1 de abril de 2011

O poder da gentileza masculina

Nunca consigo falar sobre Theo, especialmente para quem não o conhece, sem fazer algum tipo de elogio. Convenhamos: este meu amigo, homem de perfeitos 36 aninhos, arquiteto, cantor e compositor, parece feito sob medida para causar admiração. Aquele tipo de gente cuja ocorrência na população é raríssima. O privilégio, obviamente, não é só dele. É meu. E de todos aqueles que cruzam seu caminho.

Fácil é explicar por que digo isso. O texto, sei de cor. Repito sempre: Theo é bonito. É grande. Tem presença magnânima. É magro sem deixar de ser forte. É forte na medida da naturalidade. O corpo está todo encaixado no lugar certo. Charme puro. Classudo. Para completar, ele sempre cobre esta fartura com proeza: Theo se veste bem e, em seu estilo sempre básico, surpreende pelo bom gosto. Adoro os sapatos dele. É de uma elegância absurda – e elegância, vamos combinar, não se escolhe ter. Elegância é atributo de poucos e, na minha opinião, uma das coisas mais belas que podem existir. Se eu pudesse escolher acordar com uma mudança drástica em minha aparência, ao invés de barriga tanquinho ou qualquer outra coisa, escolheria amanhecer sublimemente elegante.

Daí Theo abre a boca e sai um vozeirão que é uma covardia, acompanhado de uma simpatia e um bom humor que fazem ser impossível não sorrir de volta para ele. É isso: ele sempre olha nos olhos e sorri com sinceridade. Sem contar aquele abraço gigante que te faz sentir querido. E é divertido. Dança. Fala bem. Inteligente, articulado, atencioso. A companhia dele é prazerosa: para papear, para farrear, para beber até de manhã.

Ainda assim, tudo isso é fichinha diante da mais prestigiosa qualidade que um homem pode ter: Theo é gentil. Muito gentil.

Estava hoje, num dos momentos de ócio criativo do expediente, teorizando sobre a gentileza masculina com meus colegas de trabalho. Nada, absolutamente nada, é capaz de ser mais sexy, atraente, forte e imperativo do que um homem com tal predicado. Mas há de ser numa medida exata: sem excessos, sem forçação, sem subserviência. A gentileza arrebatadora é aquela que jamais se assemelha a insegurança ou desajeito. É aquela que, pelo contrário, expressa a altivez de quem confia em seu taco, de quem reconhece o que é respeito, de quem é soberano o suficiente para tratar o mundo de forma limpidamente educada.

Em vez de querer dominar o pedaço com agrestia, como agem alguns brutamontes que envergonham a humanidade, os rapazes gentis arrebatam lances de mestre, acumulando fãs que geralmente não saberão dizer o que é que causa tamanha atração. Há algo de misterioso, mesmo. É que você olha para aquele ser humano no alto de sua capacidade luminosa e conclui que se tornaria um feliz e eterno escravo de suas atitudes gentis. Nada, absolutamente nada, confere tanto poder a um macho.

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Nota para quem possa ter se iludido que coisa assim estaria dando sopa:
Theo é um homem casado. Não se anime.

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Para ver e ouvir Theo, à frente de sua banda: Os Irmãos da Bailarina. A letra é dele também.

31 de março de 2011

Só porque este blog não será abandonado

Quem, como eu, é gente escrava das palavras está escrevendo sempre, mesmo que não vire um texto oficialmente. Eu passo o tempo inteiro pensando com base em histórias, em ordenamento, montando as peripécias da mente em forma de livro, que vou lendo como se estivesse em minha frente.

Nestas lucubrações dos últimos dias, iniciei, desenvolvi e finalizei uma dezena de artigos, crônicas e resenhas que, prometi, viriam parar no blog. Esqueci já da metade, visto não ter o hábito de anotar os devaneios. O resto, simplesmente não tive oportunidade de fazer virar coisa além de mim. Ainda está tudo embolado aqui dentro.

Daqui a alguns minutos (faltam só nove páginas e meia das 322 totais!), terei finalizado mais um trabalho árduo de revisão e, espero, poderei voltar a reservar parte do meu tempo para brincar de ser blogueira.

E vim dizer isso só para março não passar em branco nesta singela página virtual.
Até logo!

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Update
Acabeeeeeeeeeeeeeeeeei!

12 de fevereiro de 2011

Narcisa

Modéstia embaixo do tapete:
a Paula 2011 é a melhor Paula que existe.
Disparado.

25 de janeiro de 2011

Desintoxicação

Certa vez, passei um dia inteiro à base de uma lista de tenebrosos sucos de misturas de ingredientes que não combinam, coisas como maçã com espinafre, beterraba e ervilha, porque aquilo prometia desintoxicar meu organismo. Há infidáveis receitas e dietas de desintoxicação que nunca soube direito se realmente têm fundamento. Mas eu tentei. Às vezes a gente sente esta necessidade de limpeza.

Estar numa cidade cuja até lógica do trânsito é invertida em relação àquilo que vi em todos os momentos dos meus quase 30 anos tem sido uma efetiva e completa lavagem. Tudo se renova diante do olhar, dos ouvidos, de todos sentidos. Os cheiros são novos, os gostos também, a textura do ar é outra, o frio me aquece intimamente e os símbolos precisam ser decifrados. É uma desintoxicação ambiental. E de alma. Limpa tudo para abrir espaço ao que é desconhecido e que me pede atenção em cada rua atravessada, cada tentativa de diálogo, cada vez que me perco entre as moedas que não me são familiares. Nada é automático. Nada é por costume, rotineiro, cansativo, repetitivo. Nenhuma paisagem é comum nem passa sem ser vista. Tudo se absorve. O óbvio torna-se inexistente. Todo segundo que se concretiza é uma nova surpresa que torna o dia mais inteiro. Mais meu. Mais eu. É preciso estar muito consigo para viver a experiência de desvendar o que nos cerca.

É deliciosamente esquisito não estar localizada, não ter um background que anteveja o que há na próxima esquina, na próxima abordagem. São rostos e tipos diferentes, arquitetura deslumbrante, um emaranhado de línguas e sotaques, tanta coisa para descobrir. Ao mesmo tempo, é fantástico, a cada dia, começar a reconhecer a segurança de que sei voltar pra casa, e desenvolver habilidades. Sozinha. É sozinha que tenho estado a maior parte do tempo, mesmo que acompanhada por gente que nunca vi antes, e que não verei de novo. Sozinha dormirei esta noite, o que estranhamente causa uma sensação de pertencimento. Estou pertencendo a Londres e Londres parece existir só pra que eu esteja aqui, amando tudo.

31 de dezembro de 2010

Para 2011 e para a vida

Ouvir meu coração, quando for para o meu bem.
Ouvir meu racional, quando for para o meu bem.
Não boicotar a plenitude de minha dignidade.
Honrar o meu merecimento.

21 de dezembro de 2010

Interpretando sonhos

O amor queria me levar pra um lugar que eu nunca fui. Era um oceano em forma de banho de mar. Era entrar num íntimo de quem pode se dispor a dizer sim. Era aceitar dividir os tesouros. E os sorrisos. E os segredos. A própria vida. Mas as praias estavam cheias, o transporte era irresponsável e o caminho foi alterado. O sol, como de costume, me incomodava. O mar virou piscina. Piscina com muita gente, pública, constrangedora. A piscina virou pia. Que podia até matar a sede, caso a água não fosse suja. Saí escondida, acenando de longe, porque tenho vergonha. Voltei sozinha e assim fiquei, em meio a pessoas que não mais fazem parte do meu mundo. Envolta pelas barreiras. Nada mais estava sob meu controle. O amor não conseguiu saciar sua vontade.

13 de dezembro de 2010

Por que eu iria ao Festival de Verão...

...na quarta-feira:
Para fingir que conheço o trabalho de Maria Gadú dizendo uns "shimbalaiês" em meio a uma música. Para ter ódio de ver Dinho Ouro Preto tirando a camisa e mantendo a banda adolescente pós-50 anos. Para sentir náuseas com Cláudia Leitte se achando diva. Para prestar atenção no Eva – é, eu dou valor a Saulo, apesar de não aguentar a parte de "minha pequena Eeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeva" sem fim. Para dançar o rebolation com Parangolé: bota a mão na cabeça que vai começar!
(Ok, tem Otto no segundo palco. Quem tem coragem de enfrentar o esforço?)

...na quinta-feira:
Para encarar de frente o homem mais feio da música nacional (afinal, já descobriram se Belo é traficante ou não?). Para fazer um trabalho de superação pessoal e assistir sem chorar a um show inteirinho da banda "top 1" da minha lista "foguete-para-o-sol": Jota Quest! Fácil, extremamente fácil! Para ver Ivetão quebrar tudo; ela quebra tudo – mas já começo a achar miniesquisita a composição daquilo: tipo, combina mais não, bem... Para tentar descobrir quem são Jorge & Mateus. Para investigar qual foi o pistolão que conseguiu a vaga para A Zorra.

...na sexta-feira:
Para ter exemplo: Tomate é brasileiro e não desiste nunca. Para enlouquecer com a histeria de Ana Carolina e seus gritos, falsetes e descontroles vocais. Para ouvir repetidas vezes que "o Asa arrêa" e todas as músicas construídas sob a mesma fórmula, e para ficar dizendo: oxente, gente, Durval nem canta mais, quem canta é aquele carinha ali de trás. Para comparar o meu culote com o de Luan Santana e ver quem tá em pior estado. Para gritar que Xanddy é gostoso mesmo gorducho.
(Inda tem Jorge Vercilo, Luiza Possi e Cine no segundo palco. Não aguento tamanha emoção.)

...no sábado:
Para ver os Menudos brasileiros e ficar fazendo coraçãozinho com as mãos! Para resgatar a atração-internacional-desenterrada-da-vez (vão dizer quando quem é?). Para temer as brigas dos chicleteiros, os mais fanáticos religiosos da Baêa. Para ficar desgostando o Jammil e falando como eles transformaram uma banda que nunca teve grande expressão numa máquina de dinheiro. Para tapar os ouvidos com a barulheira do Psirico.

9 de dezembro de 2010

Mulheres cantantes

A festa era pra bombar, deveríamos ter curtido todas, mas, sei lá, vai saber, deve ser coisa da idade: ficamos sentadinhas tricotando. Ok, a culpa não foi totalmente da velhice, o negócio não engatou mesmo. Baladinha meeira.

Caso é que, de repente, estávamos numa mesa concorrida, cada vez com mais gente: chegavam, sentavam e saíam seres humanos de todos os tipos - e algumas malas, inclusive. O mundo, no entanto, não acabou, e o papo, como geralmente acontece numa aglomeração de quase-desconhecidos, caiu na música.

Eu e Dona Catarina (que agora tornou-se uma pessoa difícil de ser linkada; não sei se a aponto para o blog profissional ou para o pessoal) éramos das poucas pessoas não-artistas que se revezaram nas cadeiras. Enquanto iniciou-se uma discussão sobre o sexo dos anjos, nós duas falamos de um fato comum: não temos gosto específico por cantoras. Calhou que, sei lá também, a gente prefere os homens nos vocais. Machistas.

Hoje, voltando do trabalho em meu belo buzu, estava cantarolando umas músicas quando me lembrei desta conversa...

Bom, caso é que esta introdução toda só veio para eu compartilhar duas das minhas músicas preferidas (estariam tranquilamente no CD da trilha sonora de minha vida), que me acompanharam, hoje, a caminho de casa, e também em tantos outros momentos e circunstâncias. Acho-as lindas, incríveis. E são cantadas por mulheres. Mulheres com quem já dividi mesa de bar várias vezes. Que estão aqui pertinho, na música soteropolitana contemporânea.


Dueto, da banda Matiz, escrita e interpretada por Mariana Diniz:
Como bem diz Lubisco, Dueto é daquelas músicas de raros momentos de inspiração...





Coração de Maria, da banda Aguarraz, escrita por Fábio Cascadura e interpretada por Roberta Simões:

6 de dezembro de 2010

Segunda-feira

Eu tive um pesadelo cujas imagens me acompanharam o dia inteiro e continuo aqui, firme. Eu senti saudade e tive todos os convites possíveis negados, ainda assim continuo: firme. Estou exausta e fazendo contagem regressiva de quantos dias úteis me separam das férias, e haja raça para aguentar estes próximos 12 compromissados expedientes de labuta. As pendências de dezembro, de 2010 inteiro, ficam piscando em minha frente e respiro fundo para encará-las: e assim tenho buscado eficiência numa rotina de gincana. Assumi o papel de organizadora do amigo secreto da família e de compradora de ingressos do show do U2 - do primeiro, dei conta; do segundo, estou levando rasteira (vou já desistir antes que eu dê um chute no computador). Tenho de fazer mercado e compras de Natal, mas nem sei quando terei tempo (e coragem) - e tem de ser antes de sexta-feira. Não sei onde passarei o réveillon, mas também não estou muito preocupada; no fim das contas, estarei bem rodeada. Além dos peitos doendo, parece que todo o resto é culpa da TPM. Antes fosse.

Tem dias que não combinam com serenidade.

3 de dezembro de 2010

Ciclando

Tenho andando confiante. Uma beleza. Sério mesmo. É bom estar otimista. Geralmente, não sou. Também não sou lá uma pessoa de pessimismo, mas racionalizo demais para ficar serelepe com previsões futuras. Na real, quase não penso nas coisas do amanhã. Sou do agora. Não sei lidar com o que não é ainda. E nem me vinculo ao que não possa ser desistido ou desfeito. Quero estar sempre livre para seguir minhas vontades: qualquer surto, bom ou ruim. Filhos? E se depois eu não mais quiser ser mãe? Como volta atrás?

Fato é que, apesar de muitíssimo cansada e ávida por botar meus pés para cima com a cabeça desocupada, estou leve. O que não é sinônimo de calmaria. Há uma fartura de perguntas que não sei responder. Mas estou cheia de certeza de que, ainda que existam coisas fora do eixo, tudo está no caminho certo. Em algum bom lugar vai chegar. Enquanto isso, vou aproveitando - com a satisfação indescritível de estar redescobrindo, de novo e de novo, a minha liberdade, que é o que tenho de mais forte e íntimo. Eu vivo brincando com esta sina. Não precisar de controle sobre o passo seguinte me faz ser eu.

Meu mais severo compromisso é ser bem-resolvida.
Ou, pelo menos, me sentir assim.