27 de agosto de 2007

Crescer ou não crescer: eis a questão

No dia em que fiz 18 anos, em 26 de abril de 1999, eu passei algumas horas da minha tarde num salão de beleza. O objetivo era simples: mudança radical.

Deixei para trás as minhas longas madeixas, que tinham me acompanhado a vida inteira, e apareci na minha festinha de aniversário de cabelinho curto, com mechas muito doidas, do vermelho ao dourado. Meu namorado nem me reconheceu quando me viu. Era todo mundo de boca aberta.

Desde então, nunca mais meus cabelos passaram dos ombros. Vez ou outra, decido que vou deixar crescer, pra ficar grandão, pra ver chegar perto da cintura, como era. Mas... vai chegando no ombro e eu desisto e meto tesoura outra vez e começo tudo de novo.

Estou novamente neste momento de impasse: estou doida pra ver meu cabelão de volta, mas também já estou doida pra ter ele curtinho again.

E agora, José?

E agora que marquei um corte pra esta semana. Ainda não sei o destino que darei à cabeleira: pode ser só uma ajeitada ou pode ser tesoura drástica. Pode ser que eu siga rumo ao cabelo imenso e pode ser que eu assuma que eu nasci mesmo pra ter cabelo de macho - é uma fixação, eu vejo mulher de cabelo curto na rua e fico nervosa, com vontade de correr ao salão mais próximo...

Qual seu voto?
Me ajudem.




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Update:
Controle de votação:

Samantha - corta.
Zeca - não corta.
Ernesto - corta.
Nanda - não corta.
Fabrício - não corta.
Rabuja - corta.
Nana - não corta.
Rafaela Novais - não corta.
Malcon - corta.
Alex - corta.
Hugo - corta.
Leo Marques - não corta.
Luisão - raspa!
JP - corta.
Clóvis - não corta.
Marcela - corta.
Dimitri - corta.
Magda - não corta.
Drá - não corta.
Fefê - não corta.
Samira - corta.
Leo Cravo - corta.
Ricardo - corta.
Fábio - não corta.
Angelo - não corta.
Rafaela Manzo - não corta.
Tarso - não corta.
Thiago Brandão - corta.
Dona Mel - corta.
Tiago Aziz - não corta.
Candido - não corta.
Thiago Trad - não corta.
René - não corta.
Pedro - não corta.

Corta - 14
Não corta - 19
Raspa! - 1

19 de agosto de 2007

Todo castigo para pobre é pouco

- Não, Paula, que é isso? Sexta-feira à noite em casa é coisa de depressão profunda, fim de carreira.
- Esqueça, amiga, não tenho um real, não dá não.
- Ah, eu não acredito...
- Ô, fazer o quê? Se tivesse um programa-de-graça-boca-livre...
- Então, hoje tem calourada, é de graça e eu compro uma garrafa de vodca. Vamos?
- Vamos.

E ela veio me buscar. No carro, cinco pessoas, uma garrafa de vodca, outra de vinho, um isopor com cervejas, gelo, refrigerantes. Fartura. Farra pura, xixi no mato, Beatles e forró. Nunca mais tinha dançado tanto forró, delícia-delícia.

- Tá na hora de ir, né?
- É, chega, vou chamar o povo.
- A outra lá disse que vai ficar por aqui, vai voltar com o morenaço dela.
- E ela não vai mais dormir em sua casa?
- Vai sim, por causa do compromisso de amanhã, ela vai sair com ele e vai depois lá pra casa, deve me bater na porta de madrugada.
- Que inveja.
- Invejona.

Fomos embora. No carro, quatro pessoas, uma garrafa de vodca vazia, a de vinho ficou no lixo, o gelo derreteu e ainda sobraram cervejas.

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11 da manhã.
- Cadê você, miséria?
- Oi, amiga, tô indo!
- Porra, fiquei de olho no celular a noite toda, esperando você aparecer, isso são horas?
- Calma, amiga, tô indo.
- A gente tem de correr, peste, lembra que você tem compromisso às 13 horas?
- Tô ligada, amiga, não se preocupe, tô chegando.

11:30.
- Que porra de "tô chegando" é essa? São 11:30, porrinha.
- Oh, amiga, eu estou a caminho, estou aqui andando com o moreno.
- Andando? Andando onde? Como assim?
- Andando, amiga, fique calma, eu estou chegando.
- Pare com esta porra de andar e venha logo.
- Se eu parar de andar, eu não chego.
- Ahn?
- Paula, fique calma, eu estou indo.

11:45.
- Você está de sacanagem, né?
- Estou andando.
- Você está vindo andando?
- Estamos andando.
- Sim, dá para me explicar isso? Você está vindo andando?
- Não, nããããão!... Que nada! Você acha??? Quer dizer... É... Bem, estamos apenas caminhando...
- ...
- Olhando o mar, passeando, não é legal?
- ...
- Amiga, me dê mais uns minutos, tô chegando.

12:15.
- Paula, cheguei.

Abro a janela para ver a peça lá embaixo e mandar ela esperar que eu já ia descer correndo pra gente sair. Ela me arregala os olhos, pálida, cara de desespero.
- Amiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiga, pelamordedeus, abra a porta, se eu não beber água, eu morro, preciso de água, água, água.
- Aff, tá bom, espera aí.
- Paulaaaaaa, pelamordedeus, eu estou morrendo, vim andando da Pituba até aqui, atravessei aquela Manoel Dias inteira, Amaralina, Rio Vermelho, abra a porta, rápido, me salve.

E lá sobe a mulher, toda torta, toda dura, mancando, perna bamba, salto alto, pés inchados, cara de louca e seca de sede. O homem não era motorizado. E ela saiu do motel sem dinheiro nenhum, disfarçou o papo, atravessou uns bons quilômetros repetindo o quanto gostava de andar, o quanto era agradável passear ao lado do mar, vamos caminhar juntinhos, e lá foram os dois, ressaqueados, sem dormir direito, debaixo de um sol escaldante, cheios de sorriso falso na cara: a situação ridícula do ano. Passou o resto do dia dolorida, sem forças e gemendo ao se movimentar, ui, ai, ui, socorro.

Todo castigo para pobre é muito pouco.

9 de agosto de 2007

"Paula enjoou de ser branquinha e quer ser estampadinha"

Novembro de 2001.
Eu com medo da reação, mas achei justo falar antes:
- Pai, o que você acharia se eu fizesse uma tatuagem?
- Uma tatuagem??
- É...
- Eu acharia massa! Acho lindo! Acho lindo mulher com tatuagem!
- SÉRIO?
- Quer tatuar o quê?
- Marcelo desenhou uma flor para mim.
- Que legal! Vai fazer quando?
- Acho que, pelo visto, agora mesmo.
- Então vai lá e volta cá para eu ver.

Fiz minha tulipa amarela, desenhada pelo meu primo, na região do tornozelo. Meu pai achou pequena. Minha mãe surtou.

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Junho de 2006. Eu e Angelo resolvemos tatuar na pele a nossa união, as peças que nos faltavam um ao outro. Doeu loucamente, tatuar o pulso é uma tortura. Meu pai torceu o nariz e achou que fiz uma grande besteira. Minha mãe chorou e disse que estava decepcionada, achava que eu era inteligente demais para ter feito "tamanha burrice".

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Agosto de 2006. Fui fazer uma tatuagem surpresa, ninguém sabia da minha nova intenção. Cheguei com a idéia de tatuar um troço que eu não sabia explicar direito o que era, só sabia dizer objetivamente o local do corpo escolhido. Fui descrevendo o que eu via, as formas que queria, pedi bolinhas e traços e, depois de narrar meus delírios, João definiu: você quer que eu desenhe um sopro? Sim, acertou, é isso. E a tatuagem foi feita direto na pele. Meu pai disse que era bonita, mas que já estava bom, é a última, certo? Minha mãe disse que era ridícula, você está se enchendo dessa coisa, está toda riscada, o povo tem preconceito, minha filha, pare com isso.

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Setembro de 2006. Eu e Angelo voltamos ao estúdio para retocar as peças do quebra-cabeça. Enquanto meu então marido sofria, eu aguardava, me distraindo entre os desenhos de João. Encontrei lá no meio umas flores que eu havia visto em junho, que eu tinha achado lindas e que estavam reservadas para mim:
- Gostou? São suas. Vão esperar você para quando tiver coragem.
Desisti de fazer o retoque e tatuei o meu jardim. Ele se juntou à primeira flor, subindo pela batata. Meu pai riu. Minha mãe disse que tinha me feito perfeita e que eu estava me estragando.

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Outubro de 2006.
- De tanto você fazer estas tatuagens doidas, eu sonhei que eu estava fazendo uma. Acho que fiquei com esta maluquice na cabeça.
- Hahahahahaha.
- Dói?
- Bem, como explicar? Depende... Não dóóóóóóói, é mais uma ardência. Dá para aguentar de boa.
- Será que seria ridículo se eu fizesse uma?
- HUAHUAHUAHUAHUAHUAHUAHUAHUA!
- É, eu pensei que poderia fazer um desenho bonitinho em homenagem a meus filhos, que tal?
- Ai, ai, até parece...
- É sério, Paula, você acha que seria ridículo, não estou velha para isso?
- Minha mãe, eu ia achar massa, pena que você só está zoando com minha cara.

Mas não é que minha mãe fez uma tatuagem?

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Agosto de 2007. Fui retocar a porra toda. A tattoo da perna me custou três longas sessões no período em que foi feita, mas faltava retocá-la, consertar detalhes. João, quando viu a do braço, achou que precisava de uma segunda mão também. Vamos nessa.
- Quero sair daqui com alguma novidade, já estou na seca de traços novos.
- O que você quer?
- Aumenta a do braço.
- Com o quê?
- Uma borboleta, mais bolinhas, mais tracinhos.
- Vai ser na mão direto também, tá?
- Lógico, o braço é todo seu.

E o meu sopro cresceu.

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A frase-título é de minha tia Beth, achei o máximo quando ela disse isso, hahaha.

5 de agosto de 2007

Saldo de um fim de semana

Sexta-feira.
Fase 1: Boteco no Politeama. Cervejada.
Fase 2: Dinha. Mais cerveja e minha primeira clássica dose de vodca com gelo.
Fase 3: Póstudo. Mais cerveja, mais duas clássicas doses de vodca com gelo e dois deliciosos miolos de macaco.

Uma amiga ficou com um ginecologista. Deve ser uma experiência interessante.

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Sábado.
Fase 1: Reunião de trabalho das 16 às 20 horas.
Fase 2: Fofoca na casa do amigo, colocando o papo em dia. Uma única cervejinha.
Fase 3: Dinha. Outra única cerveja.
Fase 4: Passagem relâmpago no Salvador Dali.
Fase 5: Boomerangue. Duas clássicas doses de vodca com gelo. Quatro cervejas.

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- Qual a sua idade?
- Vinte e um.
Falou com certa segurança. Eu ri de canto de boca.
- Hum, vinte e um...
- E você?
- Tenho vinte e seis.
- Ah, é novinha ainda!
Resposta típica de quem me achou velha e quis ser simpático.

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Vou embora.
Vou me aproximando do carro e a cena, de longe, já revela o ocorrido: há um pneu no banco do carona. Fodeu. Abro a porta, vidro para todo lado. Tudo revirado. Todos os CDs roubados. Banco solto. Painel remexido, tudo empenado. Mais uma vez tentaram levar o som, mas ele é anti-furto, não sai nem com a porra, bem feito para eles. Respiro fundo, quando é a quinta vez que isto acontece nem assusta mais. Passa o carro da Set. Gritei, saltaram, olharam, "nos siga", me levaram para a delegacia, não sei para quê. Dei queixa. Depois, voltei ao carro arregaçado e o cara da Set se aproxima para se despedir. Agradeço e ele me passa a mão no ombro e pergunta se quero companhia para voltar para casa. Recuso. Ele pergunta se estou bem. Digo que sim. A mão do ombro desce para o braço e ele conclui: "Ok, gata, tenha uma boa noite. Qualquer coisa, grita de novo". Eu mereço.

1 de agosto de 2007

Liberal Libertário Libertino em Salvador

Alex existe de verdade. Esteve aqui comigo, na minha casa e perambulando pela cidade, durante cinco dias. Foi ótimo, haja história pra contar, mesmo eu o tendo feito ir para uma balada do tipo que ele detesta, mesmo ele tendo me feito ir assistir a Duro de Matar 4.0. Eu o apresentei a Ernesto, Carol, Babs, Rafaela, Rabuja, Moniere, Fábio, Thiago, Dimi-Dimi, Luisão, Fernanda, Cury, Angelo e à minha família. Ele me apresentou a Drá. E nos juntamos, enfim, pessoalmente, a Marcela, o melhor presente que ele me deu. Ganhei um livro e um leque cubano. Fui à praia e tomei sol, um grande feito. Fofocamos horrores. Bebemos um monte. Falamos baixarias sem fim. Ele tirou foto de um monte de pés. Viramos algumas noites. Ele pisou em sorvete. Eu almocei várias vezes. Dançamos e cantamos. Conhecemos um ator global, fomos ao Solar do Unhão e ele nem lembra, comemos maniçoba no Pelourinho. Vimos uma Salvador gelada e chuvosa, muito chuvosa. Alugamos filme e comemos pipoca. Enchemos a casa de gente. Ele perdeu o vôo e voltou de ônibus, a esta altura está na 12ª hora de viagem. (Espero que chegue bem e inspirado, feliz de volta aos braços da Liloló, de quem ele fala sem parar.)
Ai, como a vida é boa.

O que se esconde

Eu já estou lendo isto há algumas horas, já li um sem número de vezes, e só agora estou começando a aceitar que, sim, o troço foi escrito pra mim.

Estou há um tempão tentando entender que raio de atitude eu demonstro para que alguém reconheça em mim algo tão forte e bonito. Fiquei orgulhosa e com medo. O que existe em mim de ser dito deste jeito me custa um preço alto, que pago às vezes de maneira muito dolorosa. Não é simples ser o que se quer, muito menos é simples descobrir o que é que se deseja, de fato.

, você me causou um rebuliço enorme.

20 de julho de 2007

Conflito de gerações

A minha mãe adora farofa, mas come um tiquinho só, coloca no canto do prato e mela a garfada como se melasse com pimenta. Eu também adoro farofa, mas para mim ela precisa de uma quantidade proporcional ao banquete, encho e como com gosto. Eu digo isso para a minha mãe sempre, mas é em vão: toda vez que ela prepara um prato ou uma quentinha para mim, a farofa vem num cantinho quase imperceptível, que não dá para nada.
Não tem jeito. Tem coisas que a mãe da gente não entende.

9 de julho de 2007

Kinsey

Vô,
talvez você não saiba, mas sou uma pessoa bem chata quando o assunto é filme. Eu quase nunca gosto muito de um, quase sempre acho que perdi tempo. Não consigo bem encarar esta arte como entretenimento, não vejo nada de divertido naquele ritual de ir para o cinema, como se fosse uma opção de programa como outra qualquer. Bem, talvez eu seja mais do que chata, talvez isto soe pedante, talvez eu seja caxias demais com algo que nem exigiria postura alguma, sei lá. O fato é que filme tem que me dizer alguma coisa, tem que falar comigo e me emocionar de alguma maneira. Já viu? Sou exigente. E autoritária. Estou brincando: este é apenas meu modo de ver, eu só gosto do que eu gosto e pronto. E, deste jeito, para estes raras obras que me tomam, eu dedico um amor profundo.
Eu vim lhe falar isso por um motivo simples: preciso que o senhor me liste todos os filmes que te causaram espanto, ojeriza e desgosto. Não, não quero aqueles que você não gostou porque são ingostáveis mesmo, os idiotas que tratamos com indiferença - quero saber exatamente os que não foram indiferentes, os que mexeram de verdade com sua antipatia. O motivo disso? Vou explicar: toda vez que fui assistir a um filme que lhe causou repulsa, eu fiquei apaixonada. Estou encantada. O fato de o senhor ser crítico de cinema não confunde o fato de que temos idéias completamente opostas. E, tendo esta sua lista em mãos, certamente vou me esbaldar até lamber os beiços.
A propósito, agradeço por ter me indicado Kinsey deste seu jeito tão peculiar. Que filme belíssimo!
Um beijo,
sua neta.


[Mais um texto tirado do baú, escrito em novembro de 2005.]

28 de junho de 2007

Ignore

Hoje eu não estou boa de sentir amor, nem de decidir sobre minha vida, nem de dar início às pendências que me perseguem há dias. Hoje não estou boa de aceitar convites, nem de fazê-los, nem de pensar no fim de semana. Hoje não quero ver minhas contas, mas preciso, hoje não quero produzir, mas preciso, hoje não queria ficar no computador, mas preciso. Minha cama me chama, uns desejos me chamam, a vontade de fugir voltou e o dia da terapia parece estar tão longe, mesmo sendo amanhã. O tempo, mais uma vez, urge, eu o detesto. Não há calmante nem injeção que tenha me feito sentir menos a agonia de um dia em que tudo fica rígido. Eu também odeio textos deste tipo.

18 de junho de 2007

Dezoito de junhos passados

Vez ou outra, releio coisas que escrevi no passado. Pode ser em diários, agendas, cadernos, anotações, arquivos no computador ou nas inúmeras páginas onde estão os textos dos blogs antigos que tive.

Hoje, li coisas que publiquei no dia 18 de junho de tantos anos que se foram por aí.
Vou dividir duas delas.

Em 18/06/06
Machucados

Era um menino esperto e livre, gostava de andar de pés descalços e sujá-los a ponto de marcar o chão com suas pegadas. Ele dançava e pulava de repente, porque se sentia às vezes inspirado por emoções que simplesmente deixava virem. Apesar de criança, sabia o que queria e entendia o que trazia por dentro. Só tinha medo de ter medo, seu desafio era este. Não recuava, não deixava de se ver e não deixava de dizer. Reclamavam de sua teimosia e boca suja, porque acontecia de surpreender com escândalos e brigas sem fim. O menino achava aquilo injusto. Não podia ser condenado por ser birrento, era apenas verdadeiro.

O menino agora homem traz consigo sua infância. Ele a mostrava inevitavelmente, gostava muito de ser assim. Era o que trazia de mais precioso e queria preservar os traços mais institivos e honestos de sua personalidade.

O menino, agora homem, só não sabia que tantas coisas iriam obrigá-lo a endurecer.


Em 18/06/05
Rave entre amigos

No sonho, ela sentiu muita vontade de dar beijo na boca. Era vestígio do álcool e de sua pulsões internas - porque a bebida deixa todo mundo mais assanhado mesmo e não ter que podar os desejos fazia a menina se sentir enormemente viva, como precisava. Então dançou como há muito não fazia, de olhos fechados, batendo os pés no ritmo das estocadas nos ouvidos, sem passo certo, até a perna doer. Rindo e se divertindo a la cenas cinematográficas, daqui e dali dava uns beijos em boca de mulher e de homem, misturados entre gargalhadas loucas e novos pulos. E goles de vinho. E brincadeiras descompromissadas. E inveja alheia. A energia que se fez despertar, que não veio do outro, mas fluindo dela para ela mesma, quase incomodou o sono, apesar de ser sonho. Quando o olho abriu, ela pegou rápido o telefone e contou baixinho as estripulias da viagem noturna. O prazer não era de sexo, não era isso. O prazer era do novo, do livre, do amor que permite.