Afirmativo, positivo, atento, a postos. Em frente, seguindo, aposto, invisto. Sim, sim, sim. Sim aos dias, às oportunidades, às provas, às experimentações. Sim.
(Mesmo que não, mesmo que talvez, mesmo que haja dúvida.)
Aí eu questiono o tamanho da minha frieza, dos meus cálculos. Do meu modo contraditório – e tonto, que me deixa com aquele ardido esquisito na cabeça que só muitas voltas em torno de si mesmo, ou muitas dúvidas, causam – de saborear sabores, cheirar cheiros, tocar toques. Porque sou inconseqüentemente intensa na mesma medida em que sou terrivelmente controlada (e me entrego tanto quanto teorizo, e sou fútil tanto quanto sou densa). Eu nunca me entendo, mesmo sabendo com autoridade as coisas de mim. Eu não entendo como posso não levar as coisas a sério, já que sou assim engajada com tudo. Enquanto analiso a lógica de cada movimento, e compreendo a razão de ser do que é, eu vejo bem claramente que nada tem sentido, mesmo que tenha. Eu digo sim e não para todas as perguntas o tempo todo.
Tomei coragem e escrevi de ponta a ponta o nome inteiro, desenhando cada letra com bravura, ciente do resultado que viria e da palavra que se formaria. Foi uma decisão consciente empunhar a caneta e fazer com força as linhas que tornariam tudo sólido, visível, compreensível. Legível. Fiquei assistindo minha mão espalhar a tinta, formando aquilo diante de meus olhos. Escrevi. Com cuidado e capricho. Demorei mais na primeira consoante, com certo medo de seguir em frente, assustada com o que me impulsionava a superar o que nego: assunção. Vai lá, pega e escreve, não é o que tem vontade de pintar pelo seu caderno? Então respirei, abri a página, abri e olhei o papel em branco: vai. Comecei reticente, cuspindo com os dedos. Trêmula, viciada, meio infantil. Linha, letra, risco, pronto. Não sei quanto tempo durou. Passou rápido e lento, talvez congelado, talvez sem mim, certamente distante dos que pudessem estar vendo, também surdo para quem estava falando. Depois de completo, acho que sorri por um instante e fechei o caderno. Acho que parei por meio segundo e li inteiro. Acho que foi forte demais. Revejo na mente, não sei quando terei novo ímpeto para buscar a página usada neste bloco de tantas folhas.
Eu estava apaixonada. Bobamente e deliciosamente apaixonada. Com gosto de vida acontecendo, de vontade indisfarçável, de que tudo é sim, de que o coração acelerado impulsiona sem medida, em que não há tempo, não há dificuldade. Com aquela felicidade que, de tão boba, é sem letra. Com aquela cara besta reconhecível de longe, e as mãos seguram o queixo para dar suporte às viagens da mente, aos olhos perdidos e ao riso incontido. Aquela paixão nova que te transporta para filmes, com trilha sonora escolhida, com dança pelas ruas, com gosto do beijo e sensações vividas pulando na memória a todo tempo, fervendo mais a euforia, até transbordar.
Eu estava bem pelo que estava sentindo. Ele, não. Mas eu não sabia. Não claramente.
Saímos, como em qualquer outro dia. Desta vez, porém, rodamos a cidade inteira discutindo o que pensávamos e como víamos aquilo tudo. Foram horas. Horas de uma conversa muito difícil, muito honesta. Muito dolorosa.
Paramos num posto de gasolina. Vou pegar uma cerveja. Ele fica no carro. Minha amiga me liga.
- Tudo bem? - Não, não está. Mas não me pergunte a razão. Se eu falar, vou chorar, e o choro está aqui na ponta do olho, e eu não quero virar uma poça de lágrimas neste momento. - Chora, não é melhor? - É. Mas não agora, não aqui. Não vou falar mais. A lágrima está quase se formando, está quase pingando. Vou secá-las à força. Mas não demoro de chegar em casa. Aí te ligo e conto e choro tudo.
Olhei para o alto, esperei o olho molhado ficar seco. Voltei para o carro. Voltei para casa. E não chorei mais. Não saiu. Nunca mais. Nunca mais chorei por ninguém.
Luisão escreve. Escreve umas facadas de maneira sutil, quase lúdica, quase como uma criança diria. E dói, quase sempre dói pra caralho, ler, ouvir. Aí ele se junta a Fernanda, aquela mulher saída de um quadro perfeito, e criam, montam, esculpem, e ela canta - sem firula, sem frescura, só com sua vozinha que se finge de pequenininha, mas que é cheia de autoridade e que aumenta a força do golpe afiado.
Eu sofro horrores ouvindo Dois em Um. Deixem de se fazer de bonzinhos, deixem de se fazer de inofensivos e parem de me fazer em pensar em bobagens, seus malvados.
P.S. 1: Eu adorei os comentários todos do último post. Adorei. Adorei. P.S. 2: Têm rolado uns comentários de gente dizendo querer me conhecer. Poxa, também queria poder querer conhecê-los, saiam do anonimato!
E quando alguém que está terminando um relacionamento, cheio de medo e coragem misturados, pergunta: "Será que um dia eu serei feliz para sempre?", o que é que se responde?
- Ahn?? Se eu me apaixono? - A impressão que tenho é que você é tão independente, mas tão independente, que é auto-suficiente...
Sim, eu me apaixono. Me apaixono e gosto de me apaixonar. Me apaixono fácil e acho este o tempero mais gostoso da vida. Me apaixono por detalhes e busco razões em tudo para me sentir apaixonada. Que seja um beijo, um segundo, um relance. Adoro me sentir encantada e encontrar motivos para que meus olhos brilhem. Eu futuco, eu observo, eu pergunto, eu garimpo. Eu preciso descobrir e matar minhas muitas sedes. Sempre me entrego, seja qual for o modo que esta entrega possa ser vivida. Não quero o mais ou menos, nem a sensação de estar gastando meu tempo com algo que não tenha poder de ser fulminante – e me esbaldo com a intensidade que não sei deixar de ter ao experimentar o mundo. Eu sou assim, uma pessoa de paixões. Sou tão dada e escrava do que sinto que me torno contraditoriamente independente. Sou dona do que sou e não tenho medo do que desejo. Sim, eu me apaixono, me apaixono sempre. Nunca é vão.
Esta mereceu sair das páginas do fotolog e vir pro blog.
A bela e a fera Era sexta-feira à noite, nada interessante pra fazer, Talvez assistir Globo Repórter Especial na TV. Dei (lá ele) uma olhada no jornal atrás de novidade, Algo de novo acontecendo pela cidade. Mas a impressão é que nada acontecia Justamente em Salvador, a cidade da magia. Ok, exagero meu. Se quisesse na jaca meter o pé, Podia pagar pra ver o show do Parangolé. Shows desse tipo, entretanto, não vou amiúde Pois acredito que fazem muito mal a saúde. Permaneci pensando, então – eterna labuta – Quase sucumbindo a um tédio filho da .... Estava disposto a pegar a moto, até ir tomar um vinho Só pra não ficar em casa me deprimindo sozinho. Foi quando tocou o telefone e era o meu amigo Xandão Convidando-me pra aparecer no Balcão. Justamente onde tinha passado meu reveillon, A BANDA DE ROCK estaria fazendo um som! Saltei da poltrona, não contei conversa E me arrumei em poucos minutos com muita pressa Pois, incrivelmente, no momento atual Ainda existe uma banda relativamente pontual, E também eu já estava certo que o meu dia Necessitava ao menos uma boa melodia Para que eu fosse, sei lá quando, dormir em paz Pois axé, pagode e arrocha eu não agüento mais. Na mesma mesa: Renaty, Nanda e Xandão... Uma overdose de amigos pra esse velho coração! Eu estava emocionado, bobo que sou, Com as pessoas que amo além do bom e velho rock n roll! E naquela noite, ainda sentado à mesa Fiquei feliz com a grata surpresa De que a melhor banda de rock do mundo (há quem jure!!!) Teria o retorno de Ricardo Cury. Foi quando vi chegar, entre todas, a maior Cascadurete: Ninguém mais ninguém menos que Paula Berbert! Educadamente falou com todos e sentou ao nosso lado Chamou o garçon e pediu logo um destilado! Um drink aqui, outro acolá E eu pensando: quero ver onde isso vai dar! De repente, levantou-se como se fosse sair Mas que nada! Sem qualquer medo de cair Num rompante, sem eira nem beira, Suspendeu o vestido e pulou pra cima da cadeira! Alheia aos amigos que permaneciam se preocupando, Paula, com passinhos seguros e leves seguia dançando. Dois rapazes espertos, nada trouxas, Ficaram boquiabertos com o par de coxas Aparecendo por baixo daquele vestido Que com uns 50cm a mais tornar-se-ia apenas semi-comprido! O mais interessado de todos no ocorrido, entretanto, Estava ali, sentadinho ao lado, bem no canto Aproveitando, de forma sucinta e apropriada o grato ensejo Para expressar, em nome de todos os homens, por Paulinha, desejo! Vocês, leitores, não acham que diante da deusa, nosso querido Xandão Mais se assemelha com um fofíssimo cachorro pidão!?
Retribuição! Era sexta-feira à noite, eu do outro lado da cidade Doida para ir ao Rio Vermelho matar a saudade Minha Primoca estaria lá com os amigos Entre eles o cara que “eu já gosto”, o tal do Lubisco Cheguei feliz e contente e me aproximei E uma singela dose de vodka eu solicitei Uma apenas, umazinha só Só para aquecer e a festa ficar melhor E no impulso natural que no meu sangue corre Levantei-me para dançar – nada a ver com porre! Querendo manter a honra e a tradição Subi na cadeira, com meu copo na mão Apenas uma cena ingênua, como podem notar Passinhos de danças, risos e poses pra fotografar O vestido era curto, mas nem era esse exagero! Estava tudo bem coberto, nao me deixe em desespero O bom comportamento reinou com maestria Nada que não fosse simples expressão de alegria! Xandão, bom ator, criou a cena ao meu lado Para virar foto engraçadinha, tudo bem montado. Agora abro a internet e me deparo com a surpresa Depois da gargalhada, retribuo a gentileza Cheguei a pensar se me sentia homenageada, Se morria de vergonha ou se ficava aqui chocada Mas, na real, caretice não é comigo não E eu vejo tudo isso com enorme emoção! Agora que consegui parar de chorar de rir Venho cheia de orgulho registrar aqui: Eu sou mesmo uma pessoa muito privilegiada Por ter ao meu redor tanta gente inspirada Obrigada pela homenagem, Lubisco e Primoca queridos Obrigada tambem a Xandão, assistente preferido Me despeço feliz e emocionada, me sentindo A famosa Na torcida de que venham muito mais noites deliciosas!
Retribuição da retribuição Ora, ora quem diria! Disso realmente não sabia! Além da perna atlética Paula tem uma veia poética! Mostrou-se muito hábil Com rima fluida, divertida e ágil. Porém, tão ruim como sentir fome É conseguir rima para o meu nome. Humildemente, Paulinha, estendo a mão E deixo aqui uma pequena lição:
Não fazia sol, caía um leve chuvisco. E um amigo meu, que rompera o menisco Ficava em casa fazendo rabisco Vendo televisão e comento petisco. De comer tudo e tanto, menos marisco, - Sempre refogado com tempero Arisco - Ficou grande como um obelisco.
Brincadeiras à parte, Aproveitemos esse pé na arte! Que se divulgue no A Tarde, Istoé e Veja O nascimento de uma dupla nada sertaneja Pronta pra, sem modéstia alguma, dar aula. Abram alas, senhoras e senhores, a Lubisco & Paula.