1 de julho de 2008

Fofa da Internet

Brincando de revirar o Site Meter para ver de onde vêm as pessoas que lêem este blog, descobri uma coisa fofa: alguém entrou no Google, buscou por "eu amo minha vida", e veio parar aqui. Sim, hoje eu sou o 10º resultado (dos 4.090.000 disponíveis) para quem pesquisa isso.

Achei bonitinho.

30 de junho de 2008

Recorrente

Mais uma vez, me perguntaram se eu me apaixono.
A pergunta sempre vem simples e direta, em uma forma curiosa de quem parece estar tentando entender um comportamento desconhecido:
- Paula, você se apaixona?
Pronto, é assim.
Minha reação sempre é de espanto, por mais que eu já devesse estar acostumada. Às vezes, eu acho que a pessoa está querendo me testar. Às vezes, eu acho que é piada. Por fim, sou convencida de que é uma dúvida honesta e me vejo intimada (na verdade, mais por mim mesma do que pelo outro) a dar uma resposta em tom de discurso. E solto um texto rasgado... apaixonado.
- Paula, você se apaixona?
- Sim, eu me apaixono. Droga, merda, eu me apaixono, caralho!, que maluquice é essa?

[Só espero não me apaixonar mais uma vez justamente por quem me questiona isso.]




Já escrevi sobre esta pergunta aqui também.
Ai, ai.

24 de junho de 2008

Half a Person

Ou Back To The Old House
Ou Girl Afraid
Ou Heaven Knows I'm Miserable Now
Ou I Keep Mine Hidden
Ou These Things Take Time
Ou I Know It's Over
Ou Is It Really So Strange
Ou I Started Something I Couldn't Finish
Ou I Want The One I Can't Have
Ou Last Night I Dreamt That Somebody Loved Me
Ou What Difference Does It Make?
Ou Please, Please, Please, Let Me Get What I Want
Ou You Just Haven't Earned It Yet, Baby

(Qualquer título deles parece caber agora.)

Os Smiths, a voz de Morrissey e a batidinha rítmica típica das músicas deles me lembram um tempo bom. Um tempo em que eu sorria sem tentar traduzir o que sentia. Eu simplesmente vivia e era feliz. Era livre, desprendida e leve. Tinha o mundo inteiro para experimentar, acreditava que as coisas existiam todas para mim, à minha disposição. Eu me jogava, mergulhava e tudo parecia dar certo. Eu tinha um prazer enorme em passar por cada segundo, em descobrir, em investir. Eu me lembro de muitos sorrisos, de uma satisfação íntima infantil. Eu gostava até de sofrer, porque me sentia mais forte quando passava. Eu era assim cheia de esperanças, não me escondia atrás de convicções e consciências castradoras. Meus medos eram mais motivadores do que concretos e alertas. Eu encarava as coisas com a firmeza de quem ama mais do que pensa. Eu amava mais e pensava menos.

Os Smiths ontem me esfregaram na cara as minhas incompetências. E doeu ouvir a trilha sonora do passado ser tocada numa situação tão drasticamente oposta às minhas memórias.



Tudo isto me lembrou este texto de Alex: Fantasmas de Felicidades Passadas. Recomendo!

9 de junho de 2008

Eu sou ego

Tenho uma bolsa Diesel, comprada na 25 de Março. Nunca sei ao certo se estas coisas vendidas em São Paulo a preço de banana são falsificadas ou contrabandeadas – mas, sem dúvida, estou carregando produto de algum comércio, digamos, impróprio. A bolsa é bonita e utilitária, e me foi dada por Cecília, quando ela me viu carregar por aí, de modo inadequado, o laptop em que agora escrevo este texto. “Tenho solução para você, uma bolsa legal que comprei em Sampa, vai servir direitinho” – e me repassou o que era dela. Cecília tem dessas, Cecília é assim: disponível, desprendida.

Em nossa mais recente viagem em família, mais uma cena de café da manhã em que eu me juntava aos retardatários, ela questionava: “quer um suco?, quer que eu frite um ovo?”. Alguém comentou: “Cecília é tão cuidadosa, é tão bonito isso”. Ela sorriu, eu sorri, nada mais se falou. Creio que, para ela, isto é tão natural que talvez nem merecesse elogio, então só sorriu. Para mim, esta sua atitude é um mérito que nem sei nomear, então só sorri. Eu tendo ao individual, ao independente, ao cada um se vira no seu canto. Não sou boa integrante de grupos. Do lado de Cecília, a minha consciência sobre a minha inabilidade com o que é coletivo, atencioso, cuidadoso e amparado se evidencia.

Uma vez, numa conversa entre nós duas, Cecília questionou a razão de eu afirmar que era incapaz de me ver mãe. Eu já tinha antes, em outras muitas oportunidades, falado de minha opção de não ter filhos – opção que não é de sempre, que se confirmou em mim não tem muito tempo, mas que também não me atrevo a colocar como definitiva, porque conheço a inconstância de minhas vontades –, e isto nunca lhe foi surpreendente. Ouvir que eu me sentia incapaz, no entanto, lhe causou curiosidade: por quê? “Porque, Cecília, eu não sou solidária o suficiente”. Não me vejo abrindo mão de meus segundos, desejos, liberdade e noites bem dormidas para ser uma boa mãe como ela é. Eu saberia ter sempre de pensar numa segunda pessoa? Não consigo conceber dividir o foco de minha vida entre meu umbigo e outro ser dependente de mim. Sim, eu sou egoísta, sedenta, não sei não me ter como centro do que escolho, faço, tenho como válido, importante, ético. Será que me passaria pela cabeça oferecer uma bolsa minha, de que gosto, assim? – tome, leve, é sua!

Outro dia, Renata veio se arrumar em minha casa. Deixei o armário aberto para que ela escolhesse o que quisesse. Qualquer coisa. Cecília já fez isso comigo inúmeras vezes. Eu nunca tinha feito com ninguém. Não foi um esforço, não foi pensado: eu simplesmente me vi disponibilizar para Renata tudo que tenho. Ela escolheu um vestido, um colar e a bolsa da Diesel (que eu nunca usei para nada senão para carregar o laptop, a gente às vezes rotula as coisas sem nem pensar). Ficou linda e eu fiquei feliz de ela ter ficado linda. No meio da noite, eu tomei uma decisão motivada por algum comentário que ela fez sobre o colar:
- Fique com ele pra você, Marida.
- Sério? Você não usa? Não gosta dele?
- Uso e gosto, mas você também está usando e gostando, fique pra você.

Ver Renata satisfeita com o presente me fez bem.
Sou mesmo egoísta ao extremo.



Texto escrito na madrugada de ontem para hoje, durante um dos meus momentos auto-analistas. Não revisei, não ajustei, nem incluí o final que eu pretendia fazer depois. Só adiciono, agora, a afirmação de que se eu já te dei algo que era meu, se você já me fez parecer não ser egoísta, é porque te amo muito, mais do que está sob meu controle.

9 de maio de 2008

A história de uma semente e seu terreno

- Buja, vai sair daí que horas?
- Umas seis e meia.
- Vamos no shopping comigo?
- Vamos.

Ele sempre vai. Ele nunca me deixa só.
Mesmo que seja para me assistir dançar pelos corredores, repetir as mesmas falas, experimentar todos os óculos da loja, babar em frente às vitrines de lojas de sapato.
Não, ele nunca me deixa só.

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Julia é minha amiga desde que eu tinha uns 12, 13 anos. Passei a adolescência mais na casa dela do que na minha, daquele jeito que você se sente parte da família, abre a geladeira, chega sem avisar, fica sem ninguém estar, participa dos almoços especiais, tem presente na árvore de Natal.

Julia tem dois irmãos - Tiago e Babal - que me serviram na vida como primos próximos: o mais novo era o pirralho que a gente perturbava, o mais velho era o instrutor-chefe das estripulias, sem deixar de me dar ordens e conselhos "de quem tem mais experiência".

Julia também tem um primo, Flavinho, que, por coisas da vida, foi morar com os tios e virou filho da casa. O mais velho de todos, sério feito a porra, nunca me dava ousadia. Acho até que eu tinha um pouco de medinho dele - olha, lá vem Flavinho!

A gente convivia muito.
E, por tudo, por um monte de histórias que cabem nestes anos todos, sempre apresento Julia como minha irmã.

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Flavinho entrou na faculdade. Todo sério, ainda, todo de lá de longe. Aí Flavinho me arranja um amigo, colega universitário, que dá de se enfiar na nossa rotina. Estou eu lá, de perna pra cima, na sala, vendo televisão, passa o gordo cabeludo. "Bom dia", "boa tarde", "boa noite" – e olhe lá, porque o rabugento aproveitava momentos de maior movimento para que o não-cumprimentar passasse despercebido. O povo reunido, as festinhas, a gente lá, cada um de um lado.

Então, um dia, Julia resolve promover encontro de galeras dos irmãos todos e fomos a um boteco no Stiep, cantar em videokê: a novidade do momento. Meu então namorado achou péssima a idéia de eu sair com os amiguinhos de Tiago, de Babal, de Flavinho. Lembro de passar a noite fazendo discurso, que homem não sabe valorizar confiança, que homem não sabe respeitar o espaço individual, que homem não sabe incentivar a segurança de uma relação, que isso, que aquilo, que era essa porra mesmo, que comigo não! Eu tinha 16 anos. Santa ingenuidade.

Cantei uma música de Djavan.
Depois, cantaram uma música de Elis.

- Acho um absurdo cantarem Elis num videokê.
- É, por quê?
- Porque só pode se aventurar nessa alguém que tenha uma voz minimamente capaz de cumprir o desafio. Olhe o que esta mulher está fazendo! É crime!
- E você, que foi lá pra cantar Djavan? Quem é você pra falar? Acha que fez bonito?

Foi nosso primeiro diálogo. Previa que também fosse o último. "Acho que este Rabuja não gosta de mim."

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Lá vou eu pro bar. Fui encontrar uma galera e, na mesa ao lado, está o marido de Julia (sim, Julia agora é uma mulher casada, e eu sou madrinha e as porra, claro), acompanhado de Babal, Flavinho e o tal Rabuja. Sou intimada: fica um pouco aí, mas vem sentar com a gente depois. Atendi ao pedido e puxei uma cadeira. Aí choveu. Aí tivemos de trocar de mesa. E, vai saber por quê, o povo se arranjou de modo que me obrigou a sentar ao lado do gordo cabeludo. Depois de dez anos de oi's e um único diálogo desastroso, estávamos ali, fadados a uma conversa. Encaramos: começamos. Tem quase dois anos que isto aconteceu e o papo ainda não acabou.

[Angelo, Buja (ainda cabeludo) e eu (de cabelo curtinho), na nossa primeira foto oficialmente-amigos, em setembro de 2006, no chá de cozinha de Julia.]

P.S.1: Julia morre de ciúme, "Paula só quer saber de Rabuja, Rabuja só quer saber de Paula".
P.S.2: Flavinho continua muito sério. Um cara do caralho.
P.S.3: Terreno, te amo [em absoluto].

4 de maio de 2008

Do teu quarto, da cozinha, da sala de estar

Estou deitada na rede. Aqui, tranqüila, sem tempo, nem companhia, sem nem razão, eu, a rede naquele mexido suave (porque ela nunca fica totalmente parada), a varanda, as pessoas nos apartamentos vizinhos, o céu com nuvens grandes. Há muito tempo não fazia isso.

O laptop está no meu colo, sobre um travesseiro, para evitar que eu sinta tanto o calor que ele provoca. Estou zanzando pela vida, escrevendo e lendo, conversando e ouvindo música - além do som da rua, que me é meio estranho, esta coisa de passar carro em velocidade um atrás do outro, este barulho que, do meu quarto, eu não ouço nem de longe. Isto eu nunca havia feito: isto de deitar na rede com um computador. E isto de eu me dar conta de que os ruídos da madrugada da casa de meu pai são muito diferentes daqueles que meus ouvidos nem me avisam mais quando escutam.

Está ventando. Esta frase eu não dizia há meses. E a última vez que disse não foi em Salvador. Ainda tusso. Às vezes começo a me zangar com a tosse e me lembro da quinta-feira.

[Como a quinta chegou: de repente, foi despertada no fim de semana de excessos e de faltas. Segunda foi um dia pesado. Terça foi um dia corrido; à noite, em pouquíssimos minutos, "Baby, me leva pra casa, me bateu um cansaço repentino, e absurdo", dormi antes da meia-noite. Acordei, quarta, baqueada, fingi que não, trabalho e, ah, deixa só cá ver: 38,8º - durmo, morta, só acordo para dormir de novo.]

Quinta-feira:
- Topa almoçar com a gente?
- Talvez...
- Já está acordada??
- Não sei...
- Paula, está tudo bem com você?
- Não.
- Que foi?
- Minha garganta. Crise igual àquelas que eu tinha quando criança. Fechou.
- Se arrume, vamos chegar em vinte minutos.

Não me lembrava do quanto doía. Do quanto derruba, cansa, agonia. Uma irritação louca me transforma num misto de mau-humor e dengo, choro e reclamação. E me encolho triste, com frio e calor, com muito frio e com muito calor, arrepiada e suada. Inquieta. Sem voz, a boca que mal abre, comida que não desce, não atendo ninguém, não quero ver ninguém, não falem comigo não.

Há muito tempo eu não via a cara de pena do médico da família - acho lindo termos "o médico da família", somos a única família que conheço que tem "o médico da família": xiiiiiiii!

Doze horas seguindo as orientações de São Jorge Sá, estava eu fazendo piada e comendo pão. A vida pós-cura é de uma felicidade atentatória.


Isto era para continuar, mas desisto. Adio, pelo menos. Primeiro porque fiquei com preguiça. Segundo porque estava ficando um saco.

UPDATE (na madruga de 5 de maio, já em casa):
Desisti mesmo. Mas o que eu ia dizer, no fim das contas, posso resumir - o feriadão foi ótimo, lindo, e, ao contrário do que se costuma dizer, as boas memórias podem sim ser mais fortes que as ruins. Teve dor, foi? Nem lembro direito.

22 de abril de 2008

Vamos ao teatro?

Vamos.
Temi quando o flyer me avisou que eu iria chorar. Não estou boa para isso, não. Fiquei tensa.
Só que eu não chorei, nem gostei muito.

Ao final, recebemos mais um panfletinho, que guardei nem sei porquê.
Vinte e quatro horas depois, resolvo ler. Me deparo com um texto que eu estava há dias tentando construir na minha mente. Seria um plágio feito através de leitura de pensamento caso não tivesse sido escrito em 1974.

Compartilho.

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Movimento dezesseis. Eu sei que fui tão fraca quanto um diálogo de bêbados, tão torpe quanto uma reticências, tão vil quanto um copo mal tomado.

Dói-me a palavra superar que falaste em meu nome. Dói-me o beijo negado. Dói-me o termo acontecido. Dói-me essa coisa que é a tua verdade e jamais será a minha. Digo-te compreensiva: compreendo. E compreensiva sofro as tuas decisões. Quantas noites me serão entregues para que eu as regue com esse furor existencial e louco? De quem falarás em meu nome para confortar a tua angústia? Não vês que sou um ser humano que expele flores e fugas com a mesma intensidade? Tudo tem sido igual desde o princípio. Nada tem mudado para este pobre cérebro privilegiado. Para esta triste cabeça maravilhosa. E eu estou farta de sonhar tudo aquilo que não deverá acontecer. O apolíneo da vida tem me eriçado os cabelos. Tem me atormentado e enlouquecido. Tem.

Mas não te culpes. Quando te escolhi não te deixei o encargo de me fazeres feliz. Seria complicado. Eu esperava apenas sensações puríssimas e isto se deu. Portanto faze-me sofrer se queres. Posso suportar o sofrimento com um estoicismo digno dos profetas. Faze-me repetir que amo oitocentos milhões de vezes usando para cada uma delas as vozes esdrúxulas de um velho barqueiro do Pireu ou de uma esganiçada garota propaganda. Faze-me ajoelhar sobre este joelho quase mecânico que sobrou do último acidente e dizer-te mais uma vez que deus é o fruto de minhas angústias diárias. Que existes tu. Que tu és a luz e a verdade. Essa verdade que temo encontrar mas que procuro como se a identidade.

Faze-me feliz se queres. Se não queres faze-me infeliz. Se nada queres vai para que eu sofra como tenho sofrido cada abandono. Nada direi do teu abandono que forjei. Não te acusarei como tenho acusado minhas mais torpes realizações. Para mim foste o princípio de uma pureza que eu jamais chegarei a acreditar que exista. Para mim foste a cor e todos os cinemas e casacos do mundo e o amarelo das cervejas e o vermelho do vinho e o arco-íris da felicidade. Para mim foste a cor como se antes eu não possuísse retina.

Mas não racionalize esta ida que te é difícil também. O amor existe ou não existe. Só é parcial a vontade de quem ama parcialmente.

Não nos outorguemos o direito de recriar a liberdade. Ela já é tão difícil falada nas prisões nos hospitais nas salas de estar. De star. Não vamos atormentá-la sob esse ar poluído que chamam de livre ou sobre os jardins públicos da cidade que pertencem a todos mas que a ninguém é dado caminhar sobre a grama. Vamos deixar a liberdade em paz e sentir e dizer apenas aquilo que está agora dentro de nossos sentidos. Se queres beijar bater acariciar morder cuspir que queiras o que queres. A recusa racional é um ato sórdido. Diga não quando teu corpo for um calafrio de repúdio e não puderes beijar a boca que te beija. Não racionalize os atos do amor. Eu ainda não aconteci em teus sentidos. Ainda sou aquela que atrai teu corpo para perto dos sofás dos carros blindados das mesas de bar. Com que direito analisas um ato que não entendes? Que não entendo?

Pretendo ser simples. Quero ser simples. Tenho dito da minha simplicidade com uma pureza insofismável. Tenho dito com essa pureza tudo aquilo que aprendi com a tua cor. Meu fardo é grande. E repito. Se queres faze-me sofrer. Dize-me: vai e eu irei sem palavras. Te beijarei a boca se quiseres. Farei amor contigo ou te mandarei a minha cabeça ensangüentada envolta em papel de seda para o teu álbum de artistas anônimos. Mas não racionalizes essa coisa pela qual cortarei a cabeça. Pela qual me arrebento agora. Pela qual me arremessarei ao fogo como Joana. Pela qual morderei as estátuas de ferro da praça da república. Pela qual morrerei. Não me espere superar uma crise que já teve o nome de amor. Não me proponhas a mediocridade ainda uma vez porque de ti veio a cor. Porque és a cor e da tua cor foi feito o meu princípio que outrora era o verbo. E hoje é uma infindável catarata de gestos ternos.

[Aninha Franco]

7 de abril de 2008

SIM

Afirmativo, positivo, atento, a postos.
Em frente, seguindo, aposto, invisto.
Sim, sim, sim.
Sim aos dias, às oportunidades, às provas, às experimentações.
Sim.

(Mesmo que não, mesmo que talvez, mesmo que haja dúvida.)

10 de março de 2008

I just don't know what to do with myself

Aí eu questiono o tamanho da minha frieza, dos meus cálculos. Do meu modo contraditório – e tonto, que me deixa com aquele ardido esquisito na cabeça que só muitas voltas em torno de si mesmo, ou muitas dúvidas, causam – de saborear sabores, cheirar cheiros, tocar toques. Porque sou inconseqüentemente intensa na mesma medida em que sou terrivelmente controlada (e me entrego tanto quanto teorizo, e sou fútil tanto quanto sou densa). Eu nunca me entendo, mesmo sabendo com autoridade as coisas de mim. Eu não entendo como posso não levar as coisas a sério, já que sou assim engajada com tudo. Enquanto analiso a lógica de cada movimento, e compreendo a razão de ser do que é, eu vejo bem claramente que nada tem sentido, mesmo que tenha. Eu digo sim e não para todas as perguntas o tempo todo.

7 de março de 2008

Óbvio

Tomei coragem e escrevi de ponta a ponta o nome inteiro, desenhando cada letra com bravura, ciente do resultado que viria e da palavra que se formaria. Foi uma decisão consciente empunhar a caneta e fazer com força as linhas que tornariam tudo sólido, visível, compreensível. Legível. Fiquei assistindo minha mão espalhar a tinta, formando aquilo diante de meus olhos. Escrevi. Com cuidado e capricho. Demorei mais na primeira consoante, com certo medo de seguir em frente, assustada com o que me impulsionava a superar o que nego: assunção. Vai lá, pega e escreve, não é o que tem vontade de pintar pelo seu caderno? Então respirei, abri a página, abri e olhei o papel em branco: vai. Comecei reticente, cuspindo com os dedos. Trêmula, viciada, meio infantil. Linha, letra, risco, pronto. Não sei quanto tempo durou. Passou rápido e lento, talvez congelado, talvez sem mim, certamente distante dos que pudessem estar vendo, também surdo para quem estava falando. Depois de completo, acho que sorri por um instante e fechei o caderno. Acho que parei por meio segundo e li inteiro. Acho que foi forte demais. Revejo na mente, não sei quando terei novo ímpeto para buscar a página usada neste bloco de tantas folhas.