A minha mãe adora farofa, mas come um tiquinho só, coloca no canto do prato e mela a garfada como se melasse com pimenta. Eu também adoro farofa, mas para mim ela precisa de uma quantidade proporcional ao banquete, encho e como com gosto. Eu digo isso para a minha mãe sempre, mas é em vão: toda vez que ela prepara um prato ou uma quentinha para mim, a farofa vem num cantinho quase imperceptível, que não dá para nada.
Não tem jeito. Tem coisas que a mãe da gente não entende.
20 de julho de 2007
9 de julho de 2007
Kinsey
Vô,
talvez você não saiba, mas sou uma pessoa bem chata quando o assunto é filme. Eu quase nunca gosto muito de um, quase sempre acho que perdi tempo. Não consigo bem encarar esta arte como entretenimento, não vejo nada de divertido naquele ritual de ir para o cinema, como se fosse uma opção de programa como outra qualquer. Bem, talvez eu seja mais do que chata, talvez isto soe pedante, talvez eu seja caxias demais com algo que nem exigiria postura alguma, sei lá. O fato é que filme tem que me dizer alguma coisa, tem que falar comigo e me emocionar de alguma maneira. Já viu? Sou exigente. E autoritária. Estou brincando: este é apenas meu modo de ver, eu só gosto do que eu gosto e pronto. E, deste jeito, para estes raras obras que me tomam, eu dedico um amor profundo.
Eu vim lhe falar isso por um motivo simples: preciso que o senhor me liste todos os filmes que te causaram espanto, ojeriza e desgosto. Não, não quero aqueles que você não gostou porque são ingostáveis mesmo, os idiotas que tratamos com indiferença - quero saber exatamente os que não foram indiferentes, os que mexeram de verdade com sua antipatia. O motivo disso? Vou explicar: toda vez que fui assistir a um filme que lhe causou repulsa, eu fiquei apaixonada. Estou encantada. O fato de o senhor ser crítico de cinema não confunde o fato de que temos idéias completamente opostas. E, tendo esta sua lista em mãos, certamente vou me esbaldar até lamber os beiços.
A propósito, agradeço por ter me indicado Kinsey deste seu jeito tão peculiar. Que filme belíssimo!
Um beijo,
sua neta.
[Mais um texto tirado do baú, escrito em novembro de 2005.]
talvez você não saiba, mas sou uma pessoa bem chata quando o assunto é filme. Eu quase nunca gosto muito de um, quase sempre acho que perdi tempo. Não consigo bem encarar esta arte como entretenimento, não vejo nada de divertido naquele ritual de ir para o cinema, como se fosse uma opção de programa como outra qualquer. Bem, talvez eu seja mais do que chata, talvez isto soe pedante, talvez eu seja caxias demais com algo que nem exigiria postura alguma, sei lá. O fato é que filme tem que me dizer alguma coisa, tem que falar comigo e me emocionar de alguma maneira. Já viu? Sou exigente. E autoritária. Estou brincando: este é apenas meu modo de ver, eu só gosto do que eu gosto e pronto. E, deste jeito, para estes raras obras que me tomam, eu dedico um amor profundo.
Eu vim lhe falar isso por um motivo simples: preciso que o senhor me liste todos os filmes que te causaram espanto, ojeriza e desgosto. Não, não quero aqueles que você não gostou porque são ingostáveis mesmo, os idiotas que tratamos com indiferença - quero saber exatamente os que não foram indiferentes, os que mexeram de verdade com sua antipatia. O motivo disso? Vou explicar: toda vez que fui assistir a um filme que lhe causou repulsa, eu fiquei apaixonada. Estou encantada. O fato de o senhor ser crítico de cinema não confunde o fato de que temos idéias completamente opostas. E, tendo esta sua lista em mãos, certamente vou me esbaldar até lamber os beiços.
A propósito, agradeço por ter me indicado Kinsey deste seu jeito tão peculiar. Que filme belíssimo!
Um beijo,
sua neta.
[Mais um texto tirado do baú, escrito em novembro de 2005.]
28 de junho de 2007
Ignore
Hoje eu não estou boa de sentir amor, nem de decidir sobre minha vida, nem de dar início às pendências que me perseguem há dias. Hoje não estou boa de aceitar convites, nem de fazê-los, nem de pensar no fim de semana. Hoje não quero ver minhas contas, mas preciso, hoje não quero produzir, mas preciso, hoje não queria ficar no computador, mas preciso. Minha cama me chama, uns desejos me chamam, a vontade de fugir voltou e o dia da terapia parece estar tão longe, mesmo sendo amanhã. O tempo, mais uma vez, urge, eu o detesto. Não há calmante nem injeção que tenha me feito sentir menos a agonia de um dia em que tudo fica rígido. Eu também odeio textos deste tipo.
18 de junho de 2007
Dezoito de junhos passados
Vez ou outra, releio coisas que escrevi no passado. Pode ser em diários, agendas, cadernos, anotações, arquivos no computador ou nas inúmeras páginas onde estão os textos dos blogs antigos que tive.
Hoje, li coisas que publiquei no dia 18 de junho de tantos anos que se foram por aí.
Vou dividir duas delas.
Em 18/06/06
Machucados
Era um menino esperto e livre, gostava de andar de pés descalços e sujá-los a ponto de marcar o chão com suas pegadas. Ele dançava e pulava de repente, porque se sentia às vezes inspirado por emoções que simplesmente deixava virem. Apesar de criança, sabia o que queria e entendia o que trazia por dentro. Só tinha medo de ter medo, seu desafio era este. Não recuava, não deixava de se ver e não deixava de dizer. Reclamavam de sua teimosia e boca suja, porque acontecia de surpreender com escândalos e brigas sem fim. O menino achava aquilo injusto. Não podia ser condenado por ser birrento, era apenas verdadeiro.
O menino agora homem traz consigo sua infância. Ele a mostrava inevitavelmente, gostava muito de ser assim. Era o que trazia de mais precioso e queria preservar os traços mais institivos e honestos de sua personalidade.
O menino, agora homem, só não sabia que tantas coisas iriam obrigá-lo a endurecer.
Em 18/06/05
Rave entre amigos
No sonho, ela sentiu muita vontade de dar beijo na boca. Era vestígio do álcool e de sua pulsões internas - porque a bebida deixa todo mundo mais assanhado mesmo e não ter que podar os desejos fazia a menina se sentir enormemente viva, como precisava. Então dançou como há muito não fazia, de olhos fechados, batendo os pés no ritmo das estocadas nos ouvidos, sem passo certo, até a perna doer. Rindo e se divertindo a la cenas cinematográficas, daqui e dali dava uns beijos em boca de mulher e de homem, misturados entre gargalhadas loucas e novos pulos. E goles de vinho. E brincadeiras descompromissadas. E inveja alheia. A energia que se fez despertar, que não veio do outro, mas fluindo dela para ela mesma, quase incomodou o sono, apesar de ser sonho. Quando o olho abriu, ela pegou rápido o telefone e contou baixinho as estripulias da viagem noturna. O prazer não era de sexo, não era isso. O prazer era do novo, do livre, do amor que permite.
Hoje, li coisas que publiquei no dia 18 de junho de tantos anos que se foram por aí.
Vou dividir duas delas.
Em 18/06/06
Machucados
Era um menino esperto e livre, gostava de andar de pés descalços e sujá-los a ponto de marcar o chão com suas pegadas. Ele dançava e pulava de repente, porque se sentia às vezes inspirado por emoções que simplesmente deixava virem. Apesar de criança, sabia o que queria e entendia o que trazia por dentro. Só tinha medo de ter medo, seu desafio era este. Não recuava, não deixava de se ver e não deixava de dizer. Reclamavam de sua teimosia e boca suja, porque acontecia de surpreender com escândalos e brigas sem fim. O menino achava aquilo injusto. Não podia ser condenado por ser birrento, era apenas verdadeiro.
O menino agora homem traz consigo sua infância. Ele a mostrava inevitavelmente, gostava muito de ser assim. Era o que trazia de mais precioso e queria preservar os traços mais institivos e honestos de sua personalidade.
O menino, agora homem, só não sabia que tantas coisas iriam obrigá-lo a endurecer.
Em 18/06/05
Rave entre amigos
No sonho, ela sentiu muita vontade de dar beijo na boca. Era vestígio do álcool e de sua pulsões internas - porque a bebida deixa todo mundo mais assanhado mesmo e não ter que podar os desejos fazia a menina se sentir enormemente viva, como precisava. Então dançou como há muito não fazia, de olhos fechados, batendo os pés no ritmo das estocadas nos ouvidos, sem passo certo, até a perna doer. Rindo e se divertindo a la cenas cinematográficas, daqui e dali dava uns beijos em boca de mulher e de homem, misturados entre gargalhadas loucas e novos pulos. E goles de vinho. E brincadeiras descompromissadas. E inveja alheia. A energia que se fez despertar, que não veio do outro, mas fluindo dela para ela mesma, quase incomodou o sono, apesar de ser sonho. Quando o olho abriu, ela pegou rápido o telefone e contou baixinho as estripulias da viagem noturna. O prazer não era de sexo, não era isso. O prazer era do novo, do livre, do amor que permite.
31 de maio de 2007
Alguma coisa acontece no meu coração
Aos vinte anos, eu ainda não conhecia o Rio de Janeiro. Uma grande amiga minha estava morando lá e, em uma conversa por telefone, ela disse: venha me ver, venha para meu aniversário. Eu, de supetão, confirmei: eu vou. Entrei no site, comprei passagem e gritei durante meia hora de tanta felicidade. Não planejei nada, não reservei dinheiro, não sabia onde ficaria hospedada, apenas estava ali, com passagem em mãos. E fui.
Eu tinha loucura de conhecer a cidade maravilhosa. E, lá, eu passei todos os segundos hipnotizada por tamanha beleza, vibrando com cada vista, babando cada lugar, curtindo cada detalhe. Foi uma viagem indescritível. Fiz todas as farras, todos os programas de turista e ainda assisti ao show de Eric Clapton. Surreal. Poucas vezes na vida tive dias tão felizes, livres e legais. Ainda carregava a satisfação única de estar fazendo tudo aquilo com meu próprio dinheiro. Minha primeira viagem bancada pelo suor do meu trabalho. Foi lindo.
[Feliz da vida, como vocês podem ver.]
Aos vinte e quatro anos, eu ainda não conhecia São Paulo. Meu pai decidiu que queria fazer uma viagem legal com a mulher e os quatro filhos, pela primeira vez. A gente já tinha ido para coisas ali na esquina, mas todos juntos, gato, cachorro, periquito e papagaio, pegar mala, avião e ir para outra cidade, nunca tinha rolado. Então ele decidiu: vamos todos pra Sumpaulo.
Eca. Eu não tinha interesse algum de conhecer São Paulo. Achei uma escolha ruim, mas, enfim, vamos nessa, viajar é sempre bom, lá vou eu aguentar tijolo, cimento, trânsito e poluição. Ao contrário do que aconteceu quando fui ao Rio, saí de Salvador meio de nariz virado, não era a coisa mais animadora do mundo.
Me fudi. Eu amei cada segundo de São Paulo muito mais do que amei o Rio de Janeiro. Me senti completamente à vontade, em casa, fiquei encantada. Voltei fã, voltei querendo ficar.
[A família reunida na Paulista.]
Alguns disseram que tanta satisfação era fruto de eu ter ficado pouco tempo, cinco dias, em época de feriadão, cidade vazia, como turista, só vendo o lado bom. Pois bem: sete meses depois, fui para "morar". Foi por pouco mais de um mês, mas não como turista. Fiquei na casa de meu primo, trabalhei na Avenida Paulista, aprendi horários dos ônibus, fazia mercado, tinha uma rotina de moradora. Voltei mais fã ainda, voltei mais querendo ficar ainda.
[Almoço com o querido povo do trabalho no dia da minha despedida! Snif, snif...]
São Paulo me fascina. Tanto que me sinto em abstinência permanente, desde que cheguei eu quero voltar lá, nem que seja para dar uma volta nas ruas e sentir o cheirinho da poluição, nem que seja para só uma vez saltar em uma estação qualquer de metrô e sair andando sem rumo, descobrindo pequenos tesouros pelas ruas.
Faltando dois dias para completar meus vinte e seis anos, Arturo me chamou de novo: vamos, peste, vê se dá para você ir. E eu, que já havia algumas vezes negado participar desta viagem dele, programada há tempos, decidi: eu vou. Entrei no site, comprei passagem e gritei durante meia hora de tanta felicidade. Não planejei nada, não reservei dinheiro, não sabia onde ficaria hospedada, apenas estava ali, com passagem em mãos. E vou.
São Paulo, semana que vem, depois de quase um ano, a gente se encontra e mata as saudades. Me aguarde.
Eu tinha loucura de conhecer a cidade maravilhosa. E, lá, eu passei todos os segundos hipnotizada por tamanha beleza, vibrando com cada vista, babando cada lugar, curtindo cada detalhe. Foi uma viagem indescritível. Fiz todas as farras, todos os programas de turista e ainda assisti ao show de Eric Clapton. Surreal. Poucas vezes na vida tive dias tão felizes, livres e legais. Ainda carregava a satisfação única de estar fazendo tudo aquilo com meu próprio dinheiro. Minha primeira viagem bancada pelo suor do meu trabalho. Foi lindo.

Aos vinte e quatro anos, eu ainda não conhecia São Paulo. Meu pai decidiu que queria fazer uma viagem legal com a mulher e os quatro filhos, pela primeira vez. A gente já tinha ido para coisas ali na esquina, mas todos juntos, gato, cachorro, periquito e papagaio, pegar mala, avião e ir para outra cidade, nunca tinha rolado. Então ele decidiu: vamos todos pra Sumpaulo.
Eca. Eu não tinha interesse algum de conhecer São Paulo. Achei uma escolha ruim, mas, enfim, vamos nessa, viajar é sempre bom, lá vou eu aguentar tijolo, cimento, trânsito e poluição. Ao contrário do que aconteceu quando fui ao Rio, saí de Salvador meio de nariz virado, não era a coisa mais animadora do mundo.
Me fudi. Eu amei cada segundo de São Paulo muito mais do que amei o Rio de Janeiro. Me senti completamente à vontade, em casa, fiquei encantada. Voltei fã, voltei querendo ficar.

Alguns disseram que tanta satisfação era fruto de eu ter ficado pouco tempo, cinco dias, em época de feriadão, cidade vazia, como turista, só vendo o lado bom. Pois bem: sete meses depois, fui para "morar". Foi por pouco mais de um mês, mas não como turista. Fiquei na casa de meu primo, trabalhei na Avenida Paulista, aprendi horários dos ônibus, fazia mercado, tinha uma rotina de moradora. Voltei mais fã ainda, voltei mais querendo ficar ainda.

São Paulo me fascina. Tanto que me sinto em abstinência permanente, desde que cheguei eu quero voltar lá, nem que seja para dar uma volta nas ruas e sentir o cheirinho da poluição, nem que seja para só uma vez saltar em uma estação qualquer de metrô e sair andando sem rumo, descobrindo pequenos tesouros pelas ruas.
Faltando dois dias para completar meus vinte e seis anos, Arturo me chamou de novo: vamos, peste, vê se dá para você ir. E eu, que já havia algumas vezes negado participar desta viagem dele, programada há tempos, decidi: eu vou. Entrei no site, comprei passagem e gritei durante meia hora de tanta felicidade. Não planejei nada, não reservei dinheiro, não sabia onde ficaria hospedada, apenas estava ali, com passagem em mãos. E vou.
São Paulo, semana que vem, depois de quase um ano, a gente se encontra e mata as saudades. Me aguarde.
24 de maio de 2007
Love of my life, don't leave me
No máximo em julho, eu vou me casar.
Preparem a champagne.
Soube há um tempo, assistindo ao programa Top Top, da MTV, que Freddie Mercury foi casado. Com uma mulher. Não lembro detalhes, mas o que registrei das informações dadas foi que ela era o grande amor da vida dele, com quem ele dividiu tudo, até o último dia, a confidente e parceira, a que segurou as pontas e a quem ele deu colo. Foi para ela que ele compôs Love of My Life. Eles namoraram, segundo consta, mas, também segundo consta, a relação nada tinha a ver com isso. Isto é apenas um detalhe: eles namoraram, mas poderiam não tê-lo feito. Eles não trepavam. Não se desejavam. Mas eram apaixonados um pelo outro e foram marido e mulher mesmo depois de terem desfeito os papéis. Ela foi o porto seguro dele sempre: nas questões da vida, da música, da carreira, dos amores, paixões e fodas, da doença que o matou. Viver lado a lado e encontrar a alma gêmea não é uma questão de sexo.
Eu e Arturo vamos morar juntos. Estamos mexendo os pauzinhos e sonhando com nosso apê lindo e fofo. Na verdade, a gente poderia estar buscando meios de cada um morar sozinho, no seu canto, como ele até já faz hoje em dia. Mas a gente quer mesmo é morar junto, ter a companhia um do outro. Um casamento entre amigos.
A gente já experimentou dividir espaço por tempo mais longo em duas viagens que fizemos juntos. Em uma, num muquifo lá em Boipeba, o quarto era cheio de baratas e eu botava ele para matar todas. Ter um homem por perto é ótimo. Na outra, em Sauípe, eu quis matá-lo cem vezes porque ele é a pessoa mais chata do mundo. Metia o dedo na última batata frita do meu prato, me filmava dormindo e me azucrinava sem parar. Resumindo: minha cara-metade.
Além disso, convivemos e nos vemos quase diariamente desde que nos vimos pela primeira vez: já estudamos juntos, agora trabalhamos juntos, tudo no meio da nossa vida social, que se entrelaça totalmente. Sem contar telefone, msn, Orkut, mensagem de celular... A gente não se desgruda.
Não tenho absolutamente nenhum segredo com Arturo. É um saco, porque ele me olha de canto de olho e sabe o que estou pensando. Aí a gente ri junto, fala merda, bebe, vê seriados, dá conselhos, ouve histórias, confessa o inconfessável, fala das intimidades mais íntimas, canta, dança, faz farra, se apóia, se incentiva, se admira, filosofa sobre a vida, cria teorias, analisa as coisas, se lamenta, chora... A afinidade que tenho com ele é incomparável, a gente se entende em tudo. Eu pego, esmago, dou beijo, dou tapa, mordo e lambo. Ele tira meleca e passa em mim. Arturo me pentelha o tempo todo, fica dizendo que eu pareço com uma feiosa aí, puxa minha calcinha no velho estilo cuecão, filma os meus maiores micos, esculhamba tudo. Somos o casal mais apaixonado que conheço.
Só espero que, quando eu ficar viúva, ele me deixe uma fortuna tão grande quanto Freddie Mercury deixou para Mary Austin.
[Mary e Freddie, lindos.]
P.S. 1: Haha, ele vai achar tudo isto ridículo. Babação de ovo não é a nossa, mas, pô, amore, você sabe que te amo loucamente.
P.S. 2: Que droga, Tuca, vê se depois de tanta rasgação de seda você tira aquelas fotos horríveis minhas do seu Orkut, peço isso há quantos anos mesmo?
Preparem a champagne.
Soube há um tempo, assistindo ao programa Top Top, da MTV, que Freddie Mercury foi casado. Com uma mulher. Não lembro detalhes, mas o que registrei das informações dadas foi que ela era o grande amor da vida dele, com quem ele dividiu tudo, até o último dia, a confidente e parceira, a que segurou as pontas e a quem ele deu colo. Foi para ela que ele compôs Love of My Life. Eles namoraram, segundo consta, mas, também segundo consta, a relação nada tinha a ver com isso. Isto é apenas um detalhe: eles namoraram, mas poderiam não tê-lo feito. Eles não trepavam. Não se desejavam. Mas eram apaixonados um pelo outro e foram marido e mulher mesmo depois de terem desfeito os papéis. Ela foi o porto seguro dele sempre: nas questões da vida, da música, da carreira, dos amores, paixões e fodas, da doença que o matou. Viver lado a lado e encontrar a alma gêmea não é uma questão de sexo.
Eu e Arturo vamos morar juntos. Estamos mexendo os pauzinhos e sonhando com nosso apê lindo e fofo. Na verdade, a gente poderia estar buscando meios de cada um morar sozinho, no seu canto, como ele até já faz hoje em dia. Mas a gente quer mesmo é morar junto, ter a companhia um do outro. Um casamento entre amigos.
A gente já experimentou dividir espaço por tempo mais longo em duas viagens que fizemos juntos. Em uma, num muquifo lá em Boipeba, o quarto era cheio de baratas e eu botava ele para matar todas. Ter um homem por perto é ótimo. Na outra, em Sauípe, eu quis matá-lo cem vezes porque ele é a pessoa mais chata do mundo. Metia o dedo na última batata frita do meu prato, me filmava dormindo e me azucrinava sem parar. Resumindo: minha cara-metade.
Além disso, convivemos e nos vemos quase diariamente desde que nos vimos pela primeira vez: já estudamos juntos, agora trabalhamos juntos, tudo no meio da nossa vida social, que se entrelaça totalmente. Sem contar telefone, msn, Orkut, mensagem de celular... A gente não se desgruda.
Não tenho absolutamente nenhum segredo com Arturo. É um saco, porque ele me olha de canto de olho e sabe o que estou pensando. Aí a gente ri junto, fala merda, bebe, vê seriados, dá conselhos, ouve histórias, confessa o inconfessável, fala das intimidades mais íntimas, canta, dança, faz farra, se apóia, se incentiva, se admira, filosofa sobre a vida, cria teorias, analisa as coisas, se lamenta, chora... A afinidade que tenho com ele é incomparável, a gente se entende em tudo. Eu pego, esmago, dou beijo, dou tapa, mordo e lambo. Ele tira meleca e passa em mim. Arturo me pentelha o tempo todo, fica dizendo que eu pareço com uma feiosa aí, puxa minha calcinha no velho estilo cuecão, filma os meus maiores micos, esculhamba tudo. Somos o casal mais apaixonado que conheço.
Só espero que, quando eu ficar viúva, ele me deixe uma fortuna tão grande quanto Freddie Mercury deixou para Mary Austin.

P.S. 1: Haha, ele vai achar tudo isto ridículo. Babação de ovo não é a nossa, mas, pô, amore, você sabe que te amo loucamente.
P.S. 2: Que droga, Tuca, vê se depois de tanta rasgação de seda você tira aquelas fotos horríveis minhas do seu Orkut, peço isso há quantos anos mesmo?
18 de maio de 2007
Maioridade
Alex propôs o desafio já há um tempo, eu lembro de ter achado interessante, mas nada escrevi. Hoje, ele me mostrou o texto de novo e eu decidi fazer a viagem no tempo...
COMO FORAM OS MEUS 18 ANOS
Tenho boa memória, lembro de histórias com detalhes assustadores, sei reconstruir tudo de todas as coisas, mas não me veio à mente, de imediato, casos específicos ocorridos nesta idade. Mas tenho uma ferramenta que fui buscar no baú. Pois sim, fato número 1: aos 18, eu fazia diário. E ele está guardado, intacto, até hoje, junto com muitos outros.
Abro a capa e me deparo, de cara, com um adesivo. "Juventude é Lula Presidente, o Brasil para todas as tribos". Àquela época, eu realmente achava que Lula mudaria o mundo. Votei com fé.
O ano era 1999.
Acordei no dia 26 de abril na maioridade. Lembro de ter achado isso muito interessante. Fui de manhã cedo para a primeira aula de um curso básico de computação. Eu estava em férias de um semestre inteiro. Havia sido aprovada no vestibular, no início do ano, para o curso de Psicologia, na Ufba. Mas passei para o segundo semestre e fiquei seis meses inventando o que fazer. Esta foi uma das coisas mais legais de minha vida. Férias, férias, seis meses de férias.
Passei a tarde do meu aniversário em um salão. Usava cabelo comprido desde sempre e fiz um corte radical. Curto, com mechas vermelhas e cor-de-mel. Estava magérrima. Aquele corpinho eu nunca mais vi, mas o corte ficou até hoje. Desde então, meu cabelo nunca mais passou dos ombros. À noite, teve um jantar para amigos na casa do meu pai. Aparecer uma drag queen em uma festa para fazer piada da cara do aniversariante era coisa super nova, e eu achei o máximo quando a perua surgiu do nada.
Quatro dias depois, ganhei meu primeiro celular: um tijolão que tinha sido de minha mãe. Aquilo era uma arma. E, já em 99, era ultrapassadíssimo, passei muita vergonha por causa dele.
[São João aos 18, em Senhor do Bonfim. Com Nanda prima, Verônica e Nanda Sarno.]
Eu namorava. Namorava desde os 16. Era apaixonadinha. Tem um milhão de corações espalhados na agenda. Eu usava aparelho. Aparelho transparente. Não percebo muita diferença entre o antes e o depois, mas meu pai, dentista, achou que era bom eu usar. Topei, mas tinha de ser transparente, porque não queria boca de lata.
No dia 8 de junho, vivi pela primeira vez a morte de uma pessoa próxima. Meu avô paterno faleceu. Foi tudo muito triste, mas minha família por parte de pai tem uma alegria tão legal que, depois do sepultamento, fomos todos ficar juntos lá em casa - todos os tios, primos, amigos próximos, sem deixar a dor ser maior que o amor. Ficamos dois dias seguidos assim.
Ganhava mesada e tinha de viver com o que ela dava. Eu fazia curso de teatro, fiz por muito tempo. Nunca pretendi ser atriz, mas me divertia bastante com aquilo. Larguei o hobby aos 18 mesmo. Tirei a carteira de motorista. Fiz um curso de formação em massoterapia. Fiz um curso de respiração. Fiz também um de formação para ser professora de Inglês. Fui atacada e mordida por dois cachorros de uma vez. Conheci Paulo Afonso, a cidade onde meu pai nasceu. Ele levou os quatro filhos para verem cada cantinho de sua infância. Eu achei tudo um saco, eu era ainda mais mal-humorada do que sou hoje em dia.
As minhas aulas de Psicologia começaram em 9 de agosto. Eu amava algumas disciplinas, detestava outras e nunca consegui chegar no primeiro horário. Estar às sete da manhã dentro de uma sala de aula já era problema aos 18. Albergaria, meu professor de antropologia, me abriu os olhos para um monte de realidades. Ele é um símbolo deste momento. O primeiro semestre do curso foi revolucionário. Cresci em seis meses o que não havia crescido em 18 anos. Conheci amigos especiais; questionei coisas importantes. As consequências não demoraram a surgir. Comecei um termina-e-volta com o namorado. Descobri lugares e pessoas e livros e teorias. Fui enlouquecendo em diversos sentidos.
No dia 23 de dezembro de 99, assisti ao meu primeiro show dos Los Hermanos. Num lugar chamado Manatee, que era breguérrimo, para pouquíssimas pessoas. Aliás, até que estava cheio, mas, depois de a banda tocar Anna Julia, todos correram para o espaço da boate. E eu fiquei, grudada no palco baixinho, que deixava a banda quase à altura do público, com uns gatos pingados, cantando todas as músicas de trás para frente. Foi lindo. O amor pela banda não morreu aos 18, acho que não vai morrer nunca.
Foi também aos 18 que fui pela primeira vez ao Calypso, o refúgio mais clássico do rock em Salvador. E fui mais e muito mais vezes depois, sempre com amigas que queriam me botar no mau caminho. Eu fazia farra pra caramba, um monte de doideiras. Não tanto quanto hoje, mas fazia. Festa particular à noite na praia, viagens de galera (a de Morro de São Paulo com duas amigas lindas foi inesquecível), shows sem fim, muitas madrugadas, muitas cervejas, carnaval... Ia para cima e para baixo, toda independente, não contava caso para nada. Pegava meu buzu e lá ia eu. Só que era uma menina muito bem-comportada. Mesmo. No drugs, beijo em uma boca só (só abri exceção no carnaval, sou baiana, ora bolas), várias notas 10 na faculdade. Uma lady.
[Morro de São Paulo, com Tissi. Delícia de viagem. Dá para ver meu aparelho transparente? Dá? Dá?]
Eu tinha um bilhão de dúvidas, um bilhão de idéias. Comecei a ter consciência de minha própria vida e a querer estipular os moldes de como eu gostaria de viver. "Isto me faz feliz, isto não me faz feliz". Eu todo dia achava que estava mais madura que no dia anterior, cheia de coisas borbulhando na cabeça. Uma verdadeira menina de 18 anos.
Não sei se sinto saudades ou se acho ótimo isto tudo ter passado.
Prefiro meus 26, prefiro muito, mesmo querendo ter feito tantas coisas diferentes neste espaço de tempo que me separa dos 18.
COMO FORAM OS MEUS 18 ANOS
Tenho boa memória, lembro de histórias com detalhes assustadores, sei reconstruir tudo de todas as coisas, mas não me veio à mente, de imediato, casos específicos ocorridos nesta idade. Mas tenho uma ferramenta que fui buscar no baú. Pois sim, fato número 1: aos 18, eu fazia diário. E ele está guardado, intacto, até hoje, junto com muitos outros.
Abro a capa e me deparo, de cara, com um adesivo. "Juventude é Lula Presidente, o Brasil para todas as tribos". Àquela época, eu realmente achava que Lula mudaria o mundo. Votei com fé.
O ano era 1999.
Acordei no dia 26 de abril na maioridade. Lembro de ter achado isso muito interessante. Fui de manhã cedo para a primeira aula de um curso básico de computação. Eu estava em férias de um semestre inteiro. Havia sido aprovada no vestibular, no início do ano, para o curso de Psicologia, na Ufba. Mas passei para o segundo semestre e fiquei seis meses inventando o que fazer. Esta foi uma das coisas mais legais de minha vida. Férias, férias, seis meses de férias.
Passei a tarde do meu aniversário em um salão. Usava cabelo comprido desde sempre e fiz um corte radical. Curto, com mechas vermelhas e cor-de-mel. Estava magérrima. Aquele corpinho eu nunca mais vi, mas o corte ficou até hoje. Desde então, meu cabelo nunca mais passou dos ombros. À noite, teve um jantar para amigos na casa do meu pai. Aparecer uma drag queen em uma festa para fazer piada da cara do aniversariante era coisa super nova, e eu achei o máximo quando a perua surgiu do nada.
Quatro dias depois, ganhei meu primeiro celular: um tijolão que tinha sido de minha mãe. Aquilo era uma arma. E, já em 99, era ultrapassadíssimo, passei muita vergonha por causa dele.

Eu namorava. Namorava desde os 16. Era apaixonadinha. Tem um milhão de corações espalhados na agenda. Eu usava aparelho. Aparelho transparente. Não percebo muita diferença entre o antes e o depois, mas meu pai, dentista, achou que era bom eu usar. Topei, mas tinha de ser transparente, porque não queria boca de lata.
No dia 8 de junho, vivi pela primeira vez a morte de uma pessoa próxima. Meu avô paterno faleceu. Foi tudo muito triste, mas minha família por parte de pai tem uma alegria tão legal que, depois do sepultamento, fomos todos ficar juntos lá em casa - todos os tios, primos, amigos próximos, sem deixar a dor ser maior que o amor. Ficamos dois dias seguidos assim.
Ganhava mesada e tinha de viver com o que ela dava. Eu fazia curso de teatro, fiz por muito tempo. Nunca pretendi ser atriz, mas me divertia bastante com aquilo. Larguei o hobby aos 18 mesmo. Tirei a carteira de motorista. Fiz um curso de formação em massoterapia. Fiz um curso de respiração. Fiz também um de formação para ser professora de Inglês. Fui atacada e mordida por dois cachorros de uma vez. Conheci Paulo Afonso, a cidade onde meu pai nasceu. Ele levou os quatro filhos para verem cada cantinho de sua infância. Eu achei tudo um saco, eu era ainda mais mal-humorada do que sou hoje em dia.
As minhas aulas de Psicologia começaram em 9 de agosto. Eu amava algumas disciplinas, detestava outras e nunca consegui chegar no primeiro horário. Estar às sete da manhã dentro de uma sala de aula já era problema aos 18. Albergaria, meu professor de antropologia, me abriu os olhos para um monte de realidades. Ele é um símbolo deste momento. O primeiro semestre do curso foi revolucionário. Cresci em seis meses o que não havia crescido em 18 anos. Conheci amigos especiais; questionei coisas importantes. As consequências não demoraram a surgir. Comecei um termina-e-volta com o namorado. Descobri lugares e pessoas e livros e teorias. Fui enlouquecendo em diversos sentidos.
No dia 23 de dezembro de 99, assisti ao meu primeiro show dos Los Hermanos. Num lugar chamado Manatee, que era breguérrimo, para pouquíssimas pessoas. Aliás, até que estava cheio, mas, depois de a banda tocar Anna Julia, todos correram para o espaço da boate. E eu fiquei, grudada no palco baixinho, que deixava a banda quase à altura do público, com uns gatos pingados, cantando todas as músicas de trás para frente. Foi lindo. O amor pela banda não morreu aos 18, acho que não vai morrer nunca.
Foi também aos 18 que fui pela primeira vez ao Calypso, o refúgio mais clássico do rock em Salvador. E fui mais e muito mais vezes depois, sempre com amigas que queriam me botar no mau caminho. Eu fazia farra pra caramba, um monte de doideiras. Não tanto quanto hoje, mas fazia. Festa particular à noite na praia, viagens de galera (a de Morro de São Paulo com duas amigas lindas foi inesquecível), shows sem fim, muitas madrugadas, muitas cervejas, carnaval... Ia para cima e para baixo, toda independente, não contava caso para nada. Pegava meu buzu e lá ia eu. Só que era uma menina muito bem-comportada. Mesmo. No drugs, beijo em uma boca só (só abri exceção no carnaval, sou baiana, ora bolas), várias notas 10 na faculdade. Uma lady.

Eu tinha um bilhão de dúvidas, um bilhão de idéias. Comecei a ter consciência de minha própria vida e a querer estipular os moldes de como eu gostaria de viver. "Isto me faz feliz, isto não me faz feliz". Eu todo dia achava que estava mais madura que no dia anterior, cheia de coisas borbulhando na cabeça. Uma verdadeira menina de 18 anos.
Não sei se sinto saudades ou se acho ótimo isto tudo ter passado.
Prefiro meus 26, prefiro muito, mesmo querendo ter feito tantas coisas diferentes neste espaço de tempo que me separa dos 18.
11 de maio de 2007
Combinação
Admirar pessoas é uma delícia. Talvez por não ser algo que acontece sempre, talvez porque servem de referência, talvez porque é bom descobrir tesouros, talvez porque eu sou osso duro de roer.
É uma viagem.
É uma verdadeira viagem descobrir razões em pessoas pelo mundo para que se tenha motivos de achá-las "especiais".
Estou revisando o livro de Cury. Tem sido um trabalho árduo, porque tenho dedicado muito carinho e horas à tarefa - haja noites viradas, em meio a tantas outras ocupações -, mas tem sido maravilhoso. Nas primeiras páginas, na introdução que ele fez, estava lá meu nome, como "uma das escolhidas" para fazer parte deste processo. Eu babei meia hora em cima da puxação de saco que ele fez. É como o próprio falou em algumas páginas depois: Cury era fã convicto de uma banda e, belo dia, foi convidado a compô-la. Sobre o episódio, ele disse algo do tipo: "não há emoção maior"...
E não há mesmo.
Neste sentido, tenho vivido umas coisas realmente emocionantes, e não existe palavra que melhor defina a sensação.
Quando Cury decidiu que iria realmente pôr em prática o projeto do livro, eu fui e me ofereci. Ele foi e aceitou. Eu fui e fiquei sem nem como dizer. Ele foi e levou lá em casa, num envelope com meu nome, o impresso original. Eu fui e disse o quanto estava feliz por isso. Ele foi e me deu de presente um manual de redação fantástico. Eu fui e ainda estou indo em meio às histórias do meu querido Cury.
É uma coisa doida esta, de você conquistar a confiança e de sentir alguma reciprocidade de pessoas que você admira muito. Ricardo Cury é, talvez, mais osso duro de roer do que eu, mas sei que ele sabe o quanto o admiro, o quanto o acho fantástico. De todas as pessoas que conheci através de Angelo, ele é, de longe, o mais querido. E já ultrapassou a barreira de ser o amigo do namorado. Cury é sensato, honesto, sangue bom. Além de inteligente, bonito e instigante. Cury me deixa cheia de pulgas atrás da orelha e acho isso ótimo. Gente que desperta curiosidades é a melhor coisa do mundo. Estou infinitamente feliz por estar metendo meu dedo num projeto dele, mesmo ele dizendo lá no próprio livro que acha o meu trabalho uma bobagem...
Tem também a maior banda de rock da Bahia na atualidade. Sou fã confessa deles. Eu ouço e re-ouço as músicas e não canso. Poucas coisas são melhores do que Queda Livre e Gigante para meus ouvidos (e outras tantas mais...). Canto sempre como se fosse a primeira vez. Acho Fábio genial em suas composições e sempre soube quem ele era. E ele só soube quem eu era, e talvez nem lembre disso, quando, no fim do ano passado, o recebi para uma entrevista na TV. Junto com os outros três integrantes da Cascadura.
E, então, há uns meses, por caminhos que esta vida nos leva, Fábio e Thiaguinho me chamaram para fazer a assessoria de imprensa da banda. Era a minha mais pura explosão de felicidade, fazer parte desta equipe é uma realização que eu nem projetava. Mais que isso: conhecer os meninos mais a fundo tem sido incrível. Eu já nem sei dizer o quanto gosto e admiro eles. É demais. Fábio é foda. Fábio é um gentleman, cheio de idéias, cheio de histórias, cheio de qualidades: digno, batalhador, talentoso, atencioso. Thiago é a coisa mais querida do mundo. É um amuleto de boa energia, sua mente não pára e sua atitude perante a vida me inspira - e ainda me deixa hipnotizada. Candinho e Tiago Aziz ainda estão sendo descobertos, mas também são ótimos. Me sinto privilegiada ao extremo. Engraçado que, no meu aniversário, Fábio escreveu que me admirava... Bobo... Este papel é meu.
A história de "recompensa" mais forte, no entanto, vem de Alex. Porque Alex me deu um trabalho da porra. E porque eu sou a fã mais abestalhada que ele tem.
Foi assim: quando eu era colega de Arturo e Érica, entre nossas fofocas diárias, falamos de blog. Àquela altura, não era algo que todo mundo tinha. Mas eu tinha, Arturo também, e Érica decidiu que iria ter. Um dia, algum deles me apresentou ao LLL. Eu acho que foi Arturo, Arturo disse que foi Érica, mas eu acho que fui eu que mostrei Alex a ela... Enfim, não sei mais dizer quem mostrou a quem.
Acontece que, de mansinho, eu me apaixonei. Comecei lendo aqui e ali e, quando vi, estava viciada. Estou viciada há quatro anos. Leio sempre, tudo - menos as resenhas chatas de livros; não quero saber dos livros, quero saber dele mesmo e pronto. Vez ou outra, eu passei a comentar as escritas. Depois, pulei para os e-mails - e Alex não me dava a mínima, nunca respondia a nada. Eu não ligava muito, porque eu me sentia satisfeita por fazer minha parte. As argumentações de Alex me deixam admirada. Profundamente. Os textos das prisões são uma das coisas mais legais que já li na vida. Passei a citá-lo em minhas conversas. Passei a aprender com ele. Uma clara referência do que quero ser quando crescer - não tão pervertido e desmiolado, mas tão livre quanto... E, vejam só, belo dia, ele me respondeu. Me deu meia-bola. Monossilábico, mas deu sinal de vida. E até cedeu um de seus textos para o falecido NúmeroG, da falecida Letrasete.
Foi um avanço vê-lo publicar histórias de minha vida, que eu contava para ele com intimidade, em seu blog - cheio de disfarces, trocando nomes e endereços, eu só dava risada, esse Alex... Então ele me adicionou no msn. Quis saber mais de mim (só que Alex quer saber mais de todo mundo, ele é um compulsivo por histórias de gentes todas, isso não dizia muito).
Então, sei lá mais como, sei lá mais porquê, ele me concedeu confiança e me tomou como cúmplice de segredos e de publicações protegidas e de assessora de imprensa de seu trabalho. Não fomos muito à frente com a tarefa (apesar de eu estar disponível para qualquer uma que vier), mas demos passos largos na amizade.
Outro dia, ele me apresentou a Marcela, esta coisa de doido, pelo msn. Uma conversa a três. E disse: "quero ir a Salvador única e exclusivamente conhecer vocês duas". Marcela, não sei de você, mas eu me senti a mulher mais maravilhosa do mundo depois de ouvir isso. Alex está chegando e estou ansiosa pelas massagens nos meus pés. Poucas pessoas no mundo merecem tanto minha admiração quanto ele merece.
Voltando ao início: admirar pessoas é uma delícia. Admirar e ser admirada é sublime.
-----------------------
P.S.: Quando fui contar a Arturo, toda feliz, o que Alex tinha dito sobre sua vinda a Salvador, Arturo me olhou com cara de desprezo... Pensei, sobre meu amigo que desdenha das coisas, "ih, lá vou eu levar bronca". E ele disse: "Paula, você é mesmo uma boba. Não sei porque você se maravilha com isso. Você é uma das pessoas mais interessantes que alguém pode conhecer, isto é absolutamente normal". Ai, meu Deus, eu amo Arturo mais que tudo.
É uma viagem.
É uma verdadeira viagem descobrir razões em pessoas pelo mundo para que se tenha motivos de achá-las "especiais".
Estou revisando o livro de Cury. Tem sido um trabalho árduo, porque tenho dedicado muito carinho e horas à tarefa - haja noites viradas, em meio a tantas outras ocupações -, mas tem sido maravilhoso. Nas primeiras páginas, na introdução que ele fez, estava lá meu nome, como "uma das escolhidas" para fazer parte deste processo. Eu babei meia hora em cima da puxação de saco que ele fez. É como o próprio falou em algumas páginas depois: Cury era fã convicto de uma banda e, belo dia, foi convidado a compô-la. Sobre o episódio, ele disse algo do tipo: "não há emoção maior"...
E não há mesmo.
Neste sentido, tenho vivido umas coisas realmente emocionantes, e não existe palavra que melhor defina a sensação.
Quando Cury decidiu que iria realmente pôr em prática o projeto do livro, eu fui e me ofereci. Ele foi e aceitou. Eu fui e fiquei sem nem como dizer. Ele foi e levou lá em casa, num envelope com meu nome, o impresso original. Eu fui e disse o quanto estava feliz por isso. Ele foi e me deu de presente um manual de redação fantástico. Eu fui e ainda estou indo em meio às histórias do meu querido Cury.
É uma coisa doida esta, de você conquistar a confiança e de sentir alguma reciprocidade de pessoas que você admira muito. Ricardo Cury é, talvez, mais osso duro de roer do que eu, mas sei que ele sabe o quanto o admiro, o quanto o acho fantástico. De todas as pessoas que conheci através de Angelo, ele é, de longe, o mais querido. E já ultrapassou a barreira de ser o amigo do namorado. Cury é sensato, honesto, sangue bom. Além de inteligente, bonito e instigante. Cury me deixa cheia de pulgas atrás da orelha e acho isso ótimo. Gente que desperta curiosidades é a melhor coisa do mundo. Estou infinitamente feliz por estar metendo meu dedo num projeto dele, mesmo ele dizendo lá no próprio livro que acha o meu trabalho uma bobagem...
Tem também a maior banda de rock da Bahia na atualidade. Sou fã confessa deles. Eu ouço e re-ouço as músicas e não canso. Poucas coisas são melhores do que Queda Livre e Gigante para meus ouvidos (e outras tantas mais...). Canto sempre como se fosse a primeira vez. Acho Fábio genial em suas composições e sempre soube quem ele era. E ele só soube quem eu era, e talvez nem lembre disso, quando, no fim do ano passado, o recebi para uma entrevista na TV. Junto com os outros três integrantes da Cascadura.
E, então, há uns meses, por caminhos que esta vida nos leva, Fábio e Thiaguinho me chamaram para fazer a assessoria de imprensa da banda. Era a minha mais pura explosão de felicidade, fazer parte desta equipe é uma realização que eu nem projetava. Mais que isso: conhecer os meninos mais a fundo tem sido incrível. Eu já nem sei dizer o quanto gosto e admiro eles. É demais. Fábio é foda. Fábio é um gentleman, cheio de idéias, cheio de histórias, cheio de qualidades: digno, batalhador, talentoso, atencioso. Thiago é a coisa mais querida do mundo. É um amuleto de boa energia, sua mente não pára e sua atitude perante a vida me inspira - e ainda me deixa hipnotizada. Candinho e Tiago Aziz ainda estão sendo descobertos, mas também são ótimos. Me sinto privilegiada ao extremo. Engraçado que, no meu aniversário, Fábio escreveu que me admirava... Bobo... Este papel é meu.
A história de "recompensa" mais forte, no entanto, vem de Alex. Porque Alex me deu um trabalho da porra. E porque eu sou a fã mais abestalhada que ele tem.
Foi assim: quando eu era colega de Arturo e Érica, entre nossas fofocas diárias, falamos de blog. Àquela altura, não era algo que todo mundo tinha. Mas eu tinha, Arturo também, e Érica decidiu que iria ter. Um dia, algum deles me apresentou ao LLL. Eu acho que foi Arturo, Arturo disse que foi Érica, mas eu acho que fui eu que mostrei Alex a ela... Enfim, não sei mais dizer quem mostrou a quem.
Acontece que, de mansinho, eu me apaixonei. Comecei lendo aqui e ali e, quando vi, estava viciada. Estou viciada há quatro anos. Leio sempre, tudo - menos as resenhas chatas de livros; não quero saber dos livros, quero saber dele mesmo e pronto. Vez ou outra, eu passei a comentar as escritas. Depois, pulei para os e-mails - e Alex não me dava a mínima, nunca respondia a nada. Eu não ligava muito, porque eu me sentia satisfeita por fazer minha parte. As argumentações de Alex me deixam admirada. Profundamente. Os textos das prisões são uma das coisas mais legais que já li na vida. Passei a citá-lo em minhas conversas. Passei a aprender com ele. Uma clara referência do que quero ser quando crescer - não tão pervertido e desmiolado, mas tão livre quanto... E, vejam só, belo dia, ele me respondeu. Me deu meia-bola. Monossilábico, mas deu sinal de vida. E até cedeu um de seus textos para o falecido NúmeroG, da falecida Letrasete.
Foi um avanço vê-lo publicar histórias de minha vida, que eu contava para ele com intimidade, em seu blog - cheio de disfarces, trocando nomes e endereços, eu só dava risada, esse Alex... Então ele me adicionou no msn. Quis saber mais de mim (só que Alex quer saber mais de todo mundo, ele é um compulsivo por histórias de gentes todas, isso não dizia muito).
Então, sei lá mais como, sei lá mais porquê, ele me concedeu confiança e me tomou como cúmplice de segredos e de publicações protegidas e de assessora de imprensa de seu trabalho. Não fomos muito à frente com a tarefa (apesar de eu estar disponível para qualquer uma que vier), mas demos passos largos na amizade.
Outro dia, ele me apresentou a Marcela, esta coisa de doido, pelo msn. Uma conversa a três. E disse: "quero ir a Salvador única e exclusivamente conhecer vocês duas". Marcela, não sei de você, mas eu me senti a mulher mais maravilhosa do mundo depois de ouvir isso. Alex está chegando e estou ansiosa pelas massagens nos meus pés. Poucas pessoas no mundo merecem tanto minha admiração quanto ele merece.
Voltando ao início: admirar pessoas é uma delícia. Admirar e ser admirada é sublime.
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P.S.: Quando fui contar a Arturo, toda feliz, o que Alex tinha dito sobre sua vinda a Salvador, Arturo me olhou com cara de desprezo... Pensei, sobre meu amigo que desdenha das coisas, "ih, lá vou eu levar bronca". E ele disse: "Paula, você é mesmo uma boba. Não sei porque você se maravilha com isso. Você é uma das pessoas mais interessantes que alguém pode conhecer, isto é absolutamente normal". Ai, meu Deus, eu amo Arturo mais que tudo.
5 de maio de 2007
Hoje seria dia de comemorar cinco anos
E, na falta da festa, eu me contento com parabéns e lágrimas.
2 de maio de 2007
Capão de botas
7 de setembro, no ano passado, caiu numa quinta-feira e foi aquela coisa: todo mundo enforcou a sexta e virou feriadão, ótimo para viajar. Rolou de o Capão nos chamar loucamente, a gente tinha de ir e pronto. Mas, dentre outros motivos menos importantes, uns amigos queridíssimos meus chegariam de Sampa no dia 8, e eu queria vê-los, iria ficar puta se eles passassem por Salvador e a gente não se visse. Então convenci Angelo e nós compramos a passagem para o sábado de manhã cedíssimo e voltaríamos no domingo, de noitão tardíssimo. Só a gente mesmo para topar ir para o Capão num dia e voltar no outro. Enfim. Conseguimos reservar duas camas num quarto de albergue, tudo certo.
Dany, Paty e Marreco, meus troços do meu coração, resolveram embarcar na parada. Estava todo mundo sem grana e calhou perfeitamente: para ir num dia e voltar no outro, o gasto seria pequeno e eles aturariam nem dormir, caso não arranjassem onde se encostar. Eles prepararam tudo: fizeram mercadão com cheque ultra-pré-datado, com tudo que era necessário para a viagem, para a fome e para a bebedeira, separaram isopor, colchão, travesseiro, o escambau.
Na sexta à noite, enquanto Dany, Paty e Marreco arrumavam o carro e o transformavam num quarto de hotel de luxo, eu e Angelo saímos com os amigos de Sampa - isso depois de eu ter passado o dia inteiro com eles, das dez da manhã às oito da noite, mostrando a cidade, de Itapuã a Bonfim, parando em todos os pontos clássicos. Os levamos ao Póstudo (amigo meu que vem conhecer meu mundo tem de conhecer o Póstudo) e, papo vai, papo vem, desce cerveja sem fim, oito mil rodadas de miolo de macaco, rosca, aquela farra. Como sempre acontece (e eu nem sei como eu volto ao Póstudo se reclamo tanto do atendimento de lá), fomos interrompidos pela conta sendo posta em cima da mesa, sem ninguém pedir. O bar fechou, fomos expulsos e, claro, eu queria mais: vamos pra onde?, vamos pra onde?
Ninguém se animou, os paulistas estavam exaustos, Angelo só falava do ônibus que sairia às seis da manhã. Ok. Deixei os meninos no hotel e avisei a Angelo, toda querendo mais: "Se formos para casa, teremos duas horas de sono e você sabe que eu não vou conseguir levantar, é melhor a gente dar virote e ir direto, vamos beber mais em algum canto, vai ser ótimo porque vamos dormir a viagem inteira". Ele discordou. E se comprometeu a me arrancar da cama - um trabalho e tanto. "Ok", eu disse, "então vou dormir, você quem sabe, vai dar merda isso...".
E deu. Quando abri o olho uma hora lá de manhã por sentir que algo estava estranho, Angelo estava me olhando com cara de "fudeu". Já ia dar oito horas. Merda!! Eu sabia!!!
Liguei correndo para Dany, sem muita esperança porque eles tinham dito que sairiam antes do amanhecer. "Amiga, você já está na estrada??". E, eba, eles também tinham dormido mais do que pretendiam e estavam de saída àquela hora. E eu: "Dany, pelamordedeus, perdemos o ônibus, podemos ir com vocês?".
Ela foi reticente: "Te ligo daqui a pouco, pode ser? Vou falar com Paty e Marreco". Depois que ela retornou a ligação, disse: "Amiga, falei com eles, não dá. O carro está todo montado, cada coisa em seu canto, passamos horas encaixando tudo para caber, estamos cheios de coisa, não tem espaço mesmo, impossível". Ok, fazer o quê? Quase choro, mas o jeito era me conformar. Então Marreco me ligou: "Nada disso, a gente tira o que for preciso do carro, me dê dez minutos, vou rearrumar tudo". Aí, confirmada a possibilidade de enfiar eu e Angelo no Fiesta de Paty, Dany avisou: "Mas tem o seguinte: não dá para levar mala, nem mochila, não cabe. Traga uma sacolinha de mão com o que for indispensável. E rápido, estamos chegando aí".
Eu e Angelo corremos: abrimos a nossa linda malinha toda arrumadinha, arrancamos uma camiseta e uma bermuda cada um, calcinha e cueca, escova de dente e uma toalha. Vestimos calça, que era mais complicado de levar e que poderíamos querer na noite fria do Capão, e amarramos casaco na cintura. Sapato, só o do pé. Enfiei minha bota. Vamos nessa.
Foi um dos melhores fins de semana de minha vida. Mesmo fazendo a trilha da Fumaça com bota de cano alto, mesmo sem shampoo, mesmo com o aperto do carro, mesmo dormindo de calça jeans com uma mulher doida pelada no quarto do albergue. Foi indescritível. Maravilhoso.
Ah! Também fiquei feliz por ter lembrado de levar o sutiã, porque pude tomar banho na trilha sem criar qualquer tipo de escândalo.
--------------------------------------------
Fotitas, fotitas, fotitas:

Dany, Paty e Marreco, meus troços do meu coração, resolveram embarcar na parada. Estava todo mundo sem grana e calhou perfeitamente: para ir num dia e voltar no outro, o gasto seria pequeno e eles aturariam nem dormir, caso não arranjassem onde se encostar. Eles prepararam tudo: fizeram mercadão com cheque ultra-pré-datado, com tudo que era necessário para a viagem, para a fome e para a bebedeira, separaram isopor, colchão, travesseiro, o escambau.
Na sexta à noite, enquanto Dany, Paty e Marreco arrumavam o carro e o transformavam num quarto de hotel de luxo, eu e Angelo saímos com os amigos de Sampa - isso depois de eu ter passado o dia inteiro com eles, das dez da manhã às oito da noite, mostrando a cidade, de Itapuã a Bonfim, parando em todos os pontos clássicos. Os levamos ao Póstudo (amigo meu que vem conhecer meu mundo tem de conhecer o Póstudo) e, papo vai, papo vem, desce cerveja sem fim, oito mil rodadas de miolo de macaco, rosca, aquela farra. Como sempre acontece (e eu nem sei como eu volto ao Póstudo se reclamo tanto do atendimento de lá), fomos interrompidos pela conta sendo posta em cima da mesa, sem ninguém pedir. O bar fechou, fomos expulsos e, claro, eu queria mais: vamos pra onde?, vamos pra onde?
Ninguém se animou, os paulistas estavam exaustos, Angelo só falava do ônibus que sairia às seis da manhã. Ok. Deixei os meninos no hotel e avisei a Angelo, toda querendo mais: "Se formos para casa, teremos duas horas de sono e você sabe que eu não vou conseguir levantar, é melhor a gente dar virote e ir direto, vamos beber mais em algum canto, vai ser ótimo porque vamos dormir a viagem inteira". Ele discordou. E se comprometeu a me arrancar da cama - um trabalho e tanto. "Ok", eu disse, "então vou dormir, você quem sabe, vai dar merda isso...".
E deu. Quando abri o olho uma hora lá de manhã por sentir que algo estava estranho, Angelo estava me olhando com cara de "fudeu". Já ia dar oito horas. Merda!! Eu sabia!!!
Liguei correndo para Dany, sem muita esperança porque eles tinham dito que sairiam antes do amanhecer. "Amiga, você já está na estrada??". E, eba, eles também tinham dormido mais do que pretendiam e estavam de saída àquela hora. E eu: "Dany, pelamordedeus, perdemos o ônibus, podemos ir com vocês?".
Ela foi reticente: "Te ligo daqui a pouco, pode ser? Vou falar com Paty e Marreco". Depois que ela retornou a ligação, disse: "Amiga, falei com eles, não dá. O carro está todo montado, cada coisa em seu canto, passamos horas encaixando tudo para caber, estamos cheios de coisa, não tem espaço mesmo, impossível". Ok, fazer o quê? Quase choro, mas o jeito era me conformar. Então Marreco me ligou: "Nada disso, a gente tira o que for preciso do carro, me dê dez minutos, vou rearrumar tudo". Aí, confirmada a possibilidade de enfiar eu e Angelo no Fiesta de Paty, Dany avisou: "Mas tem o seguinte: não dá para levar mala, nem mochila, não cabe. Traga uma sacolinha de mão com o que for indispensável. E rápido, estamos chegando aí".
Eu e Angelo corremos: abrimos a nossa linda malinha toda arrumadinha, arrancamos uma camiseta e uma bermuda cada um, calcinha e cueca, escova de dente e uma toalha. Vestimos calça, que era mais complicado de levar e que poderíamos querer na noite fria do Capão, e amarramos casaco na cintura. Sapato, só o do pé. Enfiei minha bota. Vamos nessa.
Foi um dos melhores fins de semana de minha vida. Mesmo fazendo a trilha da Fumaça com bota de cano alto, mesmo sem shampoo, mesmo com o aperto do carro, mesmo dormindo de calça jeans com uma mulher doida pelada no quarto do albergue. Foi indescritível. Maravilhoso.
Ah! Também fiquei feliz por ter lembrado de levar o sutiã, porque pude tomar banho na trilha sem criar qualquer tipo de escândalo.
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Fotitas, fotitas, fotitas:

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