra. Então pronto: “Oi, Catarina”. “Oi, Paula”.
Já houve comentário de que nossa aproximação foi repentina. Talvez tenha quem pense que foi estratégica, cômoda. Recapitulo tudo e fico muito emocionada. Desde aqueles gestos educados iniciados em 2007, as circunstâncias da vida nos colocaram em contato constante. Assim, dia a dia, lentamente, fomos nos descobrindo. Nos olhando. Nos checando. Saindo. Viajando. Conversando. Compartilhando. E vendo, com cada nova experiência, que havia uma vaga reservada no peito para a consagração final.
Não esperávamos por isso, tampouco precisávamos disso. Somos, privilegiadamente, rodeadas de amores que pareciam ser suficientes. É possível que isto tenha deixado tudo acontecer ainda com menos pressa. É certeza que isto nos comprova, todo o tempo, que nosso vínculo é muito forte – e que há sempre amor para se multiplicar. Foi uma escolha muito bem feita. Uma entrega muito bem alicerçada.
Lembro-me do dia em que ela me disse: agora sei que você confia em mim. Dali pra cá, depois das afirmações que os sentimentos pedem, depois de eu abrir o meu pesado portão, não sei como pensar em mim sem ela. Não sei como teriam sido os últimos tempos. E fico feliz, de fechar os olhos e apertar as mãos, pela sorte de tê-la comigo.
Hoje, 5 de maio, Cat faz aniversário. Trinta anos como eu, taurina como eu, nascida no Hospital Português como eu, registrada por Gelsa da Cunha Cruz como eu. E tudo isto, apesar de nossas inúmeras e grandes diferenças, é apenas parte de nossas identificações. A melhor delas, aliás, é o tesão que a gente tem pela vida. Como é foda, muito foda, a gente poder lembrar isso uma para a outra: que não merecemos nunca menos que muito, quando alguma das duas dá de se enfraquecer por qualquer razão. Tem sido assim que, desde que nos aceitamos, sabemos que não há tropeço que não possa ser amortecido pelo sorriso que está sempre pronto para ser ofertado.
Não conheço criatura mais leal que ela. É de uma prontidão infalível. É uma mulher honesta, sincera, que fala (e como fala!) o que pensa e não teme as consequências. Se alguém discorda, ela ouve com respeito e cuidado, rebate se achar justo, defende o que acredita. É uma mulher que se propõe a melhorar, mesmo com os medos, desconhecimentos e desafios que precise aprender a enfrentar. Ela é inteligente, bem informada e ninguém ganha dela no Perfil, aquele jogo de conhecimentos gerais da Grow. Cat é interessante. Divertida e engraçada. E me acompanha na cerveja atééééé o final. Até amanhecer. Até só ter vinho ruim pra beber. Sempre queremos mais. Sempre nos renovamos a cada diálogo. Ela dança, faz cena, caras e bocas, tira fotos, conta histórias, arranca gargalhadas, faz dengo, apoia, incentiva, reclama, sofre, resolve e lá vai ela, comprometida com o que é e com quem a cerca. Por sinal, tem tanta gente que cerca e ama esta balzaca que eu só posso entender que o mundo, apesar de tudo, é mesmo uma inesgotável resposta àquilo que nos prestamos.
Catita, minha amiga,
Eu espero ser sempre capaz de honrar o privilégio de sua amizade.
Você, como já disse, me movimenta, me mobiliza. “Companhia certa de todas as horas”.
Estou por você. Obrigada por tudo.
Feliz aniversário!
Te amo.
| Difícil escolher uma entre milhares de fotos. Vai esta: esmaguenta! |
E, ah!, vou botar este vídeo LINDÃO aqui. É que Cat esteve comigo mesmo eu estando lá do outro lado do Oceano!
1 de abril de 2011
O poder da gentileza masculina
Nunca consigo falar sobre Theo, especialmente para quem não o conhece, sem fazer algum tipo de elogio. Convenhamos: este meu amigo, homem de perfeitos 36 aninhos, arquiteto, cantor e compositor, parece feito sob medida para causar admiração. Aquele tipo de gente cuja ocorrência na população é raríssima. O privilégio, obviamente, não é só dele. É meu. E de todos aqueles que cruzam seu caminho.
Fácil é explicar por que digo isso. O texto, sei de cor. Repito sempre: Theo é bonito. É grande. Tem presença magnânima. É magro sem deixar de ser forte. É forte na medida da naturalidade. O corpo está todo encaixado no lugar certo. Charme puro. Classudo. Para completar, ele sempre cobre esta fartura com proeza: Theo se veste bem e, em seu estilo sempre básico, surpreende pelo bom gosto. Adoro os sapatos dele. É de uma elegância absurda – e elegância, vamos combinar, não se escolhe ter. Elegância é atributo de poucos e, na minha opinião, uma das coisas mais belas que podem existir. Se eu pudesse escolher acordar com uma mudança drástica em minha aparência, ao invés de barriga tanquinho ou qualquer outra coisa, escolheria amanhecer sublimemente elegante.
Daí Theo abre a boca e sai um vozeirão que é uma covardia, acompanhado de uma simpatia e um bom humor que fazem ser impossível não sorrir de volta para ele. É isso: ele sempre olha nos olhos e sorri com sinceridade. Sem contar aquele abraço gigante que te faz sentir querido. E é divertido. Dança. Fala bem. Inteligente, articulado, atencioso. A companhia dele é prazerosa: para papear, para farrear, para beber até de manhã.
Ainda assim, tudo isso é fichinha diante da mais prestigiosa qualidade que um homem pode ter: Theo é gentil. Muito gentil.
Estava hoje, num dos momentos de ócio criativo do expediente, teorizando sobre a gentileza masculina com meus colegas de trabalho. Nada, absolutamente nada, é capaz de ser mais sexy, atraente, forte e imperativo do que um homem com tal predicado. Mas há de ser numa medida exata: sem excessos, sem forçação, sem subserviência. A gentileza arrebatadora é aquela que jamais se assemelha a insegurança ou desajeito. É aquela que, pelo contrário, expressa a altivez de quem confia em seu taco, de quem reconhece o que é respeito, de quem é soberano o suficiente para tratar o mundo de forma limpidamente educada.
Em vez de querer dominar o pedaço com agrestia, como agem alguns brutamontes que envergonham a humanidade, os rapazes gentis arrebatam lances de mestre, acumulando fãs que geralmente não saberão dizer o que é que causa tamanha atração. Há algo de misterioso, mesmo. É que você olha para aquele ser humano no alto de sua capacidade luminosa e conclui que se tornaria um feliz e eterno escravo de suas atitudes gentis. Nada, absolutamente nada, confere tanto poder a um macho.
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Nota para quem possa ter se iludido que coisa assim estaria dando sopa:
Theo é um homem casado. Não se anime.
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Para ver e ouvir Theo, à frente de sua banda: Os Irmãos da Bailarina. A letra é dele também.
Fácil é explicar por que digo isso. O texto, sei de cor. Repito sempre: Theo é bonito. É grande. Tem presença magnânima. É magro sem deixar de ser forte. É forte na medida da naturalidade. O corpo está todo encaixado no lugar certo. Charme puro. Classudo. Para completar, ele sempre cobre esta fartura com proeza: Theo se veste bem e, em seu estilo sempre básico, surpreende pelo bom gosto. Adoro os sapatos dele. É de uma elegância absurda – e elegância, vamos combinar, não se escolhe ter. Elegância é atributo de poucos e, na minha opinião, uma das coisas mais belas que podem existir. Se eu pudesse escolher acordar com uma mudança drástica em minha aparência, ao invés de barriga tanquinho ou qualquer outra coisa, escolheria amanhecer sublimemente elegante.
Daí Theo abre a boca e sai um vozeirão que é uma covardia, acompanhado de uma simpatia e um bom humor que fazem ser impossível não sorrir de volta para ele. É isso: ele sempre olha nos olhos e sorri com sinceridade. Sem contar aquele abraço gigante que te faz sentir querido. E é divertido. Dança. Fala bem. Inteligente, articulado, atencioso. A companhia dele é prazerosa: para papear, para farrear, para beber até de manhã.
Ainda assim, tudo isso é fichinha diante da mais prestigiosa qualidade que um homem pode ter: Theo é gentil. Muito gentil.
Estava hoje, num dos momentos de ócio criativo do expediente, teorizando sobre a gentileza masculina com meus colegas de trabalho. Nada, absolutamente nada, é capaz de ser mais sexy, atraente, forte e imperativo do que um homem com tal predicado. Mas há de ser numa medida exata: sem excessos, sem forçação, sem subserviência. A gentileza arrebatadora é aquela que jamais se assemelha a insegurança ou desajeito. É aquela que, pelo contrário, expressa a altivez de quem confia em seu taco, de quem reconhece o que é respeito, de quem é soberano o suficiente para tratar o mundo de forma limpidamente educada.
Em vez de querer dominar o pedaço com agrestia, como agem alguns brutamontes que envergonham a humanidade, os rapazes gentis arrebatam lances de mestre, acumulando fãs que geralmente não saberão dizer o que é que causa tamanha atração. Há algo de misterioso, mesmo. É que você olha para aquele ser humano no alto de sua capacidade luminosa e conclui que se tornaria um feliz e eterno escravo de suas atitudes gentis. Nada, absolutamente nada, confere tanto poder a um macho.
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Nota para quem possa ter se iludido que coisa assim estaria dando sopa:
Theo é um homem casado. Não se anime.
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Para ver e ouvir Theo, à frente de sua banda: Os Irmãos da Bailarina. A letra é dele também.
15 de novembro de 2010
Coisas boas acontecem o tempo todo!
Nos últimos dez dias, eu voltei a escrever, repensei posturas, pude oferecer meus ouvidos a Dany, finalizei com sucesso um freela que estava me consumindo, vi um show de Ronei Jorge e Os Ladrões de Bicicleta, encontrei Nana depois de um tempão (e ela me deu carona pela primeira vez), fui citada de forma emocionante num depoimento público de minha chefe, tive uma conversa de mulher para mulher com minha irmã, tirei folgas a que tinha direito, dancei, revi Rafaela Manzo depois de muitos anos (e botamos o papo em dia), vi minha família inaugurar um novo projeto, cortei o cabelo, depois fiquei loira (pela metade, mas fiquei), comprei roupa nova, fofoquei horrores com Catarina, fui à Praia do Forte, expus minhas pernas ao sol depois de seis meses escondendo-as sob calças e meias-calças por conta das marcas do acidente, tomei banho de mar (e de piscina), fui indicada a um prêmio de reconhecimento ao meu trabalho, fiquei com um carro à minha disposição, comprei as passagens da minha viagem para ver o show de Paul, revisitei memórias e resgatei muitas alegrias.
Sim, elas acontecem o tempo todo!
Sim, elas acontecem o tempo todo!
7 de novembro de 2010
A morte de Tom e a minha vida
Quando Tom morreu, eu, além de muitíssimo triste, passei dias seguidos bastante assustada. Eu já não estava bem. E a morte dele foi algo que fez o meu sofrimento chegar à exaustão.
Tom era uma das raras pessoas com quem eu conversava abertamente. A gente nunca fez o tipo amigos grudados, mas estivemos presentes na vida um do outro por muitos anos. Entre tantas farras, andanças, histórias, nos esbaldávamos mesmo quando sentávamos só nós dois, na mesa de um bar ou da piscina do prédio onde ele morava, para falar da vida por horas a fio. A gente descobriu muitas coisas nesses papos. A gente encontrava respostas, filosofava junto. Foi assim que, certa feita, quando eu disse a ele que meus verdadeiros amigos não enchiam a contagem de uma mão, ele perguntou se poderia ser o meu dedo mindinho. E eu entendi que ele seria mesmo sempre um dos meus seres humanos preferidos.
Vi fotos dele no show de Los Hermanos, na Concha Acústica, na noite de 18 de outubro. Ele estava contente, sorrindo. Lembrei que a música que embalava nossos encontros era quase sempre a deste quarteto de que ele tanto gostava. Gostar de Los Hermanos era uma das nossas inúmeras afinidades.
No dia anterior, eu havia ido ao mesmo show e saí extasiada. Foi muito lindo. Imagino então que as últimas horas do meu amigo foram muito especiais.
Ao mesmo tempo que isto consola, me causa uma angústia imensa. A de não saber em que momento a vida estará acabando. A falta de controle sobre a morte é a coisa mais óbvia e mais certa: a qualquer momento, podemos não estar mais aqui. E isto me apavora.
Não tenho medo de morrer, especificamente. Tenho medo mesmo é de estar vivendo a vida errado. Tenho uma fixação descontrolada com isso. De desperdiçar, de não estar sendo intensa com tudo. Até porque, mesmo sendo uma pessoa de alma hedonista, tenho uma tendência ao marasmo. E me sinto obrigada a lutar contra ele.
Às vezes, no entanto, eu me perco. Às vezes, quando vejo, estou congelada.
Quando eu fiquei mais de um ano inteiro apenas trabalhando e trabalhando, dormindo quase nada e alheia à maior parte das coisas do mundo, meu irmão disse para eu ter firmeza, porque valeria a pena e logo melhoraria. Decidi que assim seria. Hoje, minha vida é outra, meus compromissos são outros e posso minimamente desfrutar de minhas conquistas. Trabalho com o que gosto: o que é o melhor e porque é só assim que sei fazer.
Preciso agora, no entanto, pensar em novos desafios. Construir mais. Ser menos enrolada com o que desejo e mais decisiva com meu bem-estar. Quero estar tranquila com as finanças, claro, e não precisar virar noites para dar conta de tudo que assumo. Quero uma vida profissional que sirva para me permitir estar bem. Só isso.
Nos últimos tempos, me dei conta de que tinha voltado a ser uma máquina produtiva. Dia e noite, noite e dia, de domingo a domingo, eu dizendo: tenho que trabalhar. É meio sintomático. Porque não há nada em revolução agora. Simplesmente entrei no ritmo, sem prestar atenção no resto. É meu escape. E não tenho sangue de ser assim. Mesmo adorando realizar bons serviços, mesmo sendo dependente da satisfação de ter resultados elogiados, minha prioridade não é fazer fortuna nem ser a profissional do ano.
- Lembra que você me disse que tranquilamente viveria sem trabalhar?
- Lembro!
- Lembra que você me disse que seria uma dondoca com orgulho? Que pra você trabalhar é só o preço que a gente paga pra poder viver?
- Sim...
- Pra que merda você me falou isso, dona Paula?
Foi o que Tom me perguntou na última vez em que o encontrei. E estava pirado porque achava que eu tinha de certa forma validado as irresponsabilidades dele... Não tive outra oportunidade para dizê-lo que infelizmente a loteria é privilégio de poucos e que não há muita escapatória. A não ser se enfiar no mato e vender artesanato. Não era para ele, não é para mim.
Eu sou urbana, gosto de viagem, de sair à noite e de tomar cerveja. Gosto de comida, de ar-condicionado, de banho gostoso, de ir a shows. Gosto de ler, de escrever, gosto de cultura, gosto de contribuir com boas causas. Gosto de internet, de saber das coisas, de aprender e discutir sobre o mundo. Gosto de estar entre pessoas que admiro, gosto demais de admirar pessoas.
Não tenho um olhar poético sobre a natureza e não costumo me encantar com o verde das árvores ou o azul do céu, mas me emociono profundamente com certas coisas da humanidade. Adoro identificar pessoas como minhas e não consigo deixar de prestar atenção no que imagino que sentem e pensam pessoas que não conheço. Às vezes crio histórias para desconhecidos, acho que adivinho suas dores, e fico sentida. Não que eu me interesse pelas pessoas, a priori. Mas me interesso por sentimentos. Também me instigam argumentos e experiências. Procuro explicações para as coisas e muitas vezes me sinto psicóloga. Adoro teorias, mas também só se puder colocá-las em prática.
Minha vida está nos meus amigos, na minha família e no prazer que tenho de reconhecer a minha dignidade. Participar da vida de quem me escolheu e a quem eu escolhi é uma delícia. Não me preocupo com bobagens, não guardo rancores e não me vinculo ao que não quero. Ignoro solenemente o que acho que merece minha indiferença. Acho que não há por que levar tudo a sério. Só me comprometo com o que amo.
Tenho um olhar positivo sobre as coisas, ainda que eu carregue um mau-humor próprio que me deixa ranzinza, às vezes. Digo sim. Quero que tudo seja o melhor que puder ser. Sou do fulminante. Do até não poder mais. Eu sou uma pessoa apaixonada.
Uma vez, Tom me fez concordar, e repito isso sempre, que a gente se apaixona pelo que a gente escolhe. "A gente não se apaixona por quem a gente não se apaixonaria, a não ser que seja de propósito". Apaixonar-se é também permitir-se e estar disposto.
Me faz feliz estar disposta.
É com isso que preciso me sentir vinculada para viver em paz.
Sem medo de ser em vão.
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Minha amiga Rafaela Manzo escreveu um lindo texto para Tom.
Leia aqui.
2 de junho de 2009
Eu tenho uma camiseta escrita eu te amo
Minha história com Wander Wildner começa em São Paulo. Eu estava lá, numa temporada muito proveitosamente solitária de pouco mais de trinta dias, catando experimentar tudo e conhecer gente e zanzar o máximo possível por aquelas ruas cujos cheiro (ainda que poluído) e temperatura tanto me agradam. Era 2006. Clóvis, meu amigo carioca, quis contribuir para o meu processo de socialização e passou ficha completa de Jô: fala com ela, marca com ela!
Precisei respirar fundo para fazer o que me parecia meio ridículo e procurei a menina. Eu tinha o e-mail, o telefone, o orkut, o msn, mas não lembro qual via escolhi para o primeiro contato. Só sei que depois do “oi” a gente ficou se falando por todos os meios para conseguir definir com segurança o quê faríamos juntas – e como seria a logística para que eu não me perdesse no ainda desconhecido mundo paulista.
Então ficou decidido que nos encontraríamos numa estação de metrô onde ela e o (agora ex) namorado estariam me esperando. Eu estava meio tensa com a situação de sair com desconhecidos, não por medo das consequências da velha instrução de não falar com estranhos, mas porque não sou boa nessas coisas de simpatia gratuita, de fingir que tô gostando, fiquei logo maldizendo, pensando no que faria se ela fosse uma chata, se faltasse assunto, se eu quisesse fugir.
Fiquei sentada num banco pensando se desistia ou não enquanto aguardava reconhecer em meio à multidão a menina que ela me descreveu ser. Ela usou um bom macete para ser facilmente identificada. Seguimos para o local do show, eu meio sem saber o que a fez escolher tal programa, mas não estava em condições de impor minhas más vontades.
Wander se apresentaria às 20 horas e a bilheteria seria aberta às 19. Chegamos antes para pegar lugar na fila, ainda que para mim aquilo tudo fosse estranho – chegar antes, horários pontuais, fila para ver Wander Wildner. Minha pequena veia jornalística me fez perguntar a razão de tudo e ela disse sim, o show começa pontualmente, sim, a fila se organiza com antecedência, sim, são poucos ingressos e devem esgotar, não, você não consegue pagar meia se não tiver carteirinha de estudante, como assim esta história de meia é institucionalizada em Salvador?
Quando nos reunimos com o resto da galera, mais um meio mundo de gente animada, seguimos para a fila e não contive a surpresa: nossa!, e não é que tem mesmo gente que quer ver esse cara! Comentário infeliz, estava rodeada de fãs, um deles se identificou e pediu respeito, o que é, menina?, Wander Wildner é rei. Ficou ofendido e balançando a cabeça, nitidamente indignado com minha ignorância.
Eu e minha turma de desconhecidos arrumamos um bom lugar na plateia porque entramos cedo. Nunca que eles correriam o risco de ficar longe da majestade. E eu cada vez mais chocada ao ver o lugar ser lotado com legítimos admiradores que eu não imaginava existirem.
Quem abriu a noite foi Juninho Bill. Yes, Juninho Bill, do Trem da Alegria, uma das minhas fulminantes paixões platônicas infantis, à frente de uma banda de rock cujo nome não gravei e que, como podem ver, não vingou. Não sei dizer se era boa ou ruim, se gostei ou não, porque eu só conseguia reparar no Juninho Bill crescido, reconhecendo nele os gestos, danças e traços do ídolo a quem assisti fazer bagunça no Chacrinha.
Eis que chega a hora de Wander. A despeito de todo traje surrealista que destaca a esquisitice de sua figura, ele veio tranquilão, estilo tô em casa, sem pose nem sinal de que eu pudesse estar certa – porque pensei que ele se surpreenderia com a atitude da moçada delirante, fiquei certa esperando a cara atônita dele diante daquilo, mas não flagrei nele nenhum vestígio de que fosse uma resposta fora de padrão.
Daí para frente, as minhas surpresas foram sucessivas: o povo em êxtase, o coro geral, a banda de coroas, a naturalidade, a baixista de botas surradas e cabelos lindamente curtinhos que cantarolava as letras escrachadas com simpatia e dançava de um jeito que eu involuntariamente passei a imitar. Quando dei por mim, eu estava sacolejando animada e me divertindo de modo incomum para quando me deparo com a apresentação musical de um artista que desconheço. Adorei.
De volta a Salvador, meu computador foi presenteado com parte da discografia do rei do rock brega, se é que isso existe e se cabe eu chamar assim.
No dia 9 de dezembro de 2007, Wander Wildner tocou no Festival BoomBahia e eu fui, animadíssima, disposta a fazer fila com antecedência, revê-lo. Fui na raça, porque estava na ressaca do dia anterior, mas me mantive firme e forte. Desta vez, além de Georgia Branco no baixo, tinha também outra dona moça na banda, a baterista Pitchu.
Na hora do show, subi num troço lá para ter visão privilegiada e espaço para exercer meus ímpetos cafonas incentivados. Num dado momento, durante uma balada facada-no-rim, bailei meu balé impecável, na ponta dos pés, no movimento de braços e mãos. Numa manobra da dança, virei para trás e vi uma criatura me olhando com cara de “que porra é essa?”. No susto envergonhado, saltei do meu posto e saí correndo em busca de comprar uma cerveja. Quando retornei, para meu vexame completo, estavam a tal testemunha e Rafaela, minha acompanhante naquele dia e em tantos outros, batendo papo. Nos instantes em que estive ausente, se conheceram não sei ao certo como, e Rafaela já estava apta a nos apresentar: Paula, este é Lubisco; Lubisco, esta é Paula. Houve algum comentário sobre minha bela dança e tratei de me afastar.
Wander Wildner voltou em abril de 2008, tocou no Pátio do Icba, e fui levar Minha Noiva para conhecê-lo, insisti que foram feitos um para o outro. Rir pouco é bobagem. Fantástico. Fantástico.
Sábado passado, eu estava andando em Dinha com Lubisco, que agora é meu-meu-meu, e me deparo com o cartaz:
- Baaaaaaaaaby, vai ter Wander Wildner! Vamo, vamo, vamo!

10 de junho, quarta, 23 horas (véspera de feriado)
Na Boomerangue
Wander Wildner - acompanhado por Ricardo Cury e Tiago Aziz!
+ Os Irmãos da Bailarina + Dj Cassicas
R$ 15
Precisei respirar fundo para fazer o que me parecia meio ridículo e procurei a menina. Eu tinha o e-mail, o telefone, o orkut, o msn, mas não lembro qual via escolhi para o primeiro contato. Só sei que depois do “oi” a gente ficou se falando por todos os meios para conseguir definir com segurança o quê faríamos juntas – e como seria a logística para que eu não me perdesse no ainda desconhecido mundo paulista.
Então ficou decidido que nos encontraríamos numa estação de metrô onde ela e o (agora ex) namorado estariam me esperando. Eu estava meio tensa com a situação de sair com desconhecidos, não por medo das consequências da velha instrução de não falar com estranhos, mas porque não sou boa nessas coisas de simpatia gratuita, de fingir que tô gostando, fiquei logo maldizendo, pensando no que faria se ela fosse uma chata, se faltasse assunto, se eu quisesse fugir.
Fiquei sentada num banco pensando se desistia ou não enquanto aguardava reconhecer em meio à multidão a menina que ela me descreveu ser. Ela usou um bom macete para ser facilmente identificada. Seguimos para o local do show, eu meio sem saber o que a fez escolher tal programa, mas não estava em condições de impor minhas más vontades.
Wander se apresentaria às 20 horas e a bilheteria seria aberta às 19. Chegamos antes para pegar lugar na fila, ainda que para mim aquilo tudo fosse estranho – chegar antes, horários pontuais, fila para ver Wander Wildner. Minha pequena veia jornalística me fez perguntar a razão de tudo e ela disse sim, o show começa pontualmente, sim, a fila se organiza com antecedência, sim, são poucos ingressos e devem esgotar, não, você não consegue pagar meia se não tiver carteirinha de estudante, como assim esta história de meia é institucionalizada em Salvador?
Quando nos reunimos com o resto da galera, mais um meio mundo de gente animada, seguimos para a fila e não contive a surpresa: nossa!, e não é que tem mesmo gente que quer ver esse cara! Comentário infeliz, estava rodeada de fãs, um deles se identificou e pediu respeito, o que é, menina?, Wander Wildner é rei. Ficou ofendido e balançando a cabeça, nitidamente indignado com minha ignorância.
Eu e minha turma de desconhecidos arrumamos um bom lugar na plateia porque entramos cedo. Nunca que eles correriam o risco de ficar longe da majestade. E eu cada vez mais chocada ao ver o lugar ser lotado com legítimos admiradores que eu não imaginava existirem.
Quem abriu a noite foi Juninho Bill. Yes, Juninho Bill, do Trem da Alegria, uma das minhas fulminantes paixões platônicas infantis, à frente de uma banda de rock cujo nome não gravei e que, como podem ver, não vingou. Não sei dizer se era boa ou ruim, se gostei ou não, porque eu só conseguia reparar no Juninho Bill crescido, reconhecendo nele os gestos, danças e traços do ídolo a quem assisti fazer bagunça no Chacrinha.
Eis que chega a hora de Wander. A despeito de todo traje surrealista que destaca a esquisitice de sua figura, ele veio tranquilão, estilo tô em casa, sem pose nem sinal de que eu pudesse estar certa – porque pensei que ele se surpreenderia com a atitude da moçada delirante, fiquei certa esperando a cara atônita dele diante daquilo, mas não flagrei nele nenhum vestígio de que fosse uma resposta fora de padrão.
Daí para frente, as minhas surpresas foram sucessivas: o povo em êxtase, o coro geral, a banda de coroas, a naturalidade, a baixista de botas surradas e cabelos lindamente curtinhos que cantarolava as letras escrachadas com simpatia e dançava de um jeito que eu involuntariamente passei a imitar. Quando dei por mim, eu estava sacolejando animada e me divertindo de modo incomum para quando me deparo com a apresentação musical de um artista que desconheço. Adorei.
De volta a Salvador, meu computador foi presenteado com parte da discografia do rei do rock brega, se é que isso existe e se cabe eu chamar assim.
No dia 9 de dezembro de 2007, Wander Wildner tocou no Festival BoomBahia e eu fui, animadíssima, disposta a fazer fila com antecedência, revê-lo. Fui na raça, porque estava na ressaca do dia anterior, mas me mantive firme e forte. Desta vez, além de Georgia Branco no baixo, tinha também outra dona moça na banda, a baterista Pitchu.
Na hora do show, subi num troço lá para ter visão privilegiada e espaço para exercer meus ímpetos cafonas incentivados. Num dado momento, durante uma balada facada-no-rim, bailei meu balé impecável, na ponta dos pés, no movimento de braços e mãos. Numa manobra da dança, virei para trás e vi uma criatura me olhando com cara de “que porra é essa?”. No susto envergonhado, saltei do meu posto e saí correndo em busca de comprar uma cerveja. Quando retornei, para meu vexame completo, estavam a tal testemunha e Rafaela, minha acompanhante naquele dia e em tantos outros, batendo papo. Nos instantes em que estive ausente, se conheceram não sei ao certo como, e Rafaela já estava apta a nos apresentar: Paula, este é Lubisco; Lubisco, esta é Paula. Houve algum comentário sobre minha bela dança e tratei de me afastar.
Wander Wildner voltou em abril de 2008, tocou no Pátio do Icba, e fui levar Minha Noiva para conhecê-lo, insisti que foram feitos um para o outro. Rir pouco é bobagem. Fantástico. Fantástico.
Sábado passado, eu estava andando em Dinha com Lubisco, que agora é meu-meu-meu, e me deparo com o cartaz:
- Baaaaaaaaaby, vai ter Wander Wildner! Vamo, vamo, vamo!

10 de junho, quarta, 23 horas (véspera de feriado)
Na Boomerangue
Wander Wildner - acompanhado por Ricardo Cury e Tiago Aziz!
+ Os Irmãos da Bailarina + Dj Cassicas
R$ 15
9 de maio de 2008
A história de uma semente e seu terreno
- Buja, vai sair daí que horas?
- Umas seis e meia.
- Vamos no shopping comigo?
- Vamos.
Ele sempre vai. Ele nunca me deixa só.
Mesmo que seja para me assistir dançar pelos corredores, repetir as mesmas falas, experimentar todos os óculos da loja, babar em frente às vitrines de lojas de sapato.
Não, ele nunca me deixa só.
------------------------------------------
Julia é minha amiga desde que eu tinha uns 12, 13 anos. Passei a adolescência mais na casa dela do que na minha, daquele jeito que você se sente parte da família, abre a geladeira, chega sem avisar, fica sem ninguém estar, participa dos almoços especiais, tem presente na árvore de Natal.
Julia tem dois irmãos - Tiago e Babal - que me serviram na vida como primos próximos: o mais novo era o pirralho que a gente perturbava, o mais velho era o instrutor-chefe das estripulias, sem deixar de me dar ordens e conselhos "de quem tem mais experiência".
Julia também tem um primo, Flavinho, que, por coisas da vida, foi morar com os tios e virou filho da casa. O mais velho de todos, sério feito a porra, nunca me dava ousadia. Acho até que eu tinha um pouco de medinho dele - olha, lá vem Flavinho!
A gente convivia muito.
E, por tudo, por um monte de histórias que cabem nestes anos todos, sempre apresento Julia como minha irmã.
------------------------------------------
Flavinho entrou na faculdade. Todo sério, ainda, todo de lá de longe. Aí Flavinho me arranja um amigo, colega universitário, que dá de se enfiar na nossa rotina. Estou eu lá, de perna pra cima, na sala, vendo televisão, passa o gordo cabeludo. "Bom dia", "boa tarde", "boa noite" – e olhe lá, porque o rabugento aproveitava momentos de maior movimento para que o não-cumprimentar passasse despercebido. O povo reunido, as festinhas, a gente lá, cada um de um lado.
Então, um dia, Julia resolve promover encontro de galeras dos irmãos todos e fomos a um boteco no Stiep, cantar em videokê: a novidade do momento. Meu então namorado achou péssima a idéia de eu sair com os amiguinhos de Tiago, de Babal, de Flavinho. Lembro de passar a noite fazendo discurso, que homem não sabe valorizar confiança, que homem não sabe respeitar o espaço individual, que homem não sabe incentivar a segurança de uma relação, que isso, que aquilo, que era essa porra mesmo, que comigo não! Eu tinha 16 anos. Santa ingenuidade.
Cantei uma música de Djavan.
Depois, cantaram uma música de Elis.
- Acho um absurdo cantarem Elis num videokê.
- É, por quê?
- Porque só pode se aventurar nessa alguém que tenha uma voz minimamente capaz de cumprir o desafio. Olhe o que esta mulher está fazendo! É crime!
- E você, que foi lá pra cantar Djavan? Quem é você pra falar? Acha que fez bonito?
Foi nosso primeiro diálogo. Previa que também fosse o último. "Acho que este Rabuja não gosta de mim."
------------------------------------------
Lá vou eu pro bar. Fui encontrar uma galera e, na mesa ao lado, está o marido de Julia (sim, Julia agora é uma mulher casada, e eu sou madrinha e as porra, claro), acompanhado de Babal, Flavinho e o tal Rabuja. Sou intimada: fica um pouco aí, mas vem sentar com a gente depois. Atendi ao pedido e puxei uma cadeira. Aí choveu. Aí tivemos de trocar de mesa. E, vai saber por quê, o povo se arranjou de modo que me obrigou a sentar ao lado do gordo cabeludo. Depois de dez anos de oi's e um único diálogo desastroso, estávamos ali, fadados a uma conversa. Encaramos: começamos. Tem quase dois anos que isto aconteceu e o papo ainda não acabou.
[Angelo, Buja (ainda cabeludo) e eu (de cabelo curtinho), na nossa primeira foto oficialmente-amigos, em setembro de 2006, no chá de cozinha de Julia.]
P.S.1: Julia morre de ciúme, "Paula só quer saber de Rabuja, Rabuja só quer saber de Paula".
P.S.2: Flavinho continua muito sério. Um cara do caralho.
P.S.3: Terreno, te amo [em absoluto].
- Umas seis e meia.
- Vamos no shopping comigo?
- Vamos.
Ele sempre vai. Ele nunca me deixa só.
Mesmo que seja para me assistir dançar pelos corredores, repetir as mesmas falas, experimentar todos os óculos da loja, babar em frente às vitrines de lojas de sapato.
Não, ele nunca me deixa só.
------------------------------------------
Julia é minha amiga desde que eu tinha uns 12, 13 anos. Passei a adolescência mais na casa dela do que na minha, daquele jeito que você se sente parte da família, abre a geladeira, chega sem avisar, fica sem ninguém estar, participa dos almoços especiais, tem presente na árvore de Natal.
Julia tem dois irmãos - Tiago e Babal - que me serviram na vida como primos próximos: o mais novo era o pirralho que a gente perturbava, o mais velho era o instrutor-chefe das estripulias, sem deixar de me dar ordens e conselhos "de quem tem mais experiência".
Julia também tem um primo, Flavinho, que, por coisas da vida, foi morar com os tios e virou filho da casa. O mais velho de todos, sério feito a porra, nunca me dava ousadia. Acho até que eu tinha um pouco de medinho dele - olha, lá vem Flavinho!
A gente convivia muito.
E, por tudo, por um monte de histórias que cabem nestes anos todos, sempre apresento Julia como minha irmã.
------------------------------------------
Flavinho entrou na faculdade. Todo sério, ainda, todo de lá de longe. Aí Flavinho me arranja um amigo, colega universitário, que dá de se enfiar na nossa rotina. Estou eu lá, de perna pra cima, na sala, vendo televisão, passa o gordo cabeludo. "Bom dia", "boa tarde", "boa noite" – e olhe lá, porque o rabugento aproveitava momentos de maior movimento para que o não-cumprimentar passasse despercebido. O povo reunido, as festinhas, a gente lá, cada um de um lado.
Então, um dia, Julia resolve promover encontro de galeras dos irmãos todos e fomos a um boteco no Stiep, cantar em videokê: a novidade do momento. Meu então namorado achou péssima a idéia de eu sair com os amiguinhos de Tiago, de Babal, de Flavinho. Lembro de passar a noite fazendo discurso, que homem não sabe valorizar confiança, que homem não sabe respeitar o espaço individual, que homem não sabe incentivar a segurança de uma relação, que isso, que aquilo, que era essa porra mesmo, que comigo não! Eu tinha 16 anos. Santa ingenuidade.
Cantei uma música de Djavan.
Depois, cantaram uma música de Elis.
- Acho um absurdo cantarem Elis num videokê.
- É, por quê?
- Porque só pode se aventurar nessa alguém que tenha uma voz minimamente capaz de cumprir o desafio. Olhe o que esta mulher está fazendo! É crime!
- E você, que foi lá pra cantar Djavan? Quem é você pra falar? Acha que fez bonito?
Foi nosso primeiro diálogo. Previa que também fosse o último. "Acho que este Rabuja não gosta de mim."
------------------------------------------
Lá vou eu pro bar. Fui encontrar uma galera e, na mesa ao lado, está o marido de Julia (sim, Julia agora é uma mulher casada, e eu sou madrinha e as porra, claro), acompanhado de Babal, Flavinho e o tal Rabuja. Sou intimada: fica um pouco aí, mas vem sentar com a gente depois. Atendi ao pedido e puxei uma cadeira. Aí choveu. Aí tivemos de trocar de mesa. E, vai saber por quê, o povo se arranjou de modo que me obrigou a sentar ao lado do gordo cabeludo. Depois de dez anos de oi's e um único diálogo desastroso, estávamos ali, fadados a uma conversa. Encaramos: começamos. Tem quase dois anos que isto aconteceu e o papo ainda não acabou.
[Angelo, Buja (ainda cabeludo) e eu (de cabelo curtinho), na nossa primeira foto oficialmente-amigos, em setembro de 2006, no chá de cozinha de Julia.]P.S.1: Julia morre de ciúme, "Paula só quer saber de Rabuja, Rabuja só quer saber de Paula".
P.S.2: Flavinho continua muito sério. Um cara do caralho.
P.S.3: Terreno, te amo [em absoluto].
7 de janeiro de 2008
Repentistas
Esta mereceu sair das páginas do fotolog e vir pro blog.
A bela e a fera
Era sexta-feira à noite, nada interessante pra fazer,
Talvez assistir Globo Repórter Especial na TV.
Dei (lá ele) uma olhada no jornal atrás de novidade,
Algo de novo acontecendo pela cidade.
Mas a impressão é que nada acontecia
Justamente em Salvador, a cidade da magia.
Ok, exagero meu. Se quisesse na jaca meter o pé,
Podia pagar pra ver o show do Parangolé.
Shows desse tipo, entretanto, não vou amiúde
Pois acredito que fazem muito mal a saúde.
Permaneci pensando, então – eterna labuta –
Quase sucumbindo a um tédio filho da ....
Estava disposto a pegar a moto, até ir tomar um vinho
Só pra não ficar em casa me deprimindo sozinho.
Foi quando tocou o telefone e era o meu amigo Xandão
Convidando-me pra aparecer no Balcão.
Justamente onde tinha passado meu reveillon,
A BANDA DE ROCK estaria fazendo um som!
Saltei da poltrona, não contei conversa
E me arrumei em poucos minutos com muita pressa
Pois, incrivelmente, no momento atual
Ainda existe uma banda relativamente pontual,
E também eu já estava certo que o meu dia
Necessitava ao menos uma boa melodia
Para que eu fosse, sei lá quando, dormir em paz
Pois axé, pagode e arrocha eu não agüento mais.
Na mesma mesa: Renaty, Nanda e Xandão...
Uma overdose de amigos pra esse velho coração!
Eu estava emocionado, bobo que sou,
Com as pessoas que amo além do bom e velho rock n roll!
E naquela noite, ainda sentado à mesa
Fiquei feliz com a grata surpresa
De que a melhor banda de rock do mundo (há quem jure!!!)
Teria o retorno de Ricardo Cury.
Foi quando vi chegar, entre todas, a maior Cascadurete:
Ninguém mais ninguém menos que Paula Berbert!
Educadamente falou com todos e sentou ao nosso lado
Chamou o garçon e pediu logo um destilado!
Um drink aqui, outro acolá
E eu pensando: quero ver onde isso vai dar!
De repente, levantou-se como se fosse sair
Mas que nada! Sem qualquer medo de cair
Num rompante, sem eira nem beira,
Suspendeu o vestido e pulou pra cima da cadeira!
Alheia aos amigos que permaneciam se preocupando,
Paula, com passinhos seguros e leves seguia dançando.
Dois rapazes espertos, nada trouxas,
Ficaram boquiabertos com o par de coxas
Aparecendo por baixo daquele vestido
Que com uns 50cm a mais tornar-se-ia apenas semi-comprido!
O mais interessado de todos no ocorrido, entretanto,
Estava ali, sentadinho ao lado, bem no canto
Aproveitando, de forma sucinta e apropriada o grato ensejo
Para expressar, em nome de todos os homens, por Paulinha, desejo!
Vocês, leitores, não acham que diante da deusa, nosso querido Xandão
Mais se assemelha com um fofíssimo cachorro pidão!?

Retribuição!
Era sexta-feira à noite, eu do outro lado da cidade
Doida para ir ao Rio Vermelho matar a saudade
Minha Primoca estaria lá com os amigos
Entre eles o cara que “eu já gosto”, o tal do Lubisco
Cheguei feliz e contente e me aproximei
E uma singela dose de vodka eu solicitei
Uma apenas, umazinha só
Só para aquecer e a festa ficar melhor
E no impulso natural que no meu sangue corre
Levantei-me para dançar – nada a ver com porre!
Querendo manter a honra e a tradição
Subi na cadeira, com meu copo na mão
Apenas uma cena ingênua, como podem notar
Passinhos de danças, risos e poses pra fotografar
O vestido era curto, mas nem era esse exagero!
Estava tudo bem coberto, nao me deixe em desespero
O bom comportamento reinou com maestria
Nada que não fosse simples expressão de alegria!
Xandão, bom ator, criou a cena ao meu lado
Para virar foto engraçadinha, tudo bem montado.
Agora abro a internet e me deparo com a surpresa
Depois da gargalhada, retribuo a gentileza
Cheguei a pensar se me sentia homenageada,
Se morria de vergonha ou se ficava aqui chocada
Mas, na real, caretice não é comigo não
E eu vejo tudo isso com enorme emoção!
Agora que consegui parar de chorar de rir
Venho cheia de orgulho registrar aqui:
Eu sou mesmo uma pessoa muito privilegiada
Por ter ao meu redor tanta gente inspirada
Obrigada pela homenagem, Lubisco e Primoca queridos
Obrigada tambem a Xandão, assistente preferido
Me despeço feliz e emocionada, me sentindo A famosa
Na torcida de que venham muito mais noites deliciosas!
Retribuição da retribuição
Ora, ora quem diria!
Disso realmente não sabia!
Além da perna atlética
Paula tem uma veia poética!
Mostrou-se muito hábil
Com rima fluida, divertida e ágil.
Porém, tão ruim como sentir fome
É conseguir rima para o meu nome.
Humildemente, Paulinha, estendo a mão
E deixo aqui uma pequena lição:
Não fazia sol, caía um leve chuvisco.
E um amigo meu, que rompera o menisco
Ficava em casa fazendo rabisco
Vendo televisão e comento petisco.
De comer tudo e tanto, menos marisco,
- Sempre refogado com tempero Arisco -
Ficou grande como um obelisco.
Brincadeiras à parte,
Aproveitemos esse pé na arte!
Que se divulgue no A Tarde, Istoé e Veja
O nascimento de uma dupla nada sertaneja
Pronta pra, sem modéstia alguma, dar aula.
Abram alas, senhoras e senhores, a Lubisco & Paula.
A bela e a fera
Era sexta-feira à noite, nada interessante pra fazer,
Talvez assistir Globo Repórter Especial na TV.
Dei (lá ele) uma olhada no jornal atrás de novidade,
Algo de novo acontecendo pela cidade.
Mas a impressão é que nada acontecia
Justamente em Salvador, a cidade da magia.
Ok, exagero meu. Se quisesse na jaca meter o pé,
Podia pagar pra ver o show do Parangolé.
Shows desse tipo, entretanto, não vou amiúde
Pois acredito que fazem muito mal a saúde.
Permaneci pensando, então – eterna labuta –
Quase sucumbindo a um tédio filho da ....
Estava disposto a pegar a moto, até ir tomar um vinho
Só pra não ficar em casa me deprimindo sozinho.
Foi quando tocou o telefone e era o meu amigo Xandão
Convidando-me pra aparecer no Balcão.
Justamente onde tinha passado meu reveillon,
A BANDA DE ROCK estaria fazendo um som!
Saltei da poltrona, não contei conversa
E me arrumei em poucos minutos com muita pressa
Pois, incrivelmente, no momento atual
Ainda existe uma banda relativamente pontual,
E também eu já estava certo que o meu dia
Necessitava ao menos uma boa melodia
Para que eu fosse, sei lá quando, dormir em paz
Pois axé, pagode e arrocha eu não agüento mais.
Na mesma mesa: Renaty, Nanda e Xandão...
Uma overdose de amigos pra esse velho coração!
Eu estava emocionado, bobo que sou,
Com as pessoas que amo além do bom e velho rock n roll!
E naquela noite, ainda sentado à mesa
Fiquei feliz com a grata surpresa
De que a melhor banda de rock do mundo (há quem jure!!!)
Teria o retorno de Ricardo Cury.
Foi quando vi chegar, entre todas, a maior Cascadurete:
Ninguém mais ninguém menos que Paula Berbert!
Educadamente falou com todos e sentou ao nosso lado
Chamou o garçon e pediu logo um destilado!
Um drink aqui, outro acolá
E eu pensando: quero ver onde isso vai dar!
De repente, levantou-se como se fosse sair
Mas que nada! Sem qualquer medo de cair
Num rompante, sem eira nem beira,
Suspendeu o vestido e pulou pra cima da cadeira!
Alheia aos amigos que permaneciam se preocupando,
Paula, com passinhos seguros e leves seguia dançando.
Dois rapazes espertos, nada trouxas,
Ficaram boquiabertos com o par de coxas
Aparecendo por baixo daquele vestido
Que com uns 50cm a mais tornar-se-ia apenas semi-comprido!
O mais interessado de todos no ocorrido, entretanto,
Estava ali, sentadinho ao lado, bem no canto
Aproveitando, de forma sucinta e apropriada o grato ensejo
Para expressar, em nome de todos os homens, por Paulinha, desejo!
Vocês, leitores, não acham que diante da deusa, nosso querido Xandão
Mais se assemelha com um fofíssimo cachorro pidão!?
Retribuição!
Era sexta-feira à noite, eu do outro lado da cidade
Doida para ir ao Rio Vermelho matar a saudade
Minha Primoca estaria lá com os amigos
Entre eles o cara que “eu já gosto”, o tal do Lubisco
Cheguei feliz e contente e me aproximei
E uma singela dose de vodka eu solicitei
Uma apenas, umazinha só
Só para aquecer e a festa ficar melhor
E no impulso natural que no meu sangue corre
Levantei-me para dançar – nada a ver com porre!
Querendo manter a honra e a tradição
Subi na cadeira, com meu copo na mão
Apenas uma cena ingênua, como podem notar
Passinhos de danças, risos e poses pra fotografar
O vestido era curto, mas nem era esse exagero!
Estava tudo bem coberto, nao me deixe em desespero
O bom comportamento reinou com maestria
Nada que não fosse simples expressão de alegria!
Xandão, bom ator, criou a cena ao meu lado
Para virar foto engraçadinha, tudo bem montado.
Agora abro a internet e me deparo com a surpresa
Depois da gargalhada, retribuo a gentileza
Cheguei a pensar se me sentia homenageada,
Se morria de vergonha ou se ficava aqui chocada
Mas, na real, caretice não é comigo não
E eu vejo tudo isso com enorme emoção!
Agora que consegui parar de chorar de rir
Venho cheia de orgulho registrar aqui:
Eu sou mesmo uma pessoa muito privilegiada
Por ter ao meu redor tanta gente inspirada
Obrigada pela homenagem, Lubisco e Primoca queridos
Obrigada tambem a Xandão, assistente preferido
Me despeço feliz e emocionada, me sentindo A famosa
Na torcida de que venham muito mais noites deliciosas!
Retribuição da retribuição
Ora, ora quem diria!
Disso realmente não sabia!
Além da perna atlética
Paula tem uma veia poética!
Mostrou-se muito hábil
Com rima fluida, divertida e ágil.
Porém, tão ruim como sentir fome
É conseguir rima para o meu nome.
Humildemente, Paulinha, estendo a mão
E deixo aqui uma pequena lição:
Não fazia sol, caía um leve chuvisco.
E um amigo meu, que rompera o menisco
Ficava em casa fazendo rabisco
Vendo televisão e comento petisco.
De comer tudo e tanto, menos marisco,
- Sempre refogado com tempero Arisco -
Ficou grande como um obelisco.
Brincadeiras à parte,
Aproveitemos esse pé na arte!
Que se divulgue no A Tarde, Istoé e Veja
O nascimento de uma dupla nada sertaneja
Pronta pra, sem modéstia alguma, dar aula.
Abram alas, senhoras e senhores, a Lubisco & Paula.
28 de dezembro de 2007
Eu amo muito minha vida
Depois me perguntam porque eu repito todo dia o quanto sou uma mulher de sorte.
Manolo diz:
viva a vodka
Paula diz:
viva!
Manolo diz:
love ya
Manolo diz:
muito louco a gente sentir um amor tamanho a ponto de ter que verbalizar [ou digitar] de tempos em tempos
Manolo diz:
quero vc pra vida inteira
Manolo diz:
te amar
Manolo diz:
te proteger
Manolo diz:
te compartilhar
Manolo diz:
te rir
Paula diz:
meu deus
Paula diz:
mega me deu uma alegria aqui no peito
Paula diz:
esquentou e tudo
Paula diz:
muito muito recíproco
Paula diz:
quero tudo isso e mais
Paula diz:
e amo saber que te tenho aqui
Paula diz:
ai
Paula diz:
que delícia
Paula diz:
AMO VOCÊ
Paula diz:
Ê!!!!
Manolo diz:
ADORO TEU ''Ê''
Paula diz:
êêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêê!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Manolo diz:
vou fazer um mantra agora
Manolo diz:
só entro em Londres
Manolo diz:
quando vc for ao meu lado
Paula diz:
adorei
Paula diz:
pronto
Paula diz:
vamos juntos
Paula diz:
nós dois
Paula diz:
a Londres
Paula diz:
caralho
Paula diz:
fechou
Manolo diz:
pois já é
Paula diz:
obrigada
Paula diz:
por existir em minha vida
Manolo diz:
vai ser um agradecimento especial na virada
Manolo diz:
por ter-te mais em 2007
Manolo diz:
sabendo de ter-te mais e mais em 2008
Manolo diz:
2009
Manolo diz:
2010...
Manolo diz:
...
Paula diz:
vou dedicar um obrigada especial a isso, sem dúvidas
Manolo diz:
tenho certeza que este ano vou chorar
Manolo diz:
na virada
Paula diz:
eu choro sempre
Manolo diz:
aliás
Manolo diz:
posso dizer
Manolo diz:
sem muito medo de errar
Manolo diz:
vc é o meu presente de 2007
Paula diz:
vc
Paula diz:
não
Paula diz:
tem
Paula diz:
noção
Paula diz:
de
Paula diz:
como
Paula diz:
me
Paula diz:
sinto
Paula diz:
socorro
Paula diz:
vou explodir aqui e já volto
Manolo diz:
VC QUER UM HOMEM PRA VIDA INTEIRA?
Paula diz:
depende do homem e depende pra quê
Manolo diz:
SIM OU NÃO?
Manolo diz:
QUER UM HOMEM PRA VIDA INTEIRA?
Paula diz:
quero
Manolo diz:
VOCÊ TEM
Manolo diz:
CINCO AO MENOS
Manolo diz:
PAI
Manolo diz:
IRMÃO
Manolo diz:
TUCA
Manolo diz:
ANGELO
Manolo diz:
MANOLO
Paula diz:
nossa
Paula diz:
nem tem noção do meu sorrisão aqui
Manolo diz:
E OUTROS QUE SEI QUE VC TEM
Manolo diz:
NÃO QUE EU QUEIRA ME COLOCAR NA QUINTA POSIÇÃO
Manolo diz:
APENAS CITEI OS QUE TENHO CERTEZA QUE TE SÃO PRA VIDA INTEIRA
Manolo diz:
E RABUJA, SORRY
Paula diz:
não existem muitos mais, mas estes são suficientes
Paula diz:
e valem cada gotinha do amor que sinto por eles
Manolo diz:
SUA PERVERTIDA
Manolo diz:
MULHER DE 6 HOMENS
Paula diz:
hahahaha
Paula diz:
iuhuuuuuuu
Paula diz:
e olha
Paula diz:
lembre que tenho dois irmãos
Paula diz:
mais um na lista
Manolo diz:
AH TAH
Manolo diz:
SORRY AGAIN
Paula diz:
ai, meu deus, eu amo minha vida
Manolo diz:
A CASA DOS SETE HOMENS
Paula diz:
minha minissérie
Manolo diz:
VC PULSA
Manolo diz:
VC VIBRA
Paula diz:
e vou ficar metida a besta
Manolo diz:
UHAUHAUHAUHUAHUHAUHA
Manolo diz:
FICA MESMO
Manolo diz:
TEM TODO DIREITO
Manolo diz:
SUA BOBOCA
Manolo diz:
BESTONA
Manolo diz:
viva a vodka
Paula diz:
viva!
Manolo diz:
love ya
Manolo diz:
muito louco a gente sentir um amor tamanho a ponto de ter que verbalizar [ou digitar] de tempos em tempos
Manolo diz:
quero vc pra vida inteira
Manolo diz:
te amar
Manolo diz:
te proteger
Manolo diz:
te compartilhar
Manolo diz:
te rir
Paula diz:
meu deus
Paula diz:
mega me deu uma alegria aqui no peito
Paula diz:
esquentou e tudo
Paula diz:
muito muito recíproco
Paula diz:
quero tudo isso e mais
Paula diz:
e amo saber que te tenho aqui
Paula diz:
ai
Paula diz:
que delícia
Paula diz:
AMO VOCÊ
Paula diz:
Ê!!!!
Manolo diz:
ADORO TEU ''Ê''
Paula diz:
êêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêê!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Manolo diz:
vou fazer um mantra agora
Manolo diz:
só entro em Londres
Manolo diz:
quando vc for ao meu lado
Paula diz:
adorei
Paula diz:
pronto
Paula diz:
vamos juntos
Paula diz:
nós dois
Paula diz:
a Londres
Paula diz:
caralho
Paula diz:
fechou
Manolo diz:
pois já é
Paula diz:
obrigada
Paula diz:
por existir em minha vida
Manolo diz:
vai ser um agradecimento especial na virada
Manolo diz:
por ter-te mais em 2007
Manolo diz:
sabendo de ter-te mais e mais em 2008
Manolo diz:
2009
Manolo diz:
2010...
Manolo diz:
...
Paula diz:
vou dedicar um obrigada especial a isso, sem dúvidas
Manolo diz:
tenho certeza que este ano vou chorar
Manolo diz:
na virada
Paula diz:
eu choro sempre
Manolo diz:
aliás
Manolo diz:
posso dizer
Manolo diz:
sem muito medo de errar
Manolo diz:
vc é o meu presente de 2007
Paula diz:
vc
Paula diz:
não
Paula diz:
tem
Paula diz:
noção
Paula diz:
de
Paula diz:
como
Paula diz:
me
Paula diz:
sinto
Paula diz:
socorro
Paula diz:
vou explodir aqui e já volto
Manolo diz:
VC QUER UM HOMEM PRA VIDA INTEIRA?
Paula diz:
depende do homem e depende pra quê
Manolo diz:
SIM OU NÃO?
Manolo diz:
QUER UM HOMEM PRA VIDA INTEIRA?
Paula diz:
quero
Manolo diz:
VOCÊ TEM
Manolo diz:
CINCO AO MENOS
Manolo diz:
PAI
Manolo diz:
IRMÃO
Manolo diz:
TUCA
Manolo diz:
ANGELO
Manolo diz:
MANOLO
Paula diz:
nossa
Paula diz:
nem tem noção do meu sorrisão aqui
Manolo diz:
E OUTROS QUE SEI QUE VC TEM
Manolo diz:
NÃO QUE EU QUEIRA ME COLOCAR NA QUINTA POSIÇÃO
Manolo diz:
APENAS CITEI OS QUE TENHO CERTEZA QUE TE SÃO PRA VIDA INTEIRA
Manolo diz:
E RABUJA, SORRY
Paula diz:
não existem muitos mais, mas estes são suficientes
Paula diz:
e valem cada gotinha do amor que sinto por eles
Manolo diz:
SUA PERVERTIDA
Manolo diz:
MULHER DE 6 HOMENS
Paula diz:
hahahaha
Paula diz:
iuhuuuuuuu
Paula diz:
e olha
Paula diz:
lembre que tenho dois irmãos
Paula diz:
mais um na lista
Manolo diz:
AH TAH
Manolo diz:
SORRY AGAIN
Paula diz:
ai, meu deus, eu amo minha vida
Manolo diz:
A CASA DOS SETE HOMENS
Paula diz:
minha minissérie
Manolo diz:
VC PULSA
Manolo diz:
VC VIBRA
Paula diz:
e vou ficar metida a besta
Manolo diz:
UHAUHAUHAUHUAHUHAUHA
Manolo diz:
FICA MESMO
Manolo diz:
TEM TODO DIREITO
Manolo diz:
SUA BOBOCA
Manolo diz:
BESTONA
16 de dezembro de 2007
Quando eu crescer...
Eu juro que não sei se sinto raiva, despeito e inveja ou se me sinto agradecida, poupada e satisfeita, mas o fato é que vira e mexe eu me vejo instigada a falar sobre algum assunto, e então lembro que Alex já o fez, e certamente fez melhor do que eu faria. O que me conforta é que ele é mais velho, está temporalmente à minha frente, então eu aceito que ele tenha descoberto tudo antes de mim.
Estava eu outro dia conversando com Rabuja sobre arrogância e pretensão, e me sinto sempre meio ridícula quando me vejo repetindo literalmente as palavras de Alex. Minha única saída é assumir o título de Alexete que me conferiram. Fazer o quê? Ah, vá lá, não sou uma imitona qualquer, ele apenas me libera da tarefa de construir argumentos para defender meus piores pensamentos. Ô, Alex, obrigada por ter enlouquecido a tempo de não me deixar sozinha.
E para quem se interessar (e eu super recomendo que você se interesse), eis um curso básico sobre Alex Castro, uma das pessoas mais interessantes que eu conheci nesta minha humilde vidinha (bom, ao menos são meus preferidos e, ainda, ao menos são os que me lembrei em meio à busca rápida que fiz agora):
- Primeiro, o texto a que me referi na conversa citada, Tentativa de Definição de Arrogância.
- "As Prisões" foram a razão de eu ter me apaixonado por ele. Especialmente o texto sobre Segurança.
- Eu Sou Livre! - ô, pai, vê se me entende!
- Auto-Estima Sexual.
- Fábrica de Machistas.
- Pessoas que Acreditam em Coisas.
- Não Vou Ser Levado a Sério Se Falar as Coisas Só pra Criar Polêmica.
- Incrível Capacidade de Não-Escrever.
Ah, chega, Alex já me pediu para eu parar de fazer as pessoas odiá-lo.
Beijinho, beijinho, amigo, amigo, não zanga não!
Estava eu outro dia conversando com Rabuja sobre arrogância e pretensão, e me sinto sempre meio ridícula quando me vejo repetindo literalmente as palavras de Alex. Minha única saída é assumir o título de Alexete que me conferiram. Fazer o quê? Ah, vá lá, não sou uma imitona qualquer, ele apenas me libera da tarefa de construir argumentos para defender meus piores pensamentos. Ô, Alex, obrigada por ter enlouquecido a tempo de não me deixar sozinha.
E para quem se interessar (e eu super recomendo que você se interesse), eis um curso básico sobre Alex Castro, uma das pessoas mais interessantes que eu conheci nesta minha humilde vidinha (bom, ao menos são meus preferidos e, ainda, ao menos são os que me lembrei em meio à busca rápida que fiz agora):
- Primeiro, o texto a que me referi na conversa citada, Tentativa de Definição de Arrogância.
- "As Prisões" foram a razão de eu ter me apaixonado por ele. Especialmente o texto sobre Segurança.
- Eu Sou Livre! - ô, pai, vê se me entende!
- Auto-Estima Sexual.
- Fábrica de Machistas.
- Pessoas que Acreditam em Coisas.
- Não Vou Ser Levado a Sério Se Falar as Coisas Só pra Criar Polêmica.
- Incrível Capacidade de Não-Escrever.
Ah, chega, Alex já me pediu para eu parar de fazer as pessoas odiá-lo.
Beijinho, beijinho, amigo, amigo, não zanga não!
13 de novembro de 2007
Ode às cariocaxxxxxxx
Ok, ok: todo mundo bem fala que o povo carioca, aquela gente bronzeada, torneada, descolada, com o sotaque mais sacana do universo, é o tesão deste meu Brasil. Eu bem confesso que meu humor muito melhora já nos saguões do aeroporto, é muita vista bonita por metro quadrado, os suspiros agradecem.
Mas, velho, na moral, estava eu aqui lembrando feliz da minha noite de samba sem fim na Lapa com as meninas cariocaxxxxxx, e só penso: nossa mãe, como é que este tal de Deus juntou tanta beleza, atitude e maravilhas sem fim nestas quatro mulheres? E por que estas viadas tão interessantes têm de estar assim a tantos quilômetros de distância de mim? Por que não existe uma cidade exclusiva para eu viver com todas estas gentes que eu admiro e que vivem no mesmo mundo que eu? Por quê, hein? Por quê? Por quê?
E, para o deleite de todos, vos apresento: ai, como eu queria Dani, Renata, Luíza e Clarisse batendo em minha porta todo dia!
Podem babar, marmanjos e marmanjas, elas merecem.
Aliás, para a felicidade dos baianos - e tristeza da Cidade Maravilhosa -, Luíza (uma versão com bem mais sal e pimenta da global Samara Felippo) vem de mala e cuia, em janeiro, se instalar como nova moradora soteropolitana. Uêba! Só falta eu convencer as outras três.
Mas, velho, na moral, estava eu aqui lembrando feliz da minha noite de samba sem fim na Lapa com as meninas cariocaxxxxxx, e só penso: nossa mãe, como é que este tal de Deus juntou tanta beleza, atitude e maravilhas sem fim nestas quatro mulheres? E por que estas viadas tão interessantes têm de estar assim a tantos quilômetros de distância de mim? Por que não existe uma cidade exclusiva para eu viver com todas estas gentes que eu admiro e que vivem no mesmo mundo que eu? Por quê, hein? Por quê? Por quê?
E, para o deleite de todos, vos apresento: ai, como eu queria Dani, Renata, Luíza e Clarisse batendo em minha porta todo dia!
Podem babar, marmanjos e marmanjas, elas merecem.
Aliás, para a felicidade dos baianos - e tristeza da Cidade Maravilhosa -, Luíza (uma versão com bem mais sal e pimenta da global Samara Felippo) vem de mala e cuia, em janeiro, se instalar como nova moradora soteropolitana. Uêba! Só falta eu convencer as outras três.
11 de setembro de 2007
São Paulo é menor que Salvador ou O acaso paulista é lindo
Quinta-feira, dia 6. Eu e Rafa chegamos em São Paulo, arriamos as malas no hotel e saímos famintas para comer pizza na Augusta. A idéia era acalmar o estômago, voltar feliz para um cochilo e, então, encarar banho e festa.
Andando contentes pela rua, batendo papo distraídas, Rafa, que bem conhece minha fixação - agora em total crise - pelos cabelos curtos, avista uma bela morena com um corte lindo de doer. Olhou e ia me mostrar e não entendi quando ela ficou meio congelada com cara de dúvida (por que parou, parou por quê?).
- Aquela ali não é Renata?
- Ahn?
- Olha ali, é Renata?
Caraaaaaalho, não acredito! É grito, é pulo, é abraço e Renata, amiga carioca que mora em Sumpaulo, ordena: lógico que vocês vão sentar aqui para tomar uma cerveja comigo e brindar o grande encontro casual. O que era para ser um copo vai virando um monte de garrafa vazia na mesa, quando Renata comemora: caraaaaaaaaaalho, não acredito! Era Rodrigo, amigo dela, chegando no boteco, outra aparição não-prevista. "As baianas" foram devidamente apresentadas e foi vez da ordem dele: juntem-se a nós. Num instante, estávamos com um bolo de gente, papo sem fim e aquela delícia de conhecer mais gente boa deste mundo. Rodrigo e Rubens ganham troféu de quero-ser-amiga-deles.
[Da esquerda para a direita: Rafa, eu, Vitor, Renata, Rubens, Tina, Rodrigo e Paula, no Escócia, boteco na Augusta - aquele paraíso na Terra -, num dos encontros casuais mais legais da história da humanidade.]
Algumas horas depois, tomamos coragem de abandonar o povo para encarar o banho e tal e tal. Passamos numa banca de revista e... Caraaaaaaaaaalho, não acredito! Danilo, um querido paulista do coração, me aparece perdido por lá - tempo de dar um abraço e marcar umas coisas e tudo mais. Oba.
A noite foi parar na Loca e estava eu lá, dançando na minha, quando me vem outra surpresa.
- Lemu?
- Paulinha!
- Caraaaaaaaaaalho, não acredito!!!
Lemuel é lindo, mora no meu coração e eu não o via há anos. Bom demais dançar com ele, trocar umas risadas, falar um pouco da vida.
---------------------------------
Sexta-feira, dia 7. Andávamos à tarde pela rua e nos cruzamos numa esquina com Rodrigo. Êêêêêêêêê! Neste mesmo dia, em momentos e lugares diferentes, esbarramos com ele três vezes. Na última, nos convencemos de que o universo estava conspirando para nos unir e marcamos encontro pro dia seguinte.
---------------------------------
Sábado, dia 8. Acordo e tem mensagem de Rabuja contando que Dani está chegando em Sumpaulo. Dani também é do Rio e encontrá-la era obrigação. Passamos o dia trocando mensagens e telefonemas interurbanos para acertar as coisas. À noite, enfim juntas:
- Você está hospedada onde?
- Num hotel na Consolação.
- Qual??
- O Formule 1.
- Nós tambééééém!!!
- Puta merda, qual o quarto de vocês?
- 1863.
- Caraaaaaaaaaaalho, não acredito, estamos separadas por apenas uma porta.
- Jesus, a gente fazendo interurbano estando lado a lado.
Neste mesmo dia, passamos uma tarde deliciosa com Rodrigo e Rubens. Baião de dois, cerveja, lojinhas, feirinha. Rodando em meio ao chorinho da Benedito Calixto, Rafaela faz cara de dúvida outra vez:
- Paula, ali é Felipe?
- Ahn?
Caraaaaaaaaaaaaalho, tá foda, não acredito. Felipe, amigo de Salvador, estava também rondando por Sampa no feriadão.
---------------------------------
São Paulo é muito pequena, só pode.
Andando contentes pela rua, batendo papo distraídas, Rafa, que bem conhece minha fixação - agora em total crise - pelos cabelos curtos, avista uma bela morena com um corte lindo de doer. Olhou e ia me mostrar e não entendi quando ela ficou meio congelada com cara de dúvida (por que parou, parou por quê?).
- Aquela ali não é Renata?
- Ahn?
- Olha ali, é Renata?
Caraaaaaalho, não acredito! É grito, é pulo, é abraço e Renata, amiga carioca que mora em Sumpaulo, ordena: lógico que vocês vão sentar aqui para tomar uma cerveja comigo e brindar o grande encontro casual. O que era para ser um copo vai virando um monte de garrafa vazia na mesa, quando Renata comemora: caraaaaaaaaaalho, não acredito! Era Rodrigo, amigo dela, chegando no boteco, outra aparição não-prevista. "As baianas" foram devidamente apresentadas e foi vez da ordem dele: juntem-se a nós. Num instante, estávamos com um bolo de gente, papo sem fim e aquela delícia de conhecer mais gente boa deste mundo. Rodrigo e Rubens ganham troféu de quero-ser-amiga-deles.
[Da esquerda para a direita: Rafa, eu, Vitor, Renata, Rubens, Tina, Rodrigo e Paula, no Escócia, boteco na Augusta - aquele paraíso na Terra -, num dos encontros casuais mais legais da história da humanidade.]Algumas horas depois, tomamos coragem de abandonar o povo para encarar o banho e tal e tal. Passamos numa banca de revista e... Caraaaaaaaaaalho, não acredito! Danilo, um querido paulista do coração, me aparece perdido por lá - tempo de dar um abraço e marcar umas coisas e tudo mais. Oba.
A noite foi parar na Loca e estava eu lá, dançando na minha, quando me vem outra surpresa.
- Lemu?
- Paulinha!
- Caraaaaaaaaaalho, não acredito!!!
Lemuel é lindo, mora no meu coração e eu não o via há anos. Bom demais dançar com ele, trocar umas risadas, falar um pouco da vida.
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Sexta-feira, dia 7. Andávamos à tarde pela rua e nos cruzamos numa esquina com Rodrigo. Êêêêêêêêê! Neste mesmo dia, em momentos e lugares diferentes, esbarramos com ele três vezes. Na última, nos convencemos de que o universo estava conspirando para nos unir e marcamos encontro pro dia seguinte.
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Sábado, dia 8. Acordo e tem mensagem de Rabuja contando que Dani está chegando em Sumpaulo. Dani também é do Rio e encontrá-la era obrigação. Passamos o dia trocando mensagens e telefonemas interurbanos para acertar as coisas. À noite, enfim juntas:
- Você está hospedada onde?
- Num hotel na Consolação.
- Qual??
- O Formule 1.
- Nós tambééééém!!!
- Puta merda, qual o quarto de vocês?
- 1863.
- Caraaaaaaaaaaalho, não acredito, estamos separadas por apenas uma porta.
- Jesus, a gente fazendo interurbano estando lado a lado.
Neste mesmo dia, passamos uma tarde deliciosa com Rodrigo e Rubens. Baião de dois, cerveja, lojinhas, feirinha. Rodando em meio ao chorinho da Benedito Calixto, Rafaela faz cara de dúvida outra vez:
- Paula, ali é Felipe?
- Ahn?
Caraaaaaaaaaaaaalho, tá foda, não acredito. Felipe, amigo de Salvador, estava também rondando por Sampa no feriadão.
---------------------------------
São Paulo é muito pequena, só pode.
2 de setembro de 2007
Paula Bethania
Zeca diz:
nao corte nao viu dona mainha?
Paula diz:
pô
Zeca diz:
ja cortou???
Paula diz:
eu sou tão feia assim de cabelo curto, é?
Zeca diz:
eita! nada disso
Paula diz:
entao por que esta campanha tão convicta?
Zeca diz:
acho q todos tiveram a mesma visão
Paula diz:
qual?
Zeca diz:
jesus apareceu pra mim em um sonho
Zeca diz:
e disse
Zeca diz:
NAO PERMITA QUE PAULA CORTE O CABELO
Paula diz:
hahahahahahahahahahaha
Paula diz:
meu deeeeeeeeeeeeeeus
Paula diz:
eu realmente devo ser muito feia de cabelo curto
Paula diz:
hahahahahaha
Zeca diz:
nem nem, é gatinha extreme
Zeca diz:
mas cabelo curto foi sua fase recente
Paula diz:
claro que nao
Zeca diz:
queremos paulinha bethania
Paula diz:
se não, vc nao faria tanta campanha
Zeca diz:
depois quando vc estiver cabeludona super juba, vc corta curtinhozinho
Zeca diz:
aí sim vc vai chocar
Paula diz:
sim
Paula diz:
já me convenceu
Paula diz:
vou até botar no blog agora
Zeca diz:
;)
Paula diz:
:(
Pronto, minha gente, acabou esta merda, não aguento mais o povo fazendo campanha para eu não cortar o cabelo, estou convencida de que seria um erro grave, tamanho o esforço da galera para evitar o desastre.
Rumo à Paula Bethania, ou enquanto durar minha força de vontade.
nao corte nao viu dona mainha?
Paula diz:
pô
Zeca diz:
ja cortou???
Paula diz:
eu sou tão feia assim de cabelo curto, é?
Zeca diz:
eita! nada disso
Paula diz:
entao por que esta campanha tão convicta?
Zeca diz:
acho q todos tiveram a mesma visão
Paula diz:
qual?
Zeca diz:
jesus apareceu pra mim em um sonho
Zeca diz:
e disse
Zeca diz:
NAO PERMITA QUE PAULA CORTE O CABELO
Paula diz:
hahahahahahahahahahaha
Paula diz:
meu deeeeeeeeeeeeeeus
Paula diz:
eu realmente devo ser muito feia de cabelo curto
Paula diz:
hahahahahaha
Zeca diz:
nem nem, é gatinha extreme
Zeca diz:
mas cabelo curto foi sua fase recente
Paula diz:
claro que nao
Zeca diz:
queremos paulinha bethania
Paula diz:
se não, vc nao faria tanta campanha
Zeca diz:
depois quando vc estiver cabeludona super juba, vc corta curtinhozinho
Zeca diz:
aí sim vc vai chocar
Paula diz:
sim
Paula diz:
já me convenceu
Paula diz:
vou até botar no blog agora
Zeca diz:
;)
Paula diz:
:(
Pronto, minha gente, acabou esta merda, não aguento mais o povo fazendo campanha para eu não cortar o cabelo, estou convencida de que seria um erro grave, tamanho o esforço da galera para evitar o desastre.
Rumo à Paula Bethania, ou enquanto durar minha força de vontade.
19 de agosto de 2007
Todo castigo para pobre é pouco
- Não, Paula, que é isso? Sexta-feira à noite em casa é coisa de depressão profunda, fim de carreira.
- Esqueça, amiga, não tenho um real, não dá não.
- Ah, eu não acredito...
- Ô, fazer o quê? Se tivesse um programa-de-graça-boca-livre...
- Então, hoje tem calourada, é de graça e eu compro uma garrafa de vodca. Vamos?
- Vamos.
E ela veio me buscar. No carro, cinco pessoas, uma garrafa de vodca, outra de vinho, um isopor com cervejas, gelo, refrigerantes. Fartura. Farra pura, xixi no mato, Beatles e forró. Nunca mais tinha dançado tanto forró, delícia-delícia.
- Tá na hora de ir, né?
- É, chega, vou chamar o povo.
- A outra lá disse que vai ficar por aqui, vai voltar com o morenaço dela.
- E ela não vai mais dormir em sua casa?
- Vai sim, por causa do compromisso de amanhã, ela vai sair com ele e vai depois lá pra casa, deve me bater na porta de madrugada.
- Que inveja.
- Invejona.
Fomos embora. No carro, quatro pessoas, uma garrafa de vodca vazia, a de vinho ficou no lixo, o gelo derreteu e ainda sobraram cervejas.
------------------------------------------------------
11 da manhã.
- Cadê você, miséria?
- Oi, amiga, tô indo!
- Porra, fiquei de olho no celular a noite toda, esperando você aparecer, isso são horas?
- Calma, amiga, tô indo.
- A gente tem de correr, peste, lembra que você tem compromisso às 13 horas?
- Tô ligada, amiga, não se preocupe, tô chegando.
11:30.
- Que porra de "tô chegando" é essa? São 11:30, porrinha.
- Oh, amiga, eu estou a caminho, estou aqui andando com o moreno.
- Andando? Andando onde? Como assim?
- Andando, amiga, fique calma, eu estou chegando.
- Pare com esta porra de andar e venha logo.
- Se eu parar de andar, eu não chego.
- Ahn?
- Paula, fique calma, eu estou indo.
11:45.
- Você está de sacanagem, né?
- Estou andando.
- Você está vindo andando?
- Estamos andando.
- Sim, dá para me explicar isso? Você está vindo andando?
- Não, nããããão!... Que nada! Você acha??? Quer dizer... É... Bem, estamos apenas caminhando...
- ...
- Olhando o mar, passeando, não é legal?
- ...
- Amiga, me dê mais uns minutos, tô chegando.
12:15.
- Paula, cheguei.
Abro a janela para ver a peça lá embaixo e mandar ela esperar que eu já ia descer correndo pra gente sair. Ela me arregala os olhos, pálida, cara de desespero.
- Amiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiga, pelamordedeus, abra a porta, se eu não beber água, eu morro, preciso de água, água, água.
- Aff, tá bom, espera aí.
- Paulaaaaaa, pelamordedeus, eu estou morrendo, vim andando da Pituba até aqui, atravessei aquela Manoel Dias inteira, Amaralina, Rio Vermelho, abra a porta, rápido, me salve.
E lá sobe a mulher, toda torta, toda dura, mancando, perna bamba, salto alto, pés inchados, cara de louca e seca de sede. O homem não era motorizado. E ela saiu do motel sem dinheiro nenhum, disfarçou o papo, atravessou uns bons quilômetros repetindo o quanto gostava de andar, o quanto era agradável passear ao lado do mar, vamos caminhar juntinhos, e lá foram os dois, ressaqueados, sem dormir direito, debaixo de um sol escaldante, cheios de sorriso falso na cara: a situação ridícula do ano. Passou o resto do dia dolorida, sem forças e gemendo ao se movimentar, ui, ai, ui, socorro.
Todo castigo para pobre é muito pouco.
- Esqueça, amiga, não tenho um real, não dá não.
- Ah, eu não acredito...
- Ô, fazer o quê? Se tivesse um programa-de-graça-boca-livre...
- Então, hoje tem calourada, é de graça e eu compro uma garrafa de vodca. Vamos?
- Vamos.
E ela veio me buscar. No carro, cinco pessoas, uma garrafa de vodca, outra de vinho, um isopor com cervejas, gelo, refrigerantes. Fartura. Farra pura, xixi no mato, Beatles e forró. Nunca mais tinha dançado tanto forró, delícia-delícia.
- Tá na hora de ir, né?
- É, chega, vou chamar o povo.
- A outra lá disse que vai ficar por aqui, vai voltar com o morenaço dela.
- E ela não vai mais dormir em sua casa?
- Vai sim, por causa do compromisso de amanhã, ela vai sair com ele e vai depois lá pra casa, deve me bater na porta de madrugada.
- Que inveja.
- Invejona.
Fomos embora. No carro, quatro pessoas, uma garrafa de vodca vazia, a de vinho ficou no lixo, o gelo derreteu e ainda sobraram cervejas.
------------------------------------------------------
11 da manhã.
- Cadê você, miséria?
- Oi, amiga, tô indo!
- Porra, fiquei de olho no celular a noite toda, esperando você aparecer, isso são horas?
- Calma, amiga, tô indo.
- A gente tem de correr, peste, lembra que você tem compromisso às 13 horas?
- Tô ligada, amiga, não se preocupe, tô chegando.
11:30.
- Que porra de "tô chegando" é essa? São 11:30, porrinha.
- Oh, amiga, eu estou a caminho, estou aqui andando com o moreno.
- Andando? Andando onde? Como assim?
- Andando, amiga, fique calma, eu estou chegando.
- Pare com esta porra de andar e venha logo.
- Se eu parar de andar, eu não chego.
- Ahn?
- Paula, fique calma, eu estou indo.
11:45.
- Você está de sacanagem, né?
- Estou andando.
- Você está vindo andando?
- Estamos andando.
- Sim, dá para me explicar isso? Você está vindo andando?
- Não, nããããão!... Que nada! Você acha??? Quer dizer... É... Bem, estamos apenas caminhando...
- ...
- Olhando o mar, passeando, não é legal?
- ...
- Amiga, me dê mais uns minutos, tô chegando.
12:15.
- Paula, cheguei.
Abro a janela para ver a peça lá embaixo e mandar ela esperar que eu já ia descer correndo pra gente sair. Ela me arregala os olhos, pálida, cara de desespero.
- Amiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiga, pelamordedeus, abra a porta, se eu não beber água, eu morro, preciso de água, água, água.
- Aff, tá bom, espera aí.
- Paulaaaaaa, pelamordedeus, eu estou morrendo, vim andando da Pituba até aqui, atravessei aquela Manoel Dias inteira, Amaralina, Rio Vermelho, abra a porta, rápido, me salve.
E lá sobe a mulher, toda torta, toda dura, mancando, perna bamba, salto alto, pés inchados, cara de louca e seca de sede. O homem não era motorizado. E ela saiu do motel sem dinheiro nenhum, disfarçou o papo, atravessou uns bons quilômetros repetindo o quanto gostava de andar, o quanto era agradável passear ao lado do mar, vamos caminhar juntinhos, e lá foram os dois, ressaqueados, sem dormir direito, debaixo de um sol escaldante, cheios de sorriso falso na cara: a situação ridícula do ano. Passou o resto do dia dolorida, sem forças e gemendo ao se movimentar, ui, ai, ui, socorro.
Todo castigo para pobre é muito pouco.
1 de agosto de 2007
Liberal Libertário Libertino em Salvador
Alex existe de verdade. Esteve aqui comigo, na minha casa e perambulando pela cidade, durante cinco dias. Foi ótimo, haja história pra contar, mesmo eu o tendo feito ir para uma balada do tipo que ele detesta, mesmo ele tendo me feito ir assistir a Duro de Matar 4.0. Eu o apresentei a Ernesto, Carol, Babs, Rafaela, Rabuja, Moniere, Fábio, Thiago, Dimi-Dimi, Luisão, Fernanda, Cury, Angelo e à minha família. Ele me apresentou a Drá. E nos juntamos, enfim, pessoalmente, a Marcela, o melhor presente que ele me deu. Ganhei um livro e um leque cubano. Fui à praia e tomei sol, um grande feito. Fofocamos horrores. Bebemos um monte. Falamos baixarias sem fim. Ele tirou foto de um monte de pés. Viramos algumas noites. Ele pisou em sorvete. Eu almocei várias vezes. Dançamos e cantamos. Conhecemos um ator global, fomos ao Solar do Unhão e ele nem lembra, comemos maniçoba no Pelourinho. Vimos uma Salvador gelada e chuvosa, muito chuvosa. Alugamos filme e comemos pipoca. Enchemos a casa de gente. Ele perdeu o vôo e voltou de ônibus, a esta altura está na 12ª hora de viagem. (Espero que chegue bem e inspirado, feliz de volta aos braços da Liloló, de quem ele fala sem parar.)
Ai, como a vida é boa.
Ai, como a vida é boa.
O que se esconde
Eu já estou lendo isto há algumas horas, já li um sem número de vezes, e só agora estou começando a aceitar que, sim, o troço foi escrito pra mim.
Estou há um tempão tentando entender que raio de atitude eu demonstro para que alguém reconheça em mim algo tão forte e bonito. Fiquei orgulhosa e com medo. O que existe em mim de ser dito deste jeito me custa um preço alto, que pago às vezes de maneira muito dolorosa. Não é simples ser o que se quer, muito menos é simples descobrir o que é que se deseja, de fato.
Jô, você me causou um rebuliço enorme.
Estou há um tempão tentando entender que raio de atitude eu demonstro para que alguém reconheça em mim algo tão forte e bonito. Fiquei orgulhosa e com medo. O que existe em mim de ser dito deste jeito me custa um preço alto, que pago às vezes de maneira muito dolorosa. Não é simples ser o que se quer, muito menos é simples descobrir o que é que se deseja, de fato.
Jô, você me causou um rebuliço enorme.
31 de maio de 2007
Alguma coisa acontece no meu coração
Aos vinte anos, eu ainda não conhecia o Rio de Janeiro. Uma grande amiga minha estava morando lá e, em uma conversa por telefone, ela disse: venha me ver, venha para meu aniversário. Eu, de supetão, confirmei: eu vou. Entrei no site, comprei passagem e gritei durante meia hora de tanta felicidade. Não planejei nada, não reservei dinheiro, não sabia onde ficaria hospedada, apenas estava ali, com passagem em mãos. E fui.
Eu tinha loucura de conhecer a cidade maravilhosa. E, lá, eu passei todos os segundos hipnotizada por tamanha beleza, vibrando com cada vista, babando cada lugar, curtindo cada detalhe. Foi uma viagem indescritível. Fiz todas as farras, todos os programas de turista e ainda assisti ao show de Eric Clapton. Surreal. Poucas vezes na vida tive dias tão felizes, livres e legais. Ainda carregava a satisfação única de estar fazendo tudo aquilo com meu próprio dinheiro. Minha primeira viagem bancada pelo suor do meu trabalho. Foi lindo.
[Feliz da vida, como vocês podem ver.]
Aos vinte e quatro anos, eu ainda não conhecia São Paulo. Meu pai decidiu que queria fazer uma viagem legal com a mulher e os quatro filhos, pela primeira vez. A gente já tinha ido para coisas ali na esquina, mas todos juntos, gato, cachorro, periquito e papagaio, pegar mala, avião e ir para outra cidade, nunca tinha rolado. Então ele decidiu: vamos todos pra Sumpaulo.
Eca. Eu não tinha interesse algum de conhecer São Paulo. Achei uma escolha ruim, mas, enfim, vamos nessa, viajar é sempre bom, lá vou eu aguentar tijolo, cimento, trânsito e poluição. Ao contrário do que aconteceu quando fui ao Rio, saí de Salvador meio de nariz virado, não era a coisa mais animadora do mundo.
Me fudi. Eu amei cada segundo de São Paulo muito mais do que amei o Rio de Janeiro. Me senti completamente à vontade, em casa, fiquei encantada. Voltei fã, voltei querendo ficar.
[A família reunida na Paulista.]
Alguns disseram que tanta satisfação era fruto de eu ter ficado pouco tempo, cinco dias, em época de feriadão, cidade vazia, como turista, só vendo o lado bom. Pois bem: sete meses depois, fui para "morar". Foi por pouco mais de um mês, mas não como turista. Fiquei na casa de meu primo, trabalhei na Avenida Paulista, aprendi horários dos ônibus, fazia mercado, tinha uma rotina de moradora. Voltei mais fã ainda, voltei mais querendo ficar ainda.
[Almoço com o querido povo do trabalho no dia da minha despedida! Snif, snif...]
São Paulo me fascina. Tanto que me sinto em abstinência permanente, desde que cheguei eu quero voltar lá, nem que seja para dar uma volta nas ruas e sentir o cheirinho da poluição, nem que seja para só uma vez saltar em uma estação qualquer de metrô e sair andando sem rumo, descobrindo pequenos tesouros pelas ruas.
Faltando dois dias para completar meus vinte e seis anos, Arturo me chamou de novo: vamos, peste, vê se dá para você ir. E eu, que já havia algumas vezes negado participar desta viagem dele, programada há tempos, decidi: eu vou. Entrei no site, comprei passagem e gritei durante meia hora de tanta felicidade. Não planejei nada, não reservei dinheiro, não sabia onde ficaria hospedada, apenas estava ali, com passagem em mãos. E vou.
São Paulo, semana que vem, depois de quase um ano, a gente se encontra e mata as saudades. Me aguarde.
Eu tinha loucura de conhecer a cidade maravilhosa. E, lá, eu passei todos os segundos hipnotizada por tamanha beleza, vibrando com cada vista, babando cada lugar, curtindo cada detalhe. Foi uma viagem indescritível. Fiz todas as farras, todos os programas de turista e ainda assisti ao show de Eric Clapton. Surreal. Poucas vezes na vida tive dias tão felizes, livres e legais. Ainda carregava a satisfação única de estar fazendo tudo aquilo com meu próprio dinheiro. Minha primeira viagem bancada pelo suor do meu trabalho. Foi lindo.
[Feliz da vida, como vocês podem ver.]Aos vinte e quatro anos, eu ainda não conhecia São Paulo. Meu pai decidiu que queria fazer uma viagem legal com a mulher e os quatro filhos, pela primeira vez. A gente já tinha ido para coisas ali na esquina, mas todos juntos, gato, cachorro, periquito e papagaio, pegar mala, avião e ir para outra cidade, nunca tinha rolado. Então ele decidiu: vamos todos pra Sumpaulo.
Eca. Eu não tinha interesse algum de conhecer São Paulo. Achei uma escolha ruim, mas, enfim, vamos nessa, viajar é sempre bom, lá vou eu aguentar tijolo, cimento, trânsito e poluição. Ao contrário do que aconteceu quando fui ao Rio, saí de Salvador meio de nariz virado, não era a coisa mais animadora do mundo.
Me fudi. Eu amei cada segundo de São Paulo muito mais do que amei o Rio de Janeiro. Me senti completamente à vontade, em casa, fiquei encantada. Voltei fã, voltei querendo ficar.
[A família reunida na Paulista.]Alguns disseram que tanta satisfação era fruto de eu ter ficado pouco tempo, cinco dias, em época de feriadão, cidade vazia, como turista, só vendo o lado bom. Pois bem: sete meses depois, fui para "morar". Foi por pouco mais de um mês, mas não como turista. Fiquei na casa de meu primo, trabalhei na Avenida Paulista, aprendi horários dos ônibus, fazia mercado, tinha uma rotina de moradora. Voltei mais fã ainda, voltei mais querendo ficar ainda.
[Almoço com o querido povo do trabalho no dia da minha despedida! Snif, snif...]São Paulo me fascina. Tanto que me sinto em abstinência permanente, desde que cheguei eu quero voltar lá, nem que seja para dar uma volta nas ruas e sentir o cheirinho da poluição, nem que seja para só uma vez saltar em uma estação qualquer de metrô e sair andando sem rumo, descobrindo pequenos tesouros pelas ruas.
Faltando dois dias para completar meus vinte e seis anos, Arturo me chamou de novo: vamos, peste, vê se dá para você ir. E eu, que já havia algumas vezes negado participar desta viagem dele, programada há tempos, decidi: eu vou. Entrei no site, comprei passagem e gritei durante meia hora de tanta felicidade. Não planejei nada, não reservei dinheiro, não sabia onde ficaria hospedada, apenas estava ali, com passagem em mãos. E vou.
São Paulo, semana que vem, depois de quase um ano, a gente se encontra e mata as saudades. Me aguarde.
24 de maio de 2007
Love of my life, don't leave me
No máximo em julho, eu vou me casar.
Preparem a champagne.
Soube há um tempo, assistindo ao programa Top Top, da MTV, que Freddie Mercury foi casado. Com uma mulher. Não lembro detalhes, mas o que registrei das informações dadas foi que ela era o grande amor da vida dele, com quem ele dividiu tudo, até o último dia, a confidente e parceira, a que segurou as pontas e a quem ele deu colo. Foi para ela que ele compôs Love of My Life. Eles namoraram, segundo consta, mas, também segundo consta, a relação nada tinha a ver com isso. Isto é apenas um detalhe: eles namoraram, mas poderiam não tê-lo feito. Eles não trepavam. Não se desejavam. Mas eram apaixonados um pelo outro e foram marido e mulher mesmo depois de terem desfeito os papéis. Ela foi o porto seguro dele sempre: nas questões da vida, da música, da carreira, dos amores, paixões e fodas, da doença que o matou. Viver lado a lado e encontrar a alma gêmea não é uma questão de sexo.
Eu e Arturo vamos morar juntos. Estamos mexendo os pauzinhos e sonhando com nosso apê lindo e fofo. Na verdade, a gente poderia estar buscando meios de cada um morar sozinho, no seu canto, como ele até já faz hoje em dia. Mas a gente quer mesmo é morar junto, ter a companhia um do outro. Um casamento entre amigos.
A gente já experimentou dividir espaço por tempo mais longo em duas viagens que fizemos juntos. Em uma, num muquifo lá em Boipeba, o quarto era cheio de baratas e eu botava ele para matar todas. Ter um homem por perto é ótimo. Na outra, em Sauípe, eu quis matá-lo cem vezes porque ele é a pessoa mais chata do mundo. Metia o dedo na última batata frita do meu prato, me filmava dormindo e me azucrinava sem parar. Resumindo: minha cara-metade.
Além disso, convivemos e nos vemos quase diariamente desde que nos vimos pela primeira vez: já estudamos juntos, agora trabalhamos juntos, tudo no meio da nossa vida social, que se entrelaça totalmente. Sem contar telefone, msn, Orkut, mensagem de celular... A gente não se desgruda.
Não tenho absolutamente nenhum segredo com Arturo. É um saco, porque ele me olha de canto de olho e sabe o que estou pensando. Aí a gente ri junto, fala merda, bebe, vê seriados, dá conselhos, ouve histórias, confessa o inconfessável, fala das intimidades mais íntimas, canta, dança, faz farra, se apóia, se incentiva, se admira, filosofa sobre a vida, cria teorias, analisa as coisas, se lamenta, chora... A afinidade que tenho com ele é incomparável, a gente se entende em tudo. Eu pego, esmago, dou beijo, dou tapa, mordo e lambo. Ele tira meleca e passa em mim. Arturo me pentelha o tempo todo, fica dizendo que eu pareço com uma feiosa aí, puxa minha calcinha no velho estilo cuecão, filma os meus maiores micos, esculhamba tudo. Somos o casal mais apaixonado que conheço.
Só espero que, quando eu ficar viúva, ele me deixe uma fortuna tão grande quanto Freddie Mercury deixou para Mary Austin.
[Mary e Freddie, lindos.]
P.S. 1: Haha, ele vai achar tudo isto ridículo. Babação de ovo não é a nossa, mas, pô, amore, você sabe que te amo loucamente.
P.S. 2: Que droga, Tuca, vê se depois de tanta rasgação de seda você tira aquelas fotos horríveis minhas do seu Orkut, peço isso há quantos anos mesmo?
Preparem a champagne.
Soube há um tempo, assistindo ao programa Top Top, da MTV, que Freddie Mercury foi casado. Com uma mulher. Não lembro detalhes, mas o que registrei das informações dadas foi que ela era o grande amor da vida dele, com quem ele dividiu tudo, até o último dia, a confidente e parceira, a que segurou as pontas e a quem ele deu colo. Foi para ela que ele compôs Love of My Life. Eles namoraram, segundo consta, mas, também segundo consta, a relação nada tinha a ver com isso. Isto é apenas um detalhe: eles namoraram, mas poderiam não tê-lo feito. Eles não trepavam. Não se desejavam. Mas eram apaixonados um pelo outro e foram marido e mulher mesmo depois de terem desfeito os papéis. Ela foi o porto seguro dele sempre: nas questões da vida, da música, da carreira, dos amores, paixões e fodas, da doença que o matou. Viver lado a lado e encontrar a alma gêmea não é uma questão de sexo.
Eu e Arturo vamos morar juntos. Estamos mexendo os pauzinhos e sonhando com nosso apê lindo e fofo. Na verdade, a gente poderia estar buscando meios de cada um morar sozinho, no seu canto, como ele até já faz hoje em dia. Mas a gente quer mesmo é morar junto, ter a companhia um do outro. Um casamento entre amigos.
A gente já experimentou dividir espaço por tempo mais longo em duas viagens que fizemos juntos. Em uma, num muquifo lá em Boipeba, o quarto era cheio de baratas e eu botava ele para matar todas. Ter um homem por perto é ótimo. Na outra, em Sauípe, eu quis matá-lo cem vezes porque ele é a pessoa mais chata do mundo. Metia o dedo na última batata frita do meu prato, me filmava dormindo e me azucrinava sem parar. Resumindo: minha cara-metade.
Além disso, convivemos e nos vemos quase diariamente desde que nos vimos pela primeira vez: já estudamos juntos, agora trabalhamos juntos, tudo no meio da nossa vida social, que se entrelaça totalmente. Sem contar telefone, msn, Orkut, mensagem de celular... A gente não se desgruda.
Não tenho absolutamente nenhum segredo com Arturo. É um saco, porque ele me olha de canto de olho e sabe o que estou pensando. Aí a gente ri junto, fala merda, bebe, vê seriados, dá conselhos, ouve histórias, confessa o inconfessável, fala das intimidades mais íntimas, canta, dança, faz farra, se apóia, se incentiva, se admira, filosofa sobre a vida, cria teorias, analisa as coisas, se lamenta, chora... A afinidade que tenho com ele é incomparável, a gente se entende em tudo. Eu pego, esmago, dou beijo, dou tapa, mordo e lambo. Ele tira meleca e passa em mim. Arturo me pentelha o tempo todo, fica dizendo que eu pareço com uma feiosa aí, puxa minha calcinha no velho estilo cuecão, filma os meus maiores micos, esculhamba tudo. Somos o casal mais apaixonado que conheço.
Só espero que, quando eu ficar viúva, ele me deixe uma fortuna tão grande quanto Freddie Mercury deixou para Mary Austin.
[Mary e Freddie, lindos.]P.S. 1: Haha, ele vai achar tudo isto ridículo. Babação de ovo não é a nossa, mas, pô, amore, você sabe que te amo loucamente.
P.S. 2: Que droga, Tuca, vê se depois de tanta rasgação de seda você tira aquelas fotos horríveis minhas do seu Orkut, peço isso há quantos anos mesmo?
11 de maio de 2007
Combinação
Admirar pessoas é uma delícia. Talvez por não ser algo que acontece sempre, talvez porque servem de referência, talvez porque é bom descobrir tesouros, talvez porque eu sou osso duro de roer.
É uma viagem.
É uma verdadeira viagem descobrir razões em pessoas pelo mundo para que se tenha motivos de achá-las "especiais".
Estou revisando o livro de Cury. Tem sido um trabalho árduo, porque tenho dedicado muito carinho e horas à tarefa - haja noites viradas, em meio a tantas outras ocupações -, mas tem sido maravilhoso. Nas primeiras páginas, na introdução que ele fez, estava lá meu nome, como "uma das escolhidas" para fazer parte deste processo. Eu babei meia hora em cima da puxação de saco que ele fez. É como o próprio falou em algumas páginas depois: Cury era fã convicto de uma banda e, belo dia, foi convidado a compô-la. Sobre o episódio, ele disse algo do tipo: "não há emoção maior"...
E não há mesmo.
Neste sentido, tenho vivido umas coisas realmente emocionantes, e não existe palavra que melhor defina a sensação.
Quando Cury decidiu que iria realmente pôr em prática o projeto do livro, eu fui e me ofereci. Ele foi e aceitou. Eu fui e fiquei sem nem como dizer. Ele foi e levou lá em casa, num envelope com meu nome, o impresso original. Eu fui e disse o quanto estava feliz por isso. Ele foi e me deu de presente um manual de redação fantástico. Eu fui e ainda estou indo em meio às histórias do meu querido Cury.
É uma coisa doida esta, de você conquistar a confiança e de sentir alguma reciprocidade de pessoas que você admira muito. Ricardo Cury é, talvez, mais osso duro de roer do que eu, mas sei que ele sabe o quanto o admiro, o quanto o acho fantástico. De todas as pessoas que conheci através de Angelo, ele é, de longe, o mais querido. E já ultrapassou a barreira de ser o amigo do namorado. Cury é sensato, honesto, sangue bom. Além de inteligente, bonito e instigante. Cury me deixa cheia de pulgas atrás da orelha e acho isso ótimo. Gente que desperta curiosidades é a melhor coisa do mundo. Estou infinitamente feliz por estar metendo meu dedo num projeto dele, mesmo ele dizendo lá no próprio livro que acha o meu trabalho uma bobagem...
Tem também a maior banda de rock da Bahia na atualidade. Sou fã confessa deles. Eu ouço e re-ouço as músicas e não canso. Poucas coisas são melhores do que Queda Livre e Gigante para meus ouvidos (e outras tantas mais...). Canto sempre como se fosse a primeira vez. Acho Fábio genial em suas composições e sempre soube quem ele era. E ele só soube quem eu era, e talvez nem lembre disso, quando, no fim do ano passado, o recebi para uma entrevista na TV. Junto com os outros três integrantes da Cascadura.
E, então, há uns meses, por caminhos que esta vida nos leva, Fábio e Thiaguinho me chamaram para fazer a assessoria de imprensa da banda. Era a minha mais pura explosão de felicidade, fazer parte desta equipe é uma realização que eu nem projetava. Mais que isso: conhecer os meninos mais a fundo tem sido incrível. Eu já nem sei dizer o quanto gosto e admiro eles. É demais. Fábio é foda. Fábio é um gentleman, cheio de idéias, cheio de histórias, cheio de qualidades: digno, batalhador, talentoso, atencioso. Thiago é a coisa mais querida do mundo. É um amuleto de boa energia, sua mente não pára e sua atitude perante a vida me inspira - e ainda me deixa hipnotizada. Candinho e Tiago Aziz ainda estão sendo descobertos, mas também são ótimos. Me sinto privilegiada ao extremo. Engraçado que, no meu aniversário, Fábio escreveu que me admirava... Bobo... Este papel é meu.
A história de "recompensa" mais forte, no entanto, vem de Alex. Porque Alex me deu um trabalho da porra. E porque eu sou a fã mais abestalhada que ele tem.
Foi assim: quando eu era colega de Arturo e Érica, entre nossas fofocas diárias, falamos de blog. Àquela altura, não era algo que todo mundo tinha. Mas eu tinha, Arturo também, e Érica decidiu que iria ter. Um dia, algum deles me apresentou ao LLL. Eu acho que foi Arturo, Arturo disse que foi Érica, mas eu acho que fui eu que mostrei Alex a ela... Enfim, não sei mais dizer quem mostrou a quem.
Acontece que, de mansinho, eu me apaixonei. Comecei lendo aqui e ali e, quando vi, estava viciada. Estou viciada há quatro anos. Leio sempre, tudo - menos as resenhas chatas de livros; não quero saber dos livros, quero saber dele mesmo e pronto. Vez ou outra, eu passei a comentar as escritas. Depois, pulei para os e-mails - e Alex não me dava a mínima, nunca respondia a nada. Eu não ligava muito, porque eu me sentia satisfeita por fazer minha parte. As argumentações de Alex me deixam admirada. Profundamente. Os textos das prisões são uma das coisas mais legais que já li na vida. Passei a citá-lo em minhas conversas. Passei a aprender com ele. Uma clara referência do que quero ser quando crescer - não tão pervertido e desmiolado, mas tão livre quanto... E, vejam só, belo dia, ele me respondeu. Me deu meia-bola. Monossilábico, mas deu sinal de vida. E até cedeu um de seus textos para o falecido NúmeroG, da falecida Letrasete.
Foi um avanço vê-lo publicar histórias de minha vida, que eu contava para ele com intimidade, em seu blog - cheio de disfarces, trocando nomes e endereços, eu só dava risada, esse Alex... Então ele me adicionou no msn. Quis saber mais de mim (só que Alex quer saber mais de todo mundo, ele é um compulsivo por histórias de gentes todas, isso não dizia muito).
Então, sei lá mais como, sei lá mais porquê, ele me concedeu confiança e me tomou como cúmplice de segredos e de publicações protegidas e de assessora de imprensa de seu trabalho. Não fomos muito à frente com a tarefa (apesar de eu estar disponível para qualquer uma que vier), mas demos passos largos na amizade.
Outro dia, ele me apresentou a Marcela, esta coisa de doido, pelo msn. Uma conversa a três. E disse: "quero ir a Salvador única e exclusivamente conhecer vocês duas". Marcela, não sei de você, mas eu me senti a mulher mais maravilhosa do mundo depois de ouvir isso. Alex está chegando e estou ansiosa pelas massagens nos meus pés. Poucas pessoas no mundo merecem tanto minha admiração quanto ele merece.
Voltando ao início: admirar pessoas é uma delícia. Admirar e ser admirada é sublime.
-----------------------
P.S.: Quando fui contar a Arturo, toda feliz, o que Alex tinha dito sobre sua vinda a Salvador, Arturo me olhou com cara de desprezo... Pensei, sobre meu amigo que desdenha das coisas, "ih, lá vou eu levar bronca". E ele disse: "Paula, você é mesmo uma boba. Não sei porque você se maravilha com isso. Você é uma das pessoas mais interessantes que alguém pode conhecer, isto é absolutamente normal". Ai, meu Deus, eu amo Arturo mais que tudo.
É uma viagem.
É uma verdadeira viagem descobrir razões em pessoas pelo mundo para que se tenha motivos de achá-las "especiais".
Estou revisando o livro de Cury. Tem sido um trabalho árduo, porque tenho dedicado muito carinho e horas à tarefa - haja noites viradas, em meio a tantas outras ocupações -, mas tem sido maravilhoso. Nas primeiras páginas, na introdução que ele fez, estava lá meu nome, como "uma das escolhidas" para fazer parte deste processo. Eu babei meia hora em cima da puxação de saco que ele fez. É como o próprio falou em algumas páginas depois: Cury era fã convicto de uma banda e, belo dia, foi convidado a compô-la. Sobre o episódio, ele disse algo do tipo: "não há emoção maior"...
E não há mesmo.
Neste sentido, tenho vivido umas coisas realmente emocionantes, e não existe palavra que melhor defina a sensação.
Quando Cury decidiu que iria realmente pôr em prática o projeto do livro, eu fui e me ofereci. Ele foi e aceitou. Eu fui e fiquei sem nem como dizer. Ele foi e levou lá em casa, num envelope com meu nome, o impresso original. Eu fui e disse o quanto estava feliz por isso. Ele foi e me deu de presente um manual de redação fantástico. Eu fui e ainda estou indo em meio às histórias do meu querido Cury.
É uma coisa doida esta, de você conquistar a confiança e de sentir alguma reciprocidade de pessoas que você admira muito. Ricardo Cury é, talvez, mais osso duro de roer do que eu, mas sei que ele sabe o quanto o admiro, o quanto o acho fantástico. De todas as pessoas que conheci através de Angelo, ele é, de longe, o mais querido. E já ultrapassou a barreira de ser o amigo do namorado. Cury é sensato, honesto, sangue bom. Além de inteligente, bonito e instigante. Cury me deixa cheia de pulgas atrás da orelha e acho isso ótimo. Gente que desperta curiosidades é a melhor coisa do mundo. Estou infinitamente feliz por estar metendo meu dedo num projeto dele, mesmo ele dizendo lá no próprio livro que acha o meu trabalho uma bobagem...
Tem também a maior banda de rock da Bahia na atualidade. Sou fã confessa deles. Eu ouço e re-ouço as músicas e não canso. Poucas coisas são melhores do que Queda Livre e Gigante para meus ouvidos (e outras tantas mais...). Canto sempre como se fosse a primeira vez. Acho Fábio genial em suas composições e sempre soube quem ele era. E ele só soube quem eu era, e talvez nem lembre disso, quando, no fim do ano passado, o recebi para uma entrevista na TV. Junto com os outros três integrantes da Cascadura.
E, então, há uns meses, por caminhos que esta vida nos leva, Fábio e Thiaguinho me chamaram para fazer a assessoria de imprensa da banda. Era a minha mais pura explosão de felicidade, fazer parte desta equipe é uma realização que eu nem projetava. Mais que isso: conhecer os meninos mais a fundo tem sido incrível. Eu já nem sei dizer o quanto gosto e admiro eles. É demais. Fábio é foda. Fábio é um gentleman, cheio de idéias, cheio de histórias, cheio de qualidades: digno, batalhador, talentoso, atencioso. Thiago é a coisa mais querida do mundo. É um amuleto de boa energia, sua mente não pára e sua atitude perante a vida me inspira - e ainda me deixa hipnotizada. Candinho e Tiago Aziz ainda estão sendo descobertos, mas também são ótimos. Me sinto privilegiada ao extremo. Engraçado que, no meu aniversário, Fábio escreveu que me admirava... Bobo... Este papel é meu.
A história de "recompensa" mais forte, no entanto, vem de Alex. Porque Alex me deu um trabalho da porra. E porque eu sou a fã mais abestalhada que ele tem.
Foi assim: quando eu era colega de Arturo e Érica, entre nossas fofocas diárias, falamos de blog. Àquela altura, não era algo que todo mundo tinha. Mas eu tinha, Arturo também, e Érica decidiu que iria ter. Um dia, algum deles me apresentou ao LLL. Eu acho que foi Arturo, Arturo disse que foi Érica, mas eu acho que fui eu que mostrei Alex a ela... Enfim, não sei mais dizer quem mostrou a quem.
Acontece que, de mansinho, eu me apaixonei. Comecei lendo aqui e ali e, quando vi, estava viciada. Estou viciada há quatro anos. Leio sempre, tudo - menos as resenhas chatas de livros; não quero saber dos livros, quero saber dele mesmo e pronto. Vez ou outra, eu passei a comentar as escritas. Depois, pulei para os e-mails - e Alex não me dava a mínima, nunca respondia a nada. Eu não ligava muito, porque eu me sentia satisfeita por fazer minha parte. As argumentações de Alex me deixam admirada. Profundamente. Os textos das prisões são uma das coisas mais legais que já li na vida. Passei a citá-lo em minhas conversas. Passei a aprender com ele. Uma clara referência do que quero ser quando crescer - não tão pervertido e desmiolado, mas tão livre quanto... E, vejam só, belo dia, ele me respondeu. Me deu meia-bola. Monossilábico, mas deu sinal de vida. E até cedeu um de seus textos para o falecido NúmeroG, da falecida Letrasete.
Foi um avanço vê-lo publicar histórias de minha vida, que eu contava para ele com intimidade, em seu blog - cheio de disfarces, trocando nomes e endereços, eu só dava risada, esse Alex... Então ele me adicionou no msn. Quis saber mais de mim (só que Alex quer saber mais de todo mundo, ele é um compulsivo por histórias de gentes todas, isso não dizia muito).
Então, sei lá mais como, sei lá mais porquê, ele me concedeu confiança e me tomou como cúmplice de segredos e de publicações protegidas e de assessora de imprensa de seu trabalho. Não fomos muito à frente com a tarefa (apesar de eu estar disponível para qualquer uma que vier), mas demos passos largos na amizade.
Outro dia, ele me apresentou a Marcela, esta coisa de doido, pelo msn. Uma conversa a três. E disse: "quero ir a Salvador única e exclusivamente conhecer vocês duas". Marcela, não sei de você, mas eu me senti a mulher mais maravilhosa do mundo depois de ouvir isso. Alex está chegando e estou ansiosa pelas massagens nos meus pés. Poucas pessoas no mundo merecem tanto minha admiração quanto ele merece.
Voltando ao início: admirar pessoas é uma delícia. Admirar e ser admirada é sublime.
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P.S.: Quando fui contar a Arturo, toda feliz, o que Alex tinha dito sobre sua vinda a Salvador, Arturo me olhou com cara de desprezo... Pensei, sobre meu amigo que desdenha das coisas, "ih, lá vou eu levar bronca". E ele disse: "Paula, você é mesmo uma boba. Não sei porque você se maravilha com isso. Você é uma das pessoas mais interessantes que alguém pode conhecer, isto é absolutamente normal". Ai, meu Deus, eu amo Arturo mais que tudo.
2 de maio de 2007
Capão de botas
7 de setembro, no ano passado, caiu numa quinta-feira e foi aquela coisa: todo mundo enforcou a sexta e virou feriadão, ótimo para viajar. Rolou de o Capão nos chamar loucamente, a gente tinha de ir e pronto. Mas, dentre outros motivos menos importantes, uns amigos queridíssimos meus chegariam de Sampa no dia 8, e eu queria vê-los, iria ficar puta se eles passassem por Salvador e a gente não se visse. Então convenci Angelo e nós compramos a passagem para o sábado de manhã cedíssimo e voltaríamos no domingo, de noitão tardíssimo. Só a gente mesmo para topar ir para o Capão num dia e voltar no outro. Enfim. Conseguimos reservar duas camas num quarto de albergue, tudo certo.
Dany, Paty e Marreco, meus troços do meu coração, resolveram embarcar na parada. Estava todo mundo sem grana e calhou perfeitamente: para ir num dia e voltar no outro, o gasto seria pequeno e eles aturariam nem dormir, caso não arranjassem onde se encostar. Eles prepararam tudo: fizeram mercadão com cheque ultra-pré-datado, com tudo que era necessário para a viagem, para a fome e para a bebedeira, separaram isopor, colchão, travesseiro, o escambau.
Na sexta à noite, enquanto Dany, Paty e Marreco arrumavam o carro e o transformavam num quarto de hotel de luxo, eu e Angelo saímos com os amigos de Sampa - isso depois de eu ter passado o dia inteiro com eles, das dez da manhã às oito da noite, mostrando a cidade, de Itapuã a Bonfim, parando em todos os pontos clássicos. Os levamos ao Póstudo (amigo meu que vem conhecer meu mundo tem de conhecer o Póstudo) e, papo vai, papo vem, desce cerveja sem fim, oito mil rodadas de miolo de macaco, rosca, aquela farra. Como sempre acontece (e eu nem sei como eu volto ao Póstudo se reclamo tanto do atendimento de lá), fomos interrompidos pela conta sendo posta em cima da mesa, sem ninguém pedir. O bar fechou, fomos expulsos e, claro, eu queria mais: vamos pra onde?, vamos pra onde?
Ninguém se animou, os paulistas estavam exaustos, Angelo só falava do ônibus que sairia às seis da manhã. Ok. Deixei os meninos no hotel e avisei a Angelo, toda querendo mais: "Se formos para casa, teremos duas horas de sono e você sabe que eu não vou conseguir levantar, é melhor a gente dar virote e ir direto, vamos beber mais em algum canto, vai ser ótimo porque vamos dormir a viagem inteira". Ele discordou. E se comprometeu a me arrancar da cama - um trabalho e tanto. "Ok", eu disse, "então vou dormir, você quem sabe, vai dar merda isso...".
E deu. Quando abri o olho uma hora lá de manhã por sentir que algo estava estranho, Angelo estava me olhando com cara de "fudeu". Já ia dar oito horas. Merda!! Eu sabia!!!
Liguei correndo para Dany, sem muita esperança porque eles tinham dito que sairiam antes do amanhecer. "Amiga, você já está na estrada??". E, eba, eles também tinham dormido mais do que pretendiam e estavam de saída àquela hora. E eu: "Dany, pelamordedeus, perdemos o ônibus, podemos ir com vocês?".
Ela foi reticente: "Te ligo daqui a pouco, pode ser? Vou falar com Paty e Marreco". Depois que ela retornou a ligação, disse: "Amiga, falei com eles, não dá. O carro está todo montado, cada coisa em seu canto, passamos horas encaixando tudo para caber, estamos cheios de coisa, não tem espaço mesmo, impossível". Ok, fazer o quê? Quase choro, mas o jeito era me conformar. Então Marreco me ligou: "Nada disso, a gente tira o que for preciso do carro, me dê dez minutos, vou rearrumar tudo". Aí, confirmada a possibilidade de enfiar eu e Angelo no Fiesta de Paty, Dany avisou: "Mas tem o seguinte: não dá para levar mala, nem mochila, não cabe. Traga uma sacolinha de mão com o que for indispensável. E rápido, estamos chegando aí".
Eu e Angelo corremos: abrimos a nossa linda malinha toda arrumadinha, arrancamos uma camiseta e uma bermuda cada um, calcinha e cueca, escova de dente e uma toalha. Vestimos calça, que era mais complicado de levar e que poderíamos querer na noite fria do Capão, e amarramos casaco na cintura. Sapato, só o do pé. Enfiei minha bota. Vamos nessa.
Foi um dos melhores fins de semana de minha vida. Mesmo fazendo a trilha da Fumaça com bota de cano alto, mesmo sem shampoo, mesmo com o aperto do carro, mesmo dormindo de calça jeans com uma mulher doida pelada no quarto do albergue. Foi indescritível. Maravilhoso.
Ah! Também fiquei feliz por ter lembrado de levar o sutiã, porque pude tomar banho na trilha sem criar qualquer tipo de escândalo.
--------------------------------------------
Fotitas, fotitas, fotitas:

Dany, Paty e Marreco, meus troços do meu coração, resolveram embarcar na parada. Estava todo mundo sem grana e calhou perfeitamente: para ir num dia e voltar no outro, o gasto seria pequeno e eles aturariam nem dormir, caso não arranjassem onde se encostar. Eles prepararam tudo: fizeram mercadão com cheque ultra-pré-datado, com tudo que era necessário para a viagem, para a fome e para a bebedeira, separaram isopor, colchão, travesseiro, o escambau.
Na sexta à noite, enquanto Dany, Paty e Marreco arrumavam o carro e o transformavam num quarto de hotel de luxo, eu e Angelo saímos com os amigos de Sampa - isso depois de eu ter passado o dia inteiro com eles, das dez da manhã às oito da noite, mostrando a cidade, de Itapuã a Bonfim, parando em todos os pontos clássicos. Os levamos ao Póstudo (amigo meu que vem conhecer meu mundo tem de conhecer o Póstudo) e, papo vai, papo vem, desce cerveja sem fim, oito mil rodadas de miolo de macaco, rosca, aquela farra. Como sempre acontece (e eu nem sei como eu volto ao Póstudo se reclamo tanto do atendimento de lá), fomos interrompidos pela conta sendo posta em cima da mesa, sem ninguém pedir. O bar fechou, fomos expulsos e, claro, eu queria mais: vamos pra onde?, vamos pra onde?
Ninguém se animou, os paulistas estavam exaustos, Angelo só falava do ônibus que sairia às seis da manhã. Ok. Deixei os meninos no hotel e avisei a Angelo, toda querendo mais: "Se formos para casa, teremos duas horas de sono e você sabe que eu não vou conseguir levantar, é melhor a gente dar virote e ir direto, vamos beber mais em algum canto, vai ser ótimo porque vamos dormir a viagem inteira". Ele discordou. E se comprometeu a me arrancar da cama - um trabalho e tanto. "Ok", eu disse, "então vou dormir, você quem sabe, vai dar merda isso...".
E deu. Quando abri o olho uma hora lá de manhã por sentir que algo estava estranho, Angelo estava me olhando com cara de "fudeu". Já ia dar oito horas. Merda!! Eu sabia!!!
Liguei correndo para Dany, sem muita esperança porque eles tinham dito que sairiam antes do amanhecer. "Amiga, você já está na estrada??". E, eba, eles também tinham dormido mais do que pretendiam e estavam de saída àquela hora. E eu: "Dany, pelamordedeus, perdemos o ônibus, podemos ir com vocês?".
Ela foi reticente: "Te ligo daqui a pouco, pode ser? Vou falar com Paty e Marreco". Depois que ela retornou a ligação, disse: "Amiga, falei com eles, não dá. O carro está todo montado, cada coisa em seu canto, passamos horas encaixando tudo para caber, estamos cheios de coisa, não tem espaço mesmo, impossível". Ok, fazer o quê? Quase choro, mas o jeito era me conformar. Então Marreco me ligou: "Nada disso, a gente tira o que for preciso do carro, me dê dez minutos, vou rearrumar tudo". Aí, confirmada a possibilidade de enfiar eu e Angelo no Fiesta de Paty, Dany avisou: "Mas tem o seguinte: não dá para levar mala, nem mochila, não cabe. Traga uma sacolinha de mão com o que for indispensável. E rápido, estamos chegando aí".
Eu e Angelo corremos: abrimos a nossa linda malinha toda arrumadinha, arrancamos uma camiseta e uma bermuda cada um, calcinha e cueca, escova de dente e uma toalha. Vestimos calça, que era mais complicado de levar e que poderíamos querer na noite fria do Capão, e amarramos casaco na cintura. Sapato, só o do pé. Enfiei minha bota. Vamos nessa.
Foi um dos melhores fins de semana de minha vida. Mesmo fazendo a trilha da Fumaça com bota de cano alto, mesmo sem shampoo, mesmo com o aperto do carro, mesmo dormindo de calça jeans com uma mulher doida pelada no quarto do albergue. Foi indescritível. Maravilhoso.
Ah! Também fiquei feliz por ter lembrado de levar o sutiã, porque pude tomar banho na trilha sem criar qualquer tipo de escândalo.
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Fotitas, fotitas, fotitas:

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