Eu e Catarina nunca fomos apresentadas. De tanto que nos cruzávamos, de tantos conhecidos comuns, de tanto passarmos uma ao lado da outra, de tantas histórias conectadas, começamos a nos cumprimentar: “boa noite, tudo bem?”. Pura gentileza de quem já estava achando ridículo fingir que não sabíamos da existência uma da outra. Então pronto: “Oi, Catarina”. “Oi, Paula”.
Já houve comentário de que nossa aproximação foi repentina. Talvez tenha quem pense que foi estratégica, cômoda. Recapitulo tudo e fico muito emocionada. Desde aqueles gestos educados iniciados em 2007, as circunstâncias da vida nos colocaram em contato constante. Assim, dia a dia, lentamente, fomos nos descobrindo. Nos olhando. Nos checando. Saindo. Viajando. Conversando. Compartilhando. E vendo, com cada nova experiência, que havia uma vaga reservada no peito para a consagração final.
Não esperávamos por isso, tampouco precisávamos disso. Somos, privilegiadamente, rodeadas de amores que pareciam ser suficientes. É possível que isto tenha deixado tudo acontecer ainda com menos pressa. É certeza que isto nos comprova, todo o tempo, que nosso vínculo é muito forte – e que há sempre amor para se multiplicar. Foi uma escolha muito bem feita. Uma entrega muito bem alicerçada.
Lembro-me do dia em que ela me disse: agora sei que você confia em mim. Dali pra cá, depois das afirmações que os sentimentos pedem, depois de eu abrir o meu pesado portão, não sei como pensar em mim sem ela. Não sei como teriam sido os últimos tempos. E fico feliz, de fechar os olhos e apertar as mãos, pela sorte de tê-la comigo.
Hoje, 5 de maio, Cat faz aniversário. Trinta anos como eu, taurina como eu, nascida no Hospital Português como eu, registrada por Gelsa da Cunha Cruz como eu. E tudo isto, apesar de nossas inúmeras e grandes diferenças, é apenas parte de nossas identificações. A melhor delas, aliás, é o tesão que a gente tem pela vida. Como é foda, muito foda, a gente poder lembrar isso uma para a outra: que não merecemos nunca menos que muito, quando alguma das duas dá de se enfraquecer por qualquer razão. Tem sido assim que, desde que nos aceitamos, sabemos que não há tropeço que não possa ser amortecido pelo sorriso que está sempre pronto para ser ofertado.
Não conheço criatura mais leal que ela. É de uma prontidão infalível. É uma mulher honesta, sincera, que fala (e como fala!) o que pensa e não teme as consequências. Se alguém discorda, ela ouve com respeito e cuidado, rebate se achar justo, defende o que acredita. É uma mulher que se propõe a melhorar, mesmo com os medos, desconhecimentos e desafios que precise aprender a enfrentar. Ela é inteligente, bem informada e ninguém ganha dela no Perfil, aquele jogo de conhecimentos gerais da Grow. Cat é interessante. Divertida e engraçada. E me acompanha na cerveja atééééé o final. Até amanhecer. Até só ter vinho ruim pra beber. Sempre queremos mais. Sempre nos renovamos a cada diálogo. Ela dança, faz cena, caras e bocas, tira fotos, conta histórias, arranca gargalhadas, faz dengo, apoia, incentiva, reclama, sofre, resolve e lá vai ela, comprometida com o que é e com quem a cerca. Por sinal, tem tanta gente que cerca e ama esta balzaca que eu só posso entender que o mundo, apesar de tudo, é mesmo uma inesgotável resposta àquilo que nos prestamos.
Catita, minha amiga,
Eu espero ser sempre capaz de honrar o privilégio de sua amizade.
Você, como já disse, me movimenta, me mobiliza. “Companhia certa de todas as horas”.
Estou por você. Obrigada por tudo.
Feliz aniversário!
Te amo.
| Difícil escolher uma entre milhares de fotos. Vai esta: esmaguenta! |
E, ah!, vou botar este vídeo LINDÃO aqui. É que Cat esteve comigo mesmo eu estando lá do outro lado do Oceano!



